Candidato de Aécio bate o de Dilma e se reelege no 1º turno em Belo Horizonte

Atual prefeito foi reeleito na capital mineira à frente de Patrus Ananias, candidato do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff

Daniel Leite Andrade - especial do iG em Belo Horizonte | - Atualizada às

A disputa para a Prefeitura de Belo Horizonte acabou neste domingo. Com todas as urnas apuradas, o atual prefeito e candidato Márcio Lacerda (PSB), foi reeleito com 52,69% dos votos. Na eleição que virou  ensaio para a disputa eleitoral de 2014 , o candidato apoiado pelos tucanos  Aécio Neves  e Antonio Anastasia superou o petista Patrus Ananias , que teve 40,80% dos votos válidos, apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidenta Dilma Rousseff .

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Veja como foi a votação para prefeito e vereadores em Belo Horizonte

No discurso de vitória, Lacerda procurou deixar claro seu agradecimento ao PSDB, por meio de Aécio e do governador Antonio Anastasia, chamados por ele de “as duas das maiores lideranças políticas do Brasil”.

Daniel Andrade/especial para o iG
No discurso de vitória, Lacerda deixou claro seu agradecimento ao PSDB, a Aécio e a Anastasia


Lacerda, que se elegeu prefeito em 2008 com uma chapa que reunia PT, PSDB e PSB, não conseguiu repetir a coligação neste pleito. O PT rompeu com o PSB em junho depois que o partido, que compõe a base aliada do governo Dilma, decidiu não fazer coligação proporcional na capital, atendendo aos interesses dos tucanos. Diante do quadro e com marcada interferência da presidenta, o PT reagiu, colocando Patrus na disputa para enfrentar o antigo aliado. O socialista, desta vez, fechou com o PSDB e outros 17 partidos.

Mas a briga com o PT é anterior à campanha. Lacerda, em seu primeiro mandato, viveu em pé de guerra com o vice petista Roberto Carvalho e foi acusado pelo partido de não valorizar as questões sociais, linha seguida por Patrus durante a campanha. 

Para rebater as acusações, Lacerda, no discurso da vitória, prometeu empenho quanto a esse assunto. “Estaremos trabalhando com toda a população por uma Belo Horizonte cada vez melhor, mais justa, mais sustentável, mais inclusiva, e com mais oportunidade para todos. Nossa gestão futura vai ampliar ainda mais a participação social de governança cidadã”.

O PT avisa que o prefeito reeleito não terá vida fácil na Câmara Municipal, como no primeiro mandato quando teve esmagadora maioria. Dilma, segundo o candidato derrotado Patrus Ananias, também mandou seu recado: estabeleceu um divisor de águas na capital e no Estado. 

Campanha nacional

A vitória de Lacerda é um ponto favorável às pretensões do senador Aécio Neves de concorrer à presidência do país, avalia a cientista políticas Helcimara de Souza Telles, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais.

Na festa de Lacerda, o tom foi dado por Anastasia, que, pela primeira vez, de forma explícita, lançou o nome do senador à Presidência. “Agora nós temos muito trabalho porque o povo já pediu aqui. Em 2014, nós temos outra função: Aécio, presidente do Brasil”.

Apesar de classificar como “notável” o desempenho do PT, o grupo político de Aécio Neves se fortalece na cidade e em Minas, avalia a professora. “Não votaram no Aécio, mas como Lacerda foi apoiado pelo Aécio, ele agora coloca de vez os pés em BH, que é uma cidade importante para as eleições de 2014. Não vejo como uma vitória do PSB nacional, mas do grupo aecista”, afirmou a cientista política. O avanço do domínio dos tucanos só não foi maior, segundo ela, justamente porque o PT teve um candidato próprio, minando o campo de abrangência do PSDB e aliados.

Apesar do bom desempenho de Patrus, amplamente apoiado por Fernando Pimentel, a costura política de 2008, que desfacelou-se em 2012, acabou se tornando um problema para o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior. A professora da UFMG acredita que o PT está vulnerável a mais cisões e discussões internas. Isso porque Pimentel, um nome forte na legenda, foi quem “abençoou a aliança de 2008”, lembra a especialista. Agora, segundo ela, o peso da derrota pode ser, em parte, atribuído à articulação de quatro anos atrás.

Questionado a respeito disso, Pimentel respondeu de forma ríspida a um jornalista. “Meu amigo, se você não entendeu nada, essa é a unidade do nosso partido simbolizada aqui hoje”, referindo-se ao discurso de Patrus, para quem o PT saiu unido após as eleições.

Dia dos candidatos

O candidato do PT, Patrus Ananias, chegou por volta das 10h30 na Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde é professor. Votou acompanhado pela esposa, Vera Ananias, e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. O candidato manifestou satisfação com a forma como a campanha foi conduzida e ainda esperava por um segundo turno.

Pouco depois das 11h foi a vez de Lacerda votar no Colégio Estadual Central, acompanhado do senador Aécio Neves (PSDB-MG). “Nossa expectativa é a de ganhar no primeiro turno”, disse Lacerda. “Mas, qualquer que seja o resultado, vamos recebê-lo com humildade e continuar nosso trabalho pela cidade”, disse.

“É muito importante darmos continuidade, para que os bons projetos sejam concluídos”, acrescentou. Aécio Neves evitou fazer associações entre as eleições para a prefeitura e a presidencial. “Mineiro não pode entrar com o carro na frente dos bois”, disse.

Votação

A eleição de Belo Horizonte foi a mais bem sucedida de sua história, segundo avaliação do presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Antônio Carlos Cruvinel. Segundo ele, o sucesso do pleito se deve à harmonia como o processo transcorreu nas ruas, com poucas prisões por crimes eleitorais, e ao baixo número de urnas substituídas, cerca de 160 das 44.733 usadas em todo o estado.

“Nada prejudicou nossa programação. Tivemos apenas um pequeno número de irregularidades, que mostram, inclusive, uma tendência de, no futuro, não existir mais boca de urna. As eleições foram um sucesso e transcorreram com grande harmonia. Acredito que isso se deve às campanhas de conscientização do TRE, que funcionou muito melhor, na comparação com as anteriores”, disse o presidente do tribunal.

Antônio Carlos Cruvinel disse, ainda, que o número de urnas substituídas foi insignificante. “Podemos nos vangloriar de não termos feito nenhuma votação manual”, disse. “E, na capital, sem a menor dúvida, tivemos a melhor eleição já realizada”, acrescentou.


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