Peemedebista temia ser punido pela Lei da Ficha Limpa depois de eleito; em 2006, ele foi condenado por compra de votos, mas conseguiu aval do TRE-BA para se candidatar

Um candidato a prefeito de Valença, cidade a 255 km de Salvador, retirou a sua candidatura às vésperas da eleição e colocou o irmão gêmeo em seu lugar. Ricardo Moura (PMDB) temia ser punido pela Lei da Ficha Limpa após condenação por compra de votos, em 2004, e resolveu desistir da disputa. O caso estava para ser julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Com isso, o seu irmão gêmeo, o dentista Luciano Moura, é quem disputa a vaga pela Prefeitura de Valença, também pelo PMDB, com o mote "dois irmãos, um só coração". A política da cidade é uma das mais conturbadas da Bahia. Desde 1996, dois prefeitos do município foram cassados.

Candidato a prefeito de Valença retira candidatura e coloca irmão gêmeo no seu lugar
Divulgação
Candidato a prefeito de Valença retira candidatura e coloca irmão gêmeo no seu lugar

De acordo com a legislação eleitoral, a troca de candidato pode ser feita até as 19 horas de sábado (6), véspera da votação. A figura que aparece na urna eletrônica, no entanto, não se altera, permanece a do candidato que foi substituído.

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Alvo da Ficha Limpa, Moura foi acusado de compra de votos na campanha eleitoral de 2004, quando era vice do então prefeito Renato Assis (PSDB), candidato à reeleição. Mas só em 2006 os dois foram condenados à cassação, abuso do poder econômico e abuso do poder político. A pena foi de oito anos de inelegibilidade.

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No entanto, sua candidatura em 2012 foi deferida pela juíza da 31ª Vara Eleitoral da Bahia, em Valença, Alzeni Conceição Barreto Alves. Os advogados dos dois concorrentes de Ricardo, Martiniano (PT) e Jucélia Nascimento (PTN), recorreram ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) e lá o desembargador Carlos Cintra também avalizou a candidatura.

"Então, recorremos ao TSE e, além disso, entramos com uma ação no Supremo (Tribunal Federal), já que a Lei da Ficha Limpa foi violada", afirmou o advogado de Martiniano, Alcides Bulhões. No último dia 19, o ministro Joaquim Barbosa concedeu liminar suspendendo a decisão da Justiça Eleitoral da Bahia. Decisão que logo depois acabou sendo suspensa. 

"Ele recuou, pois sabia que ia ser cassado", afirmou Bulhões. Segundo o advogado, o tribunal superior recentemente decidiu caso semelhante, a cassação da candidatura de Décio Gomes Góes a prefeito de Balneário Rincão (SC).

Nos bastidores da equipe petista, a aprovação da candidatura de Ricardo Moura pela vara de Valença e pelo TRE-BA é atribuída a razões políticas. O vice do peemedebista, Sinesinho, é filho do desembargador Sinésio Cabral, ex-presidente do próprio tribunal regional.

Na última segunda-feira (1), em conversa com o iG , Ricardo Moura disse que manteria a candidatura. "Vou até o fim. A oposição espalha o boato de que eu vou retirar a candidatura. Isso é desespero dos meus adversários, já que sou o favorito", disse. No entanto, Moura já preparava terreno para o irmão gêmeo. Na sua campanha, Luciano subia no palanque, discursava e participava de compromissos eleitorais.

O iG não conseguiu localizar Ricardo nem Luciano após a troca entre os candidatos. O presidente do PMDB na Bahia, deputado federal Lúcio Vieira Lima, também não foi encontrado, assim como a juíza da 31ª Vara Eleitoral e o desembargador Cintra.

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