Ratinho Jr. minimiza papel do pai na eleição e diz ser alvo de 'política baixa'

Filho de Ratinho diz que endosso do apresentador é 'papel de pai' e afirma que o eleitorado de Curitiba está cansado de 'oligarquias'

Fábio Matos - iG São Paulo | - Atualizada às

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Ratinho Junior, que já passou por PSB e PPS, agora é candidato do PSC à Prefeitura de Curitiba

Aos 31 anos, o empresário Carlos Roberto Massa Junior se transformou no grande personagem da disputa pela Prefeitura de Curitiba (PR) na eleição deste ano, independentemente do resultado das urnas no próximo dia 7 de outubro. Filho do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, do SBT, Ratinho Junior lançou a candidatura a prefeito pelo pequeno PSC e vem causando fortes dores de cabeça nos principais adversários – o atual prefeito e candidato à reeleição, Luciano Ducci (PSB), e o ex-tucano Gustavo Fruet (PDT), que contam com apoios do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e da presidenta Dilma Rousseff (PT), respectivamente.

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Adotando o discurso da “mudança” e dizendo se beneficiar do suposto “cansaço” dos eleitores curitibanos com a polarização entre PT e PSDB e as legendas que naturalmente orbitam em torno desses dois partidos, Ratinho Junior aparece na última pesquisa Ibope, divulgada ontem, com 35% das intenções de voto. Em seguida, Ducci tem 28%, e Fruet, 16%.

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Em conversa com o  iG , o candidato minimizou a afirmação de que seu desempenho decorre exclusivamente da popularidade de Ratinho. “O apoio ( de Ratinho ) a mim é função de pai. Ele me avalizou na TV, disse que sou um dos responsáveis pelo crescimento do grupo dele, no aspecto empresarial, e também vou com ele em passeatas, carreatas... Mas em nenhum momento anunciei que vai ( ao evento ) o apresentador do SBT ou me utilizei disso”, afirma.

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Pai do candidato do PSC, o apresentador Ratinho (centro) participa de comício de campanha: 'função de pai'

Uma das explicações do próprio Ratinho Junior para o bom desempenho eleitoral até aqui é a aposta de sua campanha em conquistar uma parcela mais conservadora do eleitorado. “Eu sempre soube que a nossa candidatura seria competitiva. No início, nós tínhamos uma preocupação, pois estamos enfrentando dois fortes candidatos e duas máquinas poderosas. Nossa preocupação era se sustentar. Mas conseguimos avançar. E tínhamos as pesquisas qualitativas que indicavam que, sobretudo, as pessoas mais conservadoras de Curitiba estavam me conhecendo melhor, vendo que sou pai de família, que tenho valores sólidos”, diz.

“Nós começamos a ganhar essa outra parcela da sociedade que não era nossa. E não era não por não gostar de mim, mas por não me conhecer tão bem. Não sei se ( este fato ) está sendo determinante, mas você ganhar um setor da cidade que tem uma influência nos meios econômicos, nos meios sociais, é importante.”

'Não é fácil enfrentar esses grupos'

Questionado sobre a força das candidaturas de seus dois principais concorrentes, Ducci e Fruet, que contam respectivamente com a máquina da prefeitura e o apoio do governo estadual, Ratinho Junior admite as dificuldades de se lançar candidato por um partido menor, mas demonstra confiança. “Não é fácil enfrentar esses grupos, que são muito musculosos. O que me sustentou até aqui foi uma campanha de muito contato pessoal, mais próxima das pessoas. Fui muito aos bairros, fiz caminhadas”, conta. “Eu me coloquei à frente da campanha. Acho que as pessoas estão cansadas dessas oligarquias e desses conchavos de grupos políticos. Construí minha candidatura de acordo com a minha consciência, sem negociata.”

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Ratinho Junior (PSC) disputa com prefeito Luciano Ducci (PSB) e o ex-tucano Gustavo Fruet (PDT)

Ratinho Junior alega que vem sendo alvo de ataques de seus concorrentes e de uma campanha de difamação cujo objetivo seria desqualificar sua candidatura. Na última semana, um folheto intitulado “Chega de mentiras, o povo quer a verdade” foi distribuído em bairros da periferia de Curitiba com a foto do candidato do PSC e a suposta assinatura da coligação que apoia Ducci. A campanha do atual prefeito negou a autoria do material e defendeu a apuração do caso e a punição criminal dos envolvidos na produção e distribuição dos folhetos. Mesmo assim, Ratinho Junior se diz convencido de que o material foi elaborado por algum de seus adversários.

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“Não tenho dúvida. Eu lamento. É uma política baixa. Tenho feito uma campanha positiva, sem ataques a nenhum candidato, trabalhando e apresentando propostas. Lamento o que aconteceu”, afirma. “Já passamos a denúncia à Polícia Federal e o TRE-PR. Infelizmente, não é o primeiro ( documento desse tipo ). Há um histórico de vários ataques contra mim. Mas já usamos todos os artifícios legais. Eu não vou entrar nesse tipo de política baixa e de desespero.”

Entre as críticas que recebe dos oponentes, estão a inexperiência administrativa - nunca ocupou cargo no Executivo – foi deputado estadual entre 2003 e 2007 e deputado federal de 2007 a 2012, quando se licenciou para concorrer à prefeitura - e o fato de ter mudado várias vezes de partido (trocou o PSB pelo PPS em 2003, e este último pelo PSC em 2007). 

“Saí do PSB porque aqui o partido era uma sublegenda do Cássio Tanigushi ( deputado paranaense condenado em 2010 pelo Supremo Tribunal Federal por improbidade administrativa, mas que não cumpriu pena de prisão porque o crime prescreveu ), que era do PFL, e eu não concordava com isso”, critica. “Nesse meio tempo, fui convidado pelo PSC e aceitei fazer parte de um projeto político. Tanto é verdade que esses dois outros partidos ( PSB e PPS ) são nanicos no Estado, são pequenos, e o nosso está se consolidando como uma das principais forças."


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