'Seria salutar influência de mensalão nas urnas', diz Procurador-Geral

Roberto Gurgel afirmou que ainda é cedo para falar em dosimetria de pena no julgamento que chegou hoje ao núcleo político

Wilson Lima - iG Brasília |

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou em entrevista coletiva no Supremo Tribunal Federal (STF) que seria “salutar” uma influência do julgamento do mensalão no primeiro turno das eleições municipais deste ano, que acontece no próximo domingo (07).

Antes mesmo do início do julgamento, interlocutores do PT tentavam, sem sucesso, travar o andamento do processo para depois das eleições municipais. No entanto, até o momento, apenas os políticos ligados ao PR, PP, PTB e PMDB foram condenados. Os petistas, supostos comandantes do mensalão, estão sendo julgamentos nessa semana pré-eleitoral.

Acompanhe a cobertura completa do iG sobre o escândalo do mensalão

Leia mais: PT planeja resgatar mensalão mineiro em resposta a condenações no STF

Alan Sampaio / iG Brasília
"Eu acho que de uma vez por todas, é preciso que no Brasil a lei possa valer para todos", afirmou o procurador-geral Roberto Gurgel

Roberto Gurgel afirmou que ainda é cedo para falar se haverá ou não repercussão nas urnas. “No dá para prever. Ao meu ver, era bom que houvesse (repercussão negativa), seria salutar”, disse Gurgel. “Se alguém pegar cadeia, deve ir para a cadeia. O que o MP sustenta que a execução das penas eventualmente fixadas devem se fazer logo em seguida à conclusão do julgamento. mas isso é uma tese que será debatida”, complementou o procurador-geral.

“Eu acho que de uma vez por todas, é preciso que no Brasil a lei possa valer para todos. Se o criminoso comum, o criminoso sem colarinho branco vai para a cadeia, é preciso que também o colarinho branco vá para a cadeia, todos são brasileiros igualmente”, concluiu.

Mensalão: Supremo condena 12 de 13 réus e confirma compra de apoio

Julgamento: Para Barbosa, Dirceu 'comandou a empreitada criminosa' do mensalão

Em algumas capitais brasileiras, alguns candidatos já sofrem a influência negativa do julgamento do mensalão. Em Curitiba, o pedetista Gustavo Fruet , é apenas o terceiro nas pesquisas de intenções de voto apesar de ter sido um dos relatores da CPMI dos Correios. Na capital paranaense, adversários do pedetista exploram a “mudança de postura” do ex-deputado federal: de investigador à “parceiro de envolvidos no escândalo do mensalão”.

Especial iG: Saiba tudo sobre as eleições municipais de 2012

Em São Paulo, o candidato a prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), exibiu na propaganda eleitoral gratuita peças em que o seu adversário, Fernando Haddad , aparece ao lado de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT), José Dirceu e João Paulo Cunha, único político até agora condenado por envolvimento com o mensalão. Em Fortaleza (CE), as menções ao mensalão tomaram conta do debate entre os candidatos Elmano de Freitas (PT), Roberto Cláudio (PSB) e Marcos Cals (PSDB).

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG