Suposta compra de apoio de partido nanico por Paes domina debate na TV

Adversários do prefeito do Rio acusam candidato de ter obtido adesão com base no poder econômico

Raphael Gomide - iG Rio de Janeiro |

Na última semana antes da eleição, a acusação de que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), teria se comprometido a pagar R$ 1 milhão em troca do apoio do partido nanico PTN, foi o principal tema do debate da TV Record, na noite desta segunda-feira (1).

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O prefeito, líder das intenções de voto com 55%, ficou boa parte de tempo ouvindo os adversários Marcelo Freixo (17%) e Rodrigo Maia (4%) o atacando a respeito do tema.

Logo na abertura, Maia anunciou que trataria do assunto. "No sábado colocaram lama no pé do prefeito e hoje a lama chegou à cintura", disse.

Freixo leu trecho de vídeo divulgado pela revista Veja em que o presidente do PTN, Jorge Esch, explica a correligionários por que teria desistido de lançar candidatura própria à prefeitura (em troca de R$ 200 mil mais o pagamento de uma suposta dívida pessoal e outros benefícios de campanha para vereadores).

Paes pediu e teve concedido direito de resposta. "É lamentável que participemos de um debate com esse tema. Esse cidadão fala de uma indenização como membro de conselho da Rio Luz do ex-prefeito, e diz que ao receber a indenização, me apoiaria se recebesse isso. O pedido dele foi negado, ele não recebeu. Minha aliança é limpa, não com esse encrenqueiro", disse. A aliança política de Paes foi descrita como "latifúndio partidário".

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"Isso não me parece aliança política, mas negócio que precisa ser investigado. Precisa ser investigado se aconteceu só com esse partido ou com os outros 19. Tudo é para evitar o segundo turno", afirmou "É uma declaração assustadora. O presidente do partido disse que não foi o único. Tem outros? É um mentiroso? Se é, tem de explicar como chama um mentiroso para governar. Se não é, houve crime. Por isso entramos com representação (ao MP eleitoral) para que a verdade venha à tona", afirmou Freixo.

"Agora vemos o que acontece no Rio desde 2006. Esta é a operação, um possível esquema de compra de partidos", disse Maia.

Até Otavio Leite e Aspásia, candidatos com menores percentuais de intenção de voto em pesquisas, criticaram o prefeito. Otávio disse que também entrou com representação para investigar o caso. Aspásia definiu a situação como de "toma-lá-dá-cá".

"Não acredito que 19 partidos possam ajudar nenhum prefeito a governar. Já vimos o que ocorreu em Brasília (referência ao Mensalão)", afirmou.

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Acuado, Eduardo Paes chegou a reclamar, em suas considerações finais. "Nos poucos momentos em que a gente consegue discutir alguma coisa..."

Depois, gargalhou durante as considerações finais de Rodrigo Maia, que se desconcentrou na resposta e protestou também.

Em outros assuntos, como Saúde - descrita como "calamitosa" e "dramática" - e Educação, o prefeito foi também o principal alvo de críticas dos rivais.

Paes procurou usar o tempo de suas perguntas e respostas para louvar as políticas adotadas por sua gestão. Também citou as Olimpíadas de 2016 como um fator fomentador de ações positivas da prefeitura, citando como exemplos a implantação da TransOeste e do Centro de Operações Rio, que monitora a cidade a partir de câmeras.

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