Adversários do prefeito do Rio acusam candidato de ter obtido adesão com base no poder econômico

Na última semana antes da eleição, a acusação de que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), teria se comprometido a pagar R$ 1 milhão em troca do apoio do partido nanico PTN, foi o principal tema do debate da TV Record, na noite desta segunda-feira (1).

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O prefeito, líder das intenções de voto com 55%, ficou boa parte de tempo ouvindo os adversários Marcelo Freixo (17%) e Rodrigo Maia (4%) o atacando a respeito do tema.

Logo na abertura, Maia anunciou que trataria do assunto. "No sábado colocaram lama no pé do prefeito e hoje a lama chegou à cintura", disse.

Freixo leu trecho de vídeo divulgado pela revista Veja em que o presidente do PTN, Jorge Esch, explica a correligionários por que teria desistido de lançar candidatura própria à prefeitura (em troca de R$ 200 mil mais o pagamento de uma suposta dívida pessoal e outros benefícios de campanha para vereadores).

Paes pediu e teve concedido direito de resposta. "É lamentável que participemos de um debate com esse tema. Esse cidadão fala de uma indenização como membro de conselho da Rio Luz do ex-prefeito, e diz que ao receber a indenização, me apoiaria se recebesse isso. O pedido dele foi negado, ele não recebeu. Minha aliança é limpa, não com esse encrenqueiro", disse. A aliança política de Paes foi descrita como "latifúndio partidário".

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"Isso não me parece aliança política, mas negócio que precisa ser investigado. Precisa ser investigado se aconteceu só com esse partido ou com os outros 19. Tudo é para evitar o segundo turno", afirmou "É uma declaração assustadora. O presidente do partido disse que não foi o único. Tem outros? É um mentiroso? Se é, tem de explicar como chama um mentiroso para governar. Se não é, houve crime. Por isso entramos com representação (ao MP eleitoral) para que a verdade venha à tona", afirmou Freixo.

"Agora vemos o que acontece no Rio desde 2006. Esta é a operação, um possível esquema de compra de partidos", disse Maia.

Até Otavio Leite e Aspásia, candidatos com menores percentuais de intenção de voto em pesquisas, criticaram o prefeito. Otávio disse que também entrou com representação para investigar o caso. Aspásia definiu a situação como de "toma-lá-dá-cá".

"Não acredito que 19 partidos possam ajudar nenhum prefeito a governar. Já vimos o que ocorreu em Brasília (referência ao Mensalão)", afirmou.

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Acuado, Eduardo Paes chegou a reclamar, em suas considerações finais. "Nos poucos momentos em que a gente consegue discutir alguma coisa..."

Depois, gargalhou durante as considerações finais de Rodrigo Maia, que se desconcentrou na resposta e protestou também.

Em outros assuntos, como Saúde - descrita como "calamitosa" e "dramática" - e Educação, o prefeito foi também o principal alvo de críticas dos rivais.

Paes procurou usar o tempo de suas perguntas e respostas para louvar as políticas adotadas por sua gestão. Também citou as Olimpíadas de 2016 como um fator fomentador de ações positivas da prefeitura, citando como exemplos a implantação da TransOeste e do Centro de Operações Rio, que monitora a cidade a partir de câmeras.

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