Dilma em ato pró-Haddad: 'Meter o bico em São Paulo significa muito para mim'

Discurso da presidenta fez referência direta às críticas de Serra sobre sua participação na disputa da capital paulista; é a primeira vez que ela sobe em um palanque nesta eleição

Fábio Matos - iG São Paulo |

A seis dias do primeiro turno da eleição em São Paulo, a presidenta Dilma Rousseff subiu nesta segunda-feira (1º) no palanque do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad , numa tentativa de levar o petista ao segundo turno na reta final da campanha. Recentes pesquisas mostram Haddad tecnicamente empatado em segundo lugar com o adversário tucano José Serra . Esta é a primeira vez que Dilma participa de um comício nesta eleição.

O evento aconteceu na zona leste de São Paulo e contou com a presença de várias lideranças petistas, entre elas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , a ministra da Cultura, Marta Suplicy, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Também estiveram presentes o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), parlamentares petistas e até o ex-ministro do Esporte e candidato a vereador pelo PCdoB em São Paulo Orlando Silva Júnior e o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez.

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Em seu discurso, Dilma fez uma referência direta às críticas de Serra, mas sem citar o nome do tucano. "Quem vai governar essa cidade é muito importante para a presidenta do Brasil. Eu estou aqui hoje metendo o bico nesta eleição porque para o Brasil São Paulo é um fato, um acontecimento. Não tem como dirigir o Brasil sem meter o bico em São Paulo", afirmou. O candidato do PSDB criticou recentemente a presidenta por “meter o bico” na eleição paulistana.

Segundo Dilma, São Paulo é uma cidade importante para qualquer presidente da República, o que justificaria sua presença no palanque de Haddad na capital paulista. "Eu vim aqui hoje porque meter o bico na eleição em São Paulo significa muito para mim. Eu morei aqui perto, ali na Celso Garcia, depois conheci a luta contra a ditadura pelo direito de cada um dos brasileiros de meter o bico em todos os assuntos. Eu estive presa no Presídio Tiradentes. São Paulo é a cidade à qual eu devo respeito e gratidão por ter me protegido e acolhido", continuou a presidenta ao lado de Haddad e Lula.

Divlugação
Dilma participa de comício pró-Haddad ao lado de Lula e Marta a seis dias da eleição

Haddad falou logo após Dilma e também usou a expressão "meter o bico" para atacar Serra. "Depois que eu vi a Dilma falar de meter o bico em São Paulo, se eu fosse um certo candidato, eu ficava de bico fechado", afirmou.

Ovacionado pela militância petista, o ex-presidente Lula foi o último a discursar e disse que Dilma é “extraordinária” por vir “meter o bico em São Paulo”. “Mas ele não é bico de tucano, não é predador, não é para matar ninguém, é para conversar com o povo da zona leste”, afirmou.

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Defesa de Lula

Embora o mensalão, escândalo que marcou o primeiro mandato de Lula na Presidência da República, não tenha sido citado diretamente, Dilma e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, aproveitaram o evento para fazer uma espécie de desagravo a Lula, defendendo seu governo e seu legado.

"Eu fico mais feliz ainda quando estou com Lula porque se tem um homem neste País que fez a diferença, esse homem é Luiz Inácio Lula da Silva", afirmou Dilma. “Há muita gente que tenta mudar essa situação e ninguém vai tirar de nós essa herança bendita que o Lula nos deixou. Ninguém nos fará esquecer isso", afirmou.

Em sua fala, Mercadante também defendeu o ex-presidente. "Tem muita gente nos atacando, principalmente atacando o PT. Seguramente, nós cometemos erros na nossa história, mas o que o Lula fez por este País é muito maior do que os erros e as pessoas sempre vão lembrar", disse.

Além de defender Lula, Dilma pediu votos para Haddad, a quem chamou de “realizador de sonhos”. Na sequência, o ex-ministro da Educação pediu aos militantes petistas que se esforcem nesta reta final da campanha para obter votos dos eleitores indecisos. “Nosso papel é usar bem o tempo que nos resta para conversar com o vizinho, o nosso colega do trabalho, a nossa família e, sobretudo, com as pessoas que estão indecisas”, apontou Haddad. “Nós precisamos voltar a governar São Paulo. Estamos há dez anos governando o Brasil."

A ex-prefeita Marta Suplicy, que acabou preterida pelo PT na disputa interna com Haddad pela indicação do partido à prefeitura, disse ter muita confiança na vitória do candidato. “Eu fui uma boa prefeita, mas agora a gente tem a chance de ter um prefeito ainda melhor. Ele tem programa, que os outros não têm. Ele tem um partido muito forte, que os outros não têm. E tem o apoio duas pessoas maravilhosas, o Lula e a Dilma”, citou. “Vocês acham que tem alguma chance de o nosso candidato não emplacar? Não tem.”

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