Candidato do PT em Fortaleza critica Cid e culpa Ciro por rompimento com PSB

Ao iG, Elmano de Freitas defende a prefeita Luizianne Lins e chama de incoerentes os ex-aliados que passaram a criticar gestão da petista

Daniel Aderaldo - iG Ceará |

Diante do acirramento da disputa pela Prefeitura de Fortaleza, o candidato do PT Elmano de Freitas ataca aliados de outrora e atuais adversários, em entrevista exclusiva ao iG . O petista critica a gestão do governador do Ceará Cid Gomes (PSB) e culpa o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) pelo rompimento entre os dois partidos na capital cearense nesta eleição. “Infelizmente, essa posição do Ciro se sobrepôs a uma posição que vinha sendo construída pelo governador de manter uma aliança do PSB com o PT. Lamento, mas a vida segue”, afirmou.

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O petista lembra ainda que, em 2008, quando a prefeita Luizianne Lins (PT) foi reeleita no primeiro turno com apoio de Cid, Ciro ficou ao lado da ex-mulher, a deputada estadual Patrícia Saboya, então candidata pelo PDT. “É de conhecimento público que ele tem aqui no Ceará uma relação atritada com o PT.”

Elmano era secretário de Educação do governo da prefeita Luizianne Lins (PT) e, segundo as pesquisas, ele aparece em empate técnico com  Roberto Cláudio (PSB), candidato apoiado pelos irmãos Gomes, e Moroni Torgan (DEM). Ante a polarização das candidaturas das máquinas, o petista sai da defensiva e mira Cid. “Ele priorizou uma política. Política de segurança. E o resultado é o oposto do que nós queríamos. Aumentou a insegurança”, dispara.

Elmano classifica como “incoerência” a postura dos partidos que integraram o governo nos dois mandatos de Luizianne e passaram a criticar a gestão da petista após lançarem candidatura própria. “Eu acho que o eleitor está percebendo que não é possível a pessoa fazer parte de um governo por sete anos e quatro meses e aí, agora, quando chega o processo eleitoral, ele descobre que tem um monte de problemas na cidade.”

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A aliança entre PSB e PT no Ceará começou em 2004, quando os socialistas apoiaram a candidatura desacreditada de Luizianne. Em 2008, as bodas foram renovadas com a reeleição da prefeita. Nesse meio tempo, em 2006, o PSB se beneficiou com a vitória de Cid Gomes e, em 2010, com sua reeleição folgada logo no primeiro turno – sempre com o apoio do PT.

Ao mesmo tempo em que chama de incoerentes os ex-aliados e critica Cid, o candidato petista se diz à vontade com a permanência do PT no governo do Estado ocupando três pastas e defende a manutenção da aliança em nível estadual. “Nós, como aliados, temos avaliações críticas sobre determinadas políticas e achamos que têm políticas que caminham bem. Não tem sentido porque tivemos um rompimento em Fortaleza virar oposição. Seria incoerente da nossa parte. Eu considero que nós temos que fazer essa avaliação depois da eleição”.

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Se por um lado os petistas têm de lidar com os novos adversários, por outro, o partido fez concessões e se uniu a antigos opositores. Caso do ex-governador Lúcio Alcântara (PR), que indicou para vice na chapa do petista o médico e antropólogo Antônio Mourão, conhecido intelectual crítico da gestão petista, até então. No entanto, Elmano não vê problemas nessa movimentação. “O Lúcio não é uma pessoa de construção política alinhada a todos os momentos da sua vida com setores conservadores. Ele já esteve aliado com setores conservadores e já esteve aliado com o PT. Então, isso vai mudando de acordo com a conjuntura que vai sendo posta a cada momento político”, argumentou.

Sobre seu vice, admite: “O Mourão era vítima de uma coisa que muitas pessoas são: desconhecimento do que o governo tem feito. Havia questões do governo que ele criticava que nós do governo não conseguíamos comunicar bem”.

Erros e acertos de Luizianne

Perguntado sobre que nota daria para sua madrinha política Luizianne, Elmano deixa a modéstia para a prefeita e abona a nota máxima 10, “diante das dificuldades que ela teve”. Luizianne termina seu segundo mandato uma avaliação de 34% de ruim ou péssimo. No início da campanha, antes da propaganda eleitoral, esse índice era de 42%.

Para Elmano, um dado negativo relacionado ao principal erro do governo. “Nós não conseguimos comunicar a tempo o que estávamos fazendo. Tem muita gente, até do PT, que não sabe o que o nosso governo fez.”

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E o maior acerto? “A coisa mais acertada da prefeita Luizianne é priorizar as pessoas mais simples de Fortaleza. As pessoas mais humildes. Isso se estende nas diversas áreas de governo. É habitação para o povo pobre que mora em área de risco. É melhorar a merenda escolar, o fardamento, valorizar professor para melhorar a escola pública. É fazer contratação de médicos, de enfermeiros, fazer plano de cargos e carreiras para esses servidores. É colocar drenagem nos bairros da periferia que não tinham.”

Presença de Lula

Presença em quase toda propaganda de Elmano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é aguardado para um comício em Fortaleza, embora o candidato avalie que o principal seja a participação do líder petista nos programas de televisão e rádio.

“Está claro para o povo de Fortaleza que o PT, o Lula, Dilma e Luizianne têm um candidato em Fortaleza e se chama Elmano de Freitas. Porque se a gente for falar em questão de comício, nós vamos reunir um grupo grande de pessoas, mas um milhão e seiscentas mil pessoas não vão estar lá. Se um milhão e seiscentas mil pessoas sabem que o Lula têm um candidato, é pelo programa eleitoral de televisão e rádio”, sustenta.

Duda Mendonça e o mensalão

Elmano tem ao seu lado o publicitário Duda Mendonça, réu no mensalão, mas minimiza o impacto da participação do publicitário na sua campanha. “O Duda Mendonça é acusado de algo que já ocorreu há dez anos. Aí, o sujeito é publicitário. Ele está proibido de trabalhar? Acho que não. Ele é um bom publicitário e eu o contratei como consultor”, disse.

“As coisas sendo corretas, sendo sérias, sendo transparentes, está tranquilo. O Duda tem milhares de campanhas na sua história. Não tem nenhum problema essas outras campanhas. Tem uma campanha que ele responde a uma situação fática. Então, eu não vou condenar o Duda a não poder trabalhar”, completa.

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