Até animais têm secretarias nas prefeituras brasileiras

São Paulo e Porto Alegre têm as maiores máquinas do País; especialistas em gestão pública dizem que prefeitos incham secretarias de governo

Rafael Abrantes - Brasil Econômico |

Secretaria Especial de Articulação para a Copa do Mundo; de Assuntos Federativos; ou Especial dos Direitos dos Animais. Estes são alguns exemplos de órgãos municipais criados nas dez maiores capitais do País nos últimos quatro anos. Os nomes no organograma das prefeituras são os mais variados e curiosos, assim como a quantidade de secretários empossados na administração destes municípios.

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Agência Estado
Gilberto Kassab tem sob suas ordens a maior equipe de secretários do País


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Em época de promessas e mudanças eleitorais, os números instigam especialistas a debater quais as necessidades e os interesses políticos de prefeitos para o lançamento de novos órgãos, temas e cargos dentro dos seus governos — e o chamado ‘inchaço’ da máquina pública. Maior cidade do País, São Paulo é, ao lado de Porto Alegre, a capital com a maior equipe de secretários sob as ordens do prefeito Gilberto Kassab (PSD), 27.

Desde que assumiu o gabinete, em 2006, o prefeito chegou a criar oito novas secretarias municipais. Um dos casos que chamou atenção na gestão foi o do tucano Walter Feldman, que tornou-se secretário de Grandes Eventos por seis meses. Sua missão: acompanhar as obras das Olimpíadas de 2012, despachando direto de Londres.

A capital gaúcha se iguala a capital paulista. Algumas pastas tem os mesmos nomes, como Secretaria de Gestão e Acompanhamento Estratégicos e Gabinete de Planejamento Estratégico.

Atual prefeito e candidato à reeleição, José Fortunati (PDT) criou em 2011 a Secretaria Especial dos Direitos dos Animais (SEDA). Segundo dados da prefeitura gaúcha, a SEDA tem hoje orçamento superior ao da SECOPA (Secretaria Extraordinária da Copa de 2014), com R$ 3,8 milhões.

As diferenças de foco entre as prefeituras, contudo, são maiores quando comparamos Rio de Janeiro, com 24 secretarias, e Salvador, com 10. A capital baiana tem o menor número de secretários vinculados à prefeitura. O segredo do ‘desinchaço’ é a união de áreas distintas em apenas um órgão, como Educação, Cultura e Esporte, ou Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente.

“O número (de secretários) depende muito da complexidade da cidade. Às vezes, (uma prefeitura) tem menos secretaria, mas tem mais empresas públicas”, afirmou ao BRASIL ECONÔMICO o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). A capital mineira conta com 21 secretarias atualmente.

Questões partidárias, como a adesão de aliados políticos do prefeito dentro do governo municipal, também são “um lado da moeda” na criação de novos órgãos, ressalta a coordenadora de Pós-Graduação em Gestão Pública da Escola de Sociologia e Política, Cecília de Almeida. “Infelizmente, prefeitos usam as secretarias como moeda de troca por apoio político”, concorda o cientista político Aldo Fornazieri.

Para Humberto Dantas, cientista político do Insper, “quanto maior a base de apoio de um prefeito pós-eleições, maiores as justificativas para a criação de novos órgãos no governo”. Segundo ele, é “muito pouco provável” que vejamos um enxugamento de governos a partir do ano que vem.

“O número de secretarias não é um problema ou solução”, observa Cecília. “Novos órgãos também podem ajudar a priorizar uma agenda pública ou articular um determinado setor”.

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