Kassab acusa PT de 'explorar tragédia' em favela

Campanha do candidato Fernando Haddad gravou cenas na Favela do Moinho após confronto entre moradores e guarda civil que deixou nove pessoas feridas

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Um dia após o confronto entre a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e moradores da Favela do Moinho, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) acusou o PT de "explorar eleitoralmente a tragédia" e disse que a ação do partido é uma "tentativa de tumultuar". O prefeito também negou que a GCM tenha sido truculenta. O conflito deixou nove pessoas feridas: três guardas e seis moradores, um deles baleado na perna.

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Prefeito Gilberto Kassab (PSD) acusou PT de "explorar eleitoralmente a tragédia" e disse que a ação do partido é uma "tentativa de tumultuar"

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"Estão usando as pessoas simples, com dificuldades na vida, para que com essa utilização haja exploração eleitoral. O PT à frente", disse Kassab, durante evento no Anhembi. O prefeito afirmou ainda que o tráfico e o PT impedem a ação do poder público na favela. E criticou a atuação do senador Eduardo Suplicy (PT), que foi ao local. "No primeiro incêndio ( em dezembro ), ele fez de tudo para que os moradores continuassem debaixo do viaduto, todos sabem, tanto é que continuaram."

Kassab ressaltou ter distribuído bolsa-aluguel para os desabrigados da favela e defendeu a ação da Guarda Civil Metropolitana. "A GCM não atira com bala de borracha", disse, questionado os relatos de moradores que dizem ter sido agredidos.

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Os moradores do Moinho negam o viés político e dizem que não foram atendidos pela Prefeitura. "Em nove meses (desde o primeiro incêndio), eles (os agentes públicos) não fizeram nada, tanto que tem gente que mora em barraca improvisada", afirmou a líder comunitária Alessandra Moja Cunha, de 28 anos.

Procurado, o senador Suplicy disse que foi ao local em dezembro e voltou anteontem a convite dos moradores. E diz ter visto pelo menos sete atingidos por balas de borracha. "Tentar me transformar em responsável pelos abusos das autoridades é virar coisas de cabeça para baixo."

Propaganda

O candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad , gravou cenas para a propaganda eleitoral de TV na Favela do Moinho, que foram exibidas na sexta-feira (21). A campanha de Haddad diz que ele esteve na favela, na quarta de manhã, para prestar solidariedade às famílias. "A gravação foi feita porque a Favela do Moinho é um exemplo da ausência de política habitacional do prefeito Gilberto Kassab", disse o vereador José Américo Dias, coordenador de Comunicação de Haddad. "A política habitacional da Prefeitura, hoje, é o bolsa-aluguel."

Dias rebateu Kassab e ressaltou que ele "fala absurdos" quando sustenta que o PT quer fazer uso político da tragédia. "O problema do Kassab é a resistência que ele tem ao programa Minha Casa, Minha Vida para até 3 salários." O presidente do PT municipal, Antonio Donato, afirmou, em nota, que ao acusar o partido de exploração política, Kassab tenta "encobrir a maneira covarde como sua guarda vem tratando a população mais pobre".

Gabriela Bilo/Futura Press
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