Haddad defende julgamento do 'mensalão do PSDB'

Em entrevista, candidato petista à Prefeitura de São Paulo, afirma que Justiça deve ir "até o fim" em todos os casos e não apenas em relação ao seu partido

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O candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad , afirmou neste sábado (22) que o julgamento do Mensalão , que está ocorrendo no Supremo Tribunal Federal (STF), constrange a toda a classe política e que espera que aconteça punição a quem errou, mas que a Justiça deve ir até o fim em todos os casos e não apenas em relação ao PT. "O mensalão do PSDB é muito anterior, é de 1998", afirmou em entrevista ao jornal SPTV, da Rede Globo, em referência ao chamado "mensalão mineiro". Segundo Haddad, há um risco de prescrição desses crimes em função da data em que eles foram cometidos.

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Para Haddad, "desde que todos sejam julgados, garantindo o amplo direito de defesa e punidos de acordo com o que fizeram", as instituições brasileiras sairão fortalecidas. "Agora, se a Justiça se fizer para uns e não para outros, penso que a democracia vai sair enfraquecida", afirmou. Haddad insistiu que o esquema operado pelo empresário Marcos Valério começou em Minas Gerais, durante a gestão tucana no governo daquele Estado, e que esse caso também deveria estar sendo julgado. "Nós não podemos seguir o princípio: aos inimigos, a lei, e aos amigos, tudo. Vamos colocar o País a limpo", afirmou.

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O candidato também comentou declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o Mensalão não existiu. "O presidente Lula está fazendo referência a um aspecto, que é a questão da coalização da base aliada. Na visão dele, não é razoável imaginar que um parlamentar do PT precisasse receber recursos para votar junto com o governo".

"Solidariedade"

Mesmo ao responder sobre os problemas com as provas do Enem quando ele comandava a pasta da Educação, Haddad não deixou de provocar o PSDB e o candidato à Prefeitura José Serra . Ao lembrar que, no caso do vazamento da prova do Enem em 2009, o ministério da Educação foi vítima de um crime e que o criminoso foi identificado, julgado e punido com cinco anos de cadeia, ele provocou: "Eu gostaria que a oposição, ao invés de criticar, se solidarizasse comigo. Imagine, na cratera do Metrô, se fosse identificado um sabotador? Nós iríamos nos solidarizar com o José Serra, que era o governador à época", disse, lembrando do acidente que matou sete pessoas em 2007. "Mas que aconteceu lá foi um erro, foi homicídio culposo", disse Haddad.

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Também ao falar sobre suas propostas para o transporte, sobraram farpas contra o candidato do PSDB. "A administração Serra/ ( Gilberto ) Kassab abandonou o transporte público e mesmo o Metrô está parado. Faz três anos que não tem um 'tatuzão' escavando o subsolo de São Paulo", disse o candidato do PT, completando que a linha 5 continua parada e que a linha 6 sequer foi licitada. "Eles (a campanha de Serra) ficam anunciando planos de papel que não saem e que não são entregues."

Haddad respondeu ainda a críticas de que a gestão de Marta Suplicy à frente da prefeitura - da qual foi secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico - não investiu um centavo em obras do Metrô. "Fomos ao governo do Estado e oferecemos recursos da Operação Faria Lima em troca de algumas estações. E o governo recusou a oferta. Não queremos repassar recursos para o Metrô para aplicar no mercado financeiro", criticou mais uma vez. Segundo Haddad, dinheiro novo precisa de um novo cronograma de obras. "Não dá para ter esse ritmo tucano de entregar obras", cutucou mais uma vez.

Divulgação
O candidato pestista Fernando Haddad participou de comício na região de Brasilândia neste sábado (22), onde criticou o líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB)

Russomanno

O candidato também aumentou o tom das críticas contra o líder das pesquisas, Celso Russomanno (PRB). "Ele (Russomanno) não fala que não tem partido, que não faz proposta, que não tem padrinho, não tem apoio, não tem nada", vociferou Haddad, em comício na Vila Brasilândia, periferia da zona norte. "É um candidato muito engraçado. Parece aquela casa do Vinícius de Moraes, não tinha teto, não tinha nada."

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Mas tarde, em outro comício, no bairro de Jaçanã (zona norte), Haddad voltou a apontar supostas debilidades do adversário: "O Russomanno é boa pessoa, quis resolver o problema da máquina de lavar, a falta de garantia. Acho bacana o cara ir até a TV e dizer 'rachou a parede, a privada não tá funcionando'. Tudo bem. Mas pra governar São Paulo precisa de um pouquinho mais do que isso. Porque não é o direito do consumidor. É o direito do cidadão."

O petista acrescentou: "E tem uma pequena diferença entre o consumidor e o cidadão: o programa que ele não tem e o programa que nós apresentamos a vocês. Se ele tivesse respeito pelo cidadão, já teria apresentado o plano de governo dele. Não queremos uma pessoa que entre lá e fique com uma câmera na mão no posto de saúde para filmar a desgraça humana. Nós queremos uma pessoa que gerencie os problemas de São Paulo."

O candidato do PT também criticou uma proposta de Russomanno de cobrar do cidadão pelo uso do ônibus de acordo com a distância percorrida. "Sou capaz de apostar que não é por mal", afirmou. "Não é para favorecer o rico e prejudicar o pobre. É porque a pessoa não tem noção da coisa. Não conhece a administração pública." Haddad usou mais uma vez contra o tucano José Serra o fato de ele ter deixado seu mandato de prefeito antes da metade. "O Serra quer voltar a ser prefeito, não sabemos por mais quanto tempo. Provavelmente por mais um ano", disse

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