Advogados sem grife desbancam figurões no julgamento do mensalão

Enquanto nomes como o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos saem derrotados do julgamento, advogado de Geiza Dias, inocentada, corre risco de não receber

Wilson Lima - iG Brasília |

Após 25 sessões de julgamento do mensalão, os advogados que conseguiram alguma vitória no Supremo Tribunal Federal (STF) não necessariamente são aqueles com honorários milionários. Muito pelo contrário. Dos três únicos defensores que conseguiram alguma vitória, dois não receberam até o momento um centavo para livrar seus clientes da prisão. Do outro lado, os advogados mais caros, aqueles com honorários que chegam a R$ 15 milhões, são os maiores derrotados na primeira fase do julgamento

Especial: Confira a cobertura completa do iG sobre o escândalo do mensalão

A primeira vitória de um réu do mensalão ocorreu na primeira fase do julgamento, quando o argentino Carlos Alberto Quaglia teve seu processo desmembrado do Supremo e a ação contra ele voltou para a Justiça Federal de primeira instância. Quaglia foi acusado pelo Ministério Público pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro e, segundo a Procuradoria-Geral da República, teria recebido recursos por meio de sua empresa, das agências do publicitário Marcos Valério, para repassar a parlamentares do PP no esquema do mensalão.

O argentino era defendido pelo defensor público geral da União Haman Tabosa de Moraes e Córdova. Na defesa de Quaglia, Córdova afirmou que o STF cometeu um erro procedimental que impediu Quaglia de exercer a sua defesa. Os ministros admitiram o erro e remeteram o processo à primeira instância.

Discursos: Advogados usam tom emocionam e citam Carminha e Chico Buarque

Leia também: Thomaz Bastos sofre primeira derrota e atrasa julgamento do mensalão

Agência STF
Paulo Sérgio Abreu e Silva, defensor de Geiza, é um dos poucos vitoriosos até agora no julgamento


O outro advogado que conseguiu alguma vitória no STF foi o ex-promotor de Justiça de Minas Gerais, Paulo Sérgio Abreu e Silva, defensor de Geiza Dias. Silva ficou conhecido por ter chamado sua cliente de “funcionária mequetrefe”. Geiza era gerente financeira da empresa de publicidade SMP&B Comunicação e foi acusada de gerir a arrecadação de recursos de Marcos Valério. Os ministros, no entanto, concordaram com a tese da defesa de que ela era uma mera “batedora de cheques”. Segundo o advogado, a expressão “funcionária mequetrefe” foi a menos depreciativa possível diante da função irrelevante de Geiza na estrutura da SMP&B.

Hoje, Geiza Dias é funcionária administrativa em uma empresa privada de Goiás e, mesmo quando estourou o escândalo, recebia em torno de R$ 1,1 mil. O iG apurou que ela não tinha condições de pagar advogados e a própria SMP&B contratou Silva para fazer a defesa da cliente. No entanto, a empresa faliu e o iG apurou junto a advogados próximos que o defensor manteve-se à frente do caso sem saber ao certo se receberá pelos honorários. Procurado pelo iG , Silva evitou comentar no assunto.

Perfil: Thomaz Bastos, um advogado acima de qualquer suspeita

Agência Estado
O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos: honorários milionários

O outra ré inocentada foi Ayanna Tenório, defendida pelo criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. Mas Mariz integra um dos maiores escritórios de advocacia de São Paulo e é considerado uma referência em direito penal. Para ter feito a defesa de Tenório, Mariz cobrou em torno de R$ 500 mil conforme o iG levantou junto a fontes próximas.

Milionários

Do outro lado, os advogados mais famosos do julgamento têm amargado grandes derrotas. O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos teria recebido entre R$ 5 milhões e R$ 15 milhões para defender o ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado, conforme fontes ligadas a ele. Salgado foi condenado pelo crime de gestão fraudulenta, cuja pena prevista varia de três a 12 anos de prisão, e lavagem de dinheiro, também passível de pena entre três a 12 anos de prisão. Mesmo que ele não seja mais condenado, Salgado cumprirá pelo menos seis anos de prisão, em regime semiaberto, conforme determina o Código Penal Brasileiro.

O mesmo vale para outros integrantes do Banco Rural, como Kátia Rabelo, defendida pelo também ex-ministro da Justiça José Carlos Dias. O honorário cobrado pelo escritório Dias para esse caso gira em torno de R$ 2 milhões, apurou o iG . Kátia também já foi condenada pelos crimes de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG