Relator do mensalão analisa acusações contra parlamentares do PTB e do PMDB

Subfatiamento do item 6 da denúncia pode atrasar leitura das acusações de corrupção ativa; Lewandowski deve começar a dar seu voto hoje

iG São Paulo | - Atualizada às

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, relator do julgamento do mensalão , concluirá a leitura de seu voto nesta quinta-feira referente aos réus ligados ao PTB, juntamente às considerações envolvendo o PMDB. Até agora, Barbosa deu pareceres sobre as acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha envolvendo os réus ligados ao PP e ao PL, atual PR.

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Quanto aos acusados do PTB, falta Barbosa se pronunciar em relação à acusação de lavagem de dinheiro. Ele deve iniciar e concluir também a sua análise sobre a denúncia que pesa contra José Borba, ex-deputado e ex-líder do PMDB. Ele teria recebido pagamentos na ordem dos R$ 2,1 milhões de Marcos Valério para articular o apoio de seu partido aos projetos do PT, segundo a Procuradoria Geral da República.

Agência Estado
Joaquim Barbosa concluirá seu voto sobre parte do item 6 da denúncia, referente ao núcleo político


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Na quarta-feira foi confirmada uma subdivisão no capítulo 6 da denúncia , que trata sobre compra de apoio no Congresso Nacional entre 2003 e 2004. O sufatiamento do capítulo pode atrasar em alguns dias a análise das acusações de corrupção ativa que envolvem o núcleo político.

Inicialmente, o relator havia programado continuar seu voto falando sobre os dez acusados do crime de corrupção ativa, mas ele achou melhor dar uma pausa e abrir a votação dos itens já analisados por ele, ontem e hoje, aos demais ministros. A subdivisão foi acertada na quarta-feira, em uma ligação telefônica do relator para o revisor do processo, Ricardo Lewandowski.

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Nas contas de Barbosa, seu voto termina hoje, na primeira metade da sessão, e o revisor poderá votar em seguida. Lewandowski, por sua vez, calcula que terminará a sua análise na próxima quarta-feira, 26 de setembro, permitindo aos demais ministros encerrar esta etapa até o final da próxima semana.

O julgamento dos crimes de corrupção ativa, que envolve a cúpula do PT, começaria, segundo essas previsões, no dia 1º de outubro, semana do primeiro turno das eleições municipais. Ambos os ministros, o relator e o revisor, afirmaram desconsiderar as críticas de politização do julgamento devido à coincidência de datas. Segundo Barbosa, a única motivação da subdivisão do capítulo em análise é o cansaço, pois ele faz a leitura ininterrupta de seu voto desde a última segunda-feira.

Na quarta-feira, B arbosa afirmou que o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e o ex-deputado e delator do mensalão, Roberto Jefferson, assim como outros integrantes da cúpula do antigo PL e do PTB cometeram crime de corrupção passiva no esquema . Advertindo que formalizará seu posicionamento mais adiante, o ministro disse que houve também prática de crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha por parte de Costa Neto. O deputado, segundo ele, teria recebido mais de R$ 10 milhões do PT para repassar ao seu partido, e Jefferson mais de R$ 4 milhões para o PTB .

O relator estendeu a afirmação de que houve prática de corrupção passiva por parte do então vice-presidente do PL, Bispo Rodrigues, que, segundo ele, praticou ainda o crime de lavagem de dinheiro. Jacinto Lamas, na época tesoureiro do PL, também praticou corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha para Barbosa. O ministro apontou ainda a prática de corrupção por parte do ex-deputado do PTB Romeu Queiroz e do ex-secretário do partido Emerson Palmieri.

Com Agência Brasil

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