Homem que delatou o mensalão, Jefferson sofre primeiro revés no STF

Barbosa, o ministro relator, disse em seu voto que ex-deputado ‘recebeu, sim, uma soma elevada, em espécie, em seu gabinete, paga pelo PT’ em troca de apoio

Wilson Lima - iG Brasília | - Atualizada às

O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) sofreu o primeiro revés no Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento do mensalão , esquema de corrupção no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que ele denunciou em 2005. O voto do ministro Joaquim Barbosa aponta que ele será condenado pelo crime de corrupção passiva, cuja pena prevista é de dois a 12 anos de prisão. Jefferson também responde pelo crime de lavagem de dinheiro, passível de três a 12 anos de cadeia.

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Barbosa afirma que Jefferson recebeu nada mais nada menos que a quantia de R$ 4 milhões do PT

Jefferson denunciou o esquema em entrevista concedida pela Folha de S.Paulo em 2005. Mas de testemunha, ele passou a ser indiciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A defesa de vários réus, como o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, por exemplo, afirmam que Jefferson “inventou” o mensalão para tentar desqualificar a denuncia da Procuradoria Geral da República (PGR).

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Segundo entendimento do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, Roberto Jefferson “recebeu, sim, uma soma elevada, em espécie, em seu gabinete, paga pelo PT”. “Trata-se, isso sim, de recursos com claro potencial para determinar a continuidade do apoio parlamentar do PTB na Câmara dos Deputados. Considero impensável admitir que os repasses efetuados desta maneira sejam harmonizáveis com o sério exercício da função parlamentar”, disse Barbosa.

Roberto Jefferson é acusado pela PGR de ter recebido R$ 4 milhões para que a legenda apoiasse o governo nas reformas da previdência e tributária. A defesa de Jefferson alega que o dinheiro foi recebido em 2004 para custeio de recursos de campanha municipal daquele ano. O ministro Joaquim Barbosa refutou a tese de um suposto esquema de caixa 2 apontado pela defesa.

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O advogado de Jefferson, Luiz Francisco Barbosa, afirmou que ainda é cedo para falar em condenação de Roberto Jefferson. Apesar disso, nessa primeira fase do voto do ministro Joaquim Barbosa, o advogado afirmou que o relator cometeu alguns “erros” na análise do caso. “Ele cita que Jefferson teve participação em episódios nos quais apenas testemunhou”, disse o advogado.

Ele ainda citou como contradição o fato de os projetos de reformas a que o relator se refere como alvo da prática de corrupção e compra de votos terem ocorrido em 2003, quando o recebimento do dinheiro por Jefferson ocorreu em 2004. Barbosa já avisou que atacará essas contradições em possíveis embargos de declaração que serão impetrados no Supremo, caso seja confirmada a condenação do ex-deputado federal.

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