A duas semanas da eleição, candidatos sobem tom na campanha em São Paulo

Haddad e Serra trocam ataques sobre mensalão e saída do tucano da prefeitura; Russomanno diz se defender de 'baixaria' e investe em temas como saúde

iG São Paulo | - Atualizada às

A duas semanas do primeiro turno das eleições municipais , os candidatos à Prefeitura de São Paulo José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) partem para o tudo ou nada e endurecem o tom em suas campanhas nas ruas e nas propagandas no rádio e na TV. Segundo as últimas pesquisas, os dois brigam por uma vaga para o segundo turno, enquanto Celso Russomanno (PRB), lidera a disputa com cerca de 14 pontos de vantagem dobre seus rivais.

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A campanha de Serra, que abriu vantagem sobre o petista na última pesquisa Datafolha, tem reforçado o discurso da ética e da moral, citando o julgamento do mensalão , que corre há 48 dias no Supremo Tribunal Federal (STF). "( O governo ) atuava no submundo buscando vantagens, subornando políticos, influindo em eleições e no Congresso", afirmou o candidato em sua propaganda na TV. "É preciso dizer não. Não a esse tipo de atuação política, que não tem ética nem tem limite. Nós precisamos dizer claramente que não aceitamos esse tipo de comportamento. A Justiça está fazendo a parte dela. Nós devemos fazer a nossa."

Em algumas inserções veiculadas na televisão, Serra também passou a ligar Haddad a réus no julgamento. Nelas, Haddad aparece ao lado de fotos do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. "Sabe o que acontece quando você vota no PT? Você vota, ele volta", diz o narrador ao surgimento de cada fotografia. A propaganda também coloca a imagem do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP-SP), cujo partido é aliado do PT na capital paulista.

Leia também: Serra abre vantagem sobre Haddad; Russomanno lidera, diz Datafolha

Veja os ataques mais fortes entre os candidatos:

Agência Estado
José Serra

"(O governo) atuava no submundo buscando vantagens, subornando políticos, influindo em eleições e no Congresso (...) É preciso dizer não. Não a esse tipo de atuação política, que não tem ética nem tem limite. Nós precisamos dizer claramente que não aceitamos esse tipo de comportamento. A Justiça está fazendo a parte dela. Nós devemos fazer a nossa",  José Serra, durante sua propaganda no horário eleitoral gratuito na TV




Lola Oliveira/Brazil Photo Press/AE
Fernando Haddad

"(José Serra é) uma pessoa que só traz o mal para a cidade de São Paulo, para o Estado. Uma pessoa que não tem a menor generosidade nem com as pessoas do partido dele (...) Uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento humano, que a toda hora alguém tem que dizer que ele chora, que é sensível, tamanha a falta de humanidade da pessoa.", Fernando Haddad, durante caminhada no Jardim Peri, em São Paulo




Agência Estado
Celso Russomanno

"Fico me perguntando se você realmente anda nas periferias. O que as pessoas precisam é de atendimento, não adianta fazer do jeito que você está fazendo, porque não resolveu até agora." , Celso Russomanno, durante debate promovido pela TV Cultura, o jornal do O Estado de S. Paulo e o YouTube








O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso , que tem participado das propagandas na televisão do tucano, também fez referência ao caso do mensalão, sem citá-lo diretamente. FHC enfatizou que vivemos um tempo de "recuperação moral" no Brasil durante um encontro com artistas e intelectuais que apoiam o candidato. Serra aproveitou a deixa e disparou críticas ao PT, à presidenta Dilma Rousseff e à recém-empossada ministra da Cultura Marta Suplicy (PT).

"( A presidenta Dilma Rousseff ) pode fazer a campanha que quiser na televisão, etc. Agora, trocar a ministra para fazer com que a ministra que vai apoie o candidato do mesmo partido em São Paulo, em matéria de patrimonialismo, é um ponto máximo", acrescentou o candidato, dizendo também que "o PT reviveu o que o Brasil tinha de pior nessa matéria de patrimonialismo". "O PT é o bolchevismo sem utopia", completou.

Por sua vez, Haddad, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Marta Suplicy, tem voltado suas críticas ao fato de Serra ter deixado a prefeitura em 2006 para disputar o governo do Estado. Também vem se empenhando em associar o nome do tucano ao atual prefeito Gilberto Kassab (PSD), mal avaliado por 43% dos eleitores.

Em uma peça publicitária semelhante à utilizada pela campanha do PSDB, o PT associa Serra a FHC e Kassab, também com fotografias justapostas a uma imagem do candidato tucano. "Sabe o que acontece quando você vota no PSDB? Ele volta", afirma o narrador a cada fotografia. Depois, o rosto de Serra fica no centro da tela, com um xis vermelho, fazendo referência a saída de Serra do cargo de prefeito. "Você vota e ele vai."

Em caminhada nesta semana, Haddad foi mais duro ao falar do candidato tucano, que segundo ele é "triste" e "degrada o ambiente político". "Ele (Serra) é uma pessoa que só traz o mal para a cidade de São Paulo, para o Estado. Uma pessoa que não tem a menor generosidade nem com as pessoas do partido dele", afirmou Haddad, na zona norte da capital. "Uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento humano, que a toda hora alguém tem que dizer que ele chora, que é sensível, tamanha a falta de humanidade da pessoa."

Em um dos poucos comícios realizados durante a campanha em São Paulo, no último fim de semana, o ex-presidente Lula disparou ataques a Serra, reforçando que sua imagem está ligado ao velho, ao antigo e ultrapassado e citando, novamente, o fato de ele ter deixado a prefeitura. "Nós temos um cidadão que é candidato e que já foi prefeito. Na primeira chuva de verão, ele correu, não esperou a segunda", disse o ex-presidente. "Ele anda muito agressivo. Ele tem quase a minha idade e a gente, depois dos 60 (anos), tem que ser mais calmo. Então, Fernando (Haddad), você não tem que se preocupar com a agressividade dele (...) Os médicos dele é que precisam se preocupar porque nessa idade é mais fácil ter infarto", afirmou.

Alvo comum

Tanto Serra quanto Haddad têm feito ataques a Celso Russomanno, embora com menos frequência. Em caminhada na Penha, zona leste de São Paulo, realizada ontem, o tucano ressaltou sua falta de experiência do rival em cargos eletivos e o acusou de adotar um discurso demagógico. "Ele não é gente que tem experiência e conhecimento para fazer algo positivo pela saúde. O risco é ter um colapso no sistema se as pessoas que forem se cuidar não estiverem preparadas. Exige paciência e conhecimento. Vai muito além de uma campanha eleitoral demagógica", disse.

Do lado petista, as críticas mais contundentes disparadas contra Russomanno ficaram a cargo de Marta, no mesmo comício em que Lula criticou Serra. "Muita gente diz que vai votar nele, e eu falo: 'mas, por quê?'. 'Porque ele ajuda as pessoas'. E eu comecei a ficar chocada, porque nós sabemos que aquele tipo de ajuda da televisão, aquela pessoa, não é o que o povo pensa não. É lobo em pele de cordeiro", disse. "Aquilo que ele faz é negócio. Vocês têm que entender que é pilantragem, minha gente."

Por sua vez, o candidato do PRB investe na propaganda na televisão para dizer que é alvo de "baixaria". "Por que na política é comum ver gente agredir, atacar e mentir para destruir o adversário. O que explica esse vale-tudo eleitoral?", questiona o narrador, acrescentando que Russomanno faz uma campanha sem agressões por respeito ao eleitor.

Apesar do discurso, o candidato subiu o tom contra Serra no último debate eleitoral na TV, realizado pela TV Cultura, Estadão e o YouTube. Russomanno questionou o tucano sobre quais eram os seus planos para a área de saúde, dizendo que atualmente a cidade vive um "verdadeiro caos". Em sua resposta, Serra afirmou discordar da "visão catastrófica" e enumerou realizações suas e do atual prefeito. Na réplica, Russomanno falou com ironia: "Fico me perguntando se você realmente anda nas periferias. O que as pessoas precisam é de atendimento, não adianta fazer do jeito que você está fazendo, porque não resolveu até agora."

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