Haddad e Serra trocam ataques em debate na TV

Tecnicamente empatados no segundo lugar da corrida municipal, petista e tucano evitaram críticas diretas ao candidato do PRB à prefeitura paulistana, Celso Russomanno

iG São Paulo | - Atualizada às

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo  José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) trocaram ataques em debate realizado na noite desta segunda-feira, pela TV Cultura. Tecnicamente empatados em segundo lugar nas principais pesquisas, ambos evitaram críticas diretas ao postulante do PRB ao comando da capital paulista, Celso Russomanno (PRB), que hoje lidera os levantamentos de intenção de voto. 

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O ponto alto do confronto entre Serra e Haddad ocorreu no momento em que o petista questionou o tucano sobre críticas feitas por ele à entrada da presidenta Dilma Rousseff na campanha. "Você disse que ela ( Dilma ) não deveria meter o bico em São Paulo", questionou Haddad, sugerindo que Serra teve uma postura contraditória ao aceitar o apoio público do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e criticar o PT pela entrada de Dilma na campanha.

Serra devolveu com a afirmação de que seu incômodo decorria do fato de Dilma ter nomeado a ex-prefeita Marta Suplicy para o ministério, em troca do apoio a Haddad na cidade. "A Dilma e o Lula têm todo o direito de se manifestar, isso é natural numa campanha. O que eu disse é outra coisa, é fazer mudança de ministério, demitir uma ministra e convidar Marta Suplicy em troca de apoio à sua candidatura", disse Serra. "Isso é usar o governo como propriedade privada", completou tucano, lembrando que a então senadora quis ser candidata, mas o ex-presidente impôs o nome do então ministro da Educação. Segundo Serra, a nomeação foi "uso indevido da coisa pública".

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Haddad também alfinetou o tucano ao ser questionado por Soninha Francine sobre a disputa interna travada com Marta pela vaga para concorrer à prefeitura. O petista disse que a escolha por seu nome ocorreu, em parte, “para não acontecer no Senado o que aconteceu na Prefeitura de São Paulo”. Serra deixou a prefeitura em 2006, quando estava no cargo havia apenas dois anos, para concorrer ao governo do Estado. Haddad, que se atrapalhou na resposta, teve de explicar a declaração afirmando que Marta, embora tenha deixado o Senado para ocupar o Ministério da Cultura, pode retornar ao posto no Legislativo “a qualquer momento”.

Em alguns momentos, os dois evitaram o confronto direto. O tucano rebateu uma pergunta de um jornalista sobre sua alta rejeição e uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo a qual a polarização entre PT e PSDB em São Paulo levou a uma fadiga e cansaço do eleitorado. “Nem o Fernando Henrique disse isso, é uma coisa mais vaga, me permitiria dizer que você não transmitiu com correção o que o Fernando Henrique disse. Essa questão de rejeição precisa tomar corpo no dia da eleição”, afirmou.

Na réplica, Haddad disse que São Paulo “manifesta desejo de mudança”, que segundo ele só se manifestou dentro dos domicílios brasileiros por meio de iniciativas do governo federal. O tucano respondeu com críticas ao governo Lula. “O nacional ( governo federal ) não consegue tocar obras, como a transposição do São Francisco, tem que aprender conosco ( governo de São Paulo ). Eu me proponho a ser o prefeito da mudança”, afirmou.

Haddad também foi questionado sobre a aliança com o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf e repetiu a resposta dada desde o início da campanha: o PP é parte da base aliada de Dilma. Na sua réplica, Russomanno evitou o confronto e falou sobre a proposta de colocar guardas noturnos para ajudar na segurança pública. A uma pergunta sobre quem financia sua campanha, Haddad desconversou e disse que, no Brasil, não há financiamento público. “( A campanha ) está aberta a qualquer financiador”.

'Desconforto'

Desde o início do debate, Serra e Haddad evitaram ataques diretos a Russomanno. Logo no início do evento, o mediador Mario Sergio Conti pediu a opinião dos candidatos sobre a ascensão de Russomanno nas pesquisas. Haddad e Serra desconversaram e se disseram desconfortáveis em responder à pergunta.

Coube então aos candidatos de partidos menores alfinetar o candidato do PRB. Levy Fidélix (PRTB) arrancou risos da plateia ao dizer que a performance de Russomanno era “um pouco assustadora”. O candidato Paulinho da Força (PDT) afirmou que o adversário do PRB votou "contra o trabalhador" quando era deputado. Já o candidato Carlos Giannazi (PSOL) disse que Russomanno é "filho bastardo do lulopetismo".  Soninha Francine (PPS) atribui o crescimento do candidato do PRB nas pesquisas à sua exposição na TV na defesa ao consumidor. Último a falar, Russomanno voltou a dizer que não vai baixar o nível e que Paulinho e Giannazi estão muito mal informados sobre sua candidatura.

Ao abrir o segundo bloco, reservado ao confronto direto entre candidatos, Serra preferiu se dirigir a Paulinho. O tucano questionou o adversário sobre suas propostas na área do trabalho e emprego. Na réplica, Serra prometeu investir na desburocratização e na ampliação do ensino técnico. 

No momento do debate em que jornalistas perguntam aos candidatos, Russomanno foi questionado se pretende nomear membros da Igreja Universal que o apoiam para cargos públicos caso seja eleito. Ele defendeu a liberdade religiosa e respondeu que planeja nomear técnicos para o seu secretariado.

“Estamos num Estado laico, um Estado em que temos a liberdade de escolher a religião e, nessas condições, todos temos direito de ter uma religião”, disse. Na réplica, Serra lembrou que o presidente do partido de Russomanno, Marcos Pereira, é bispo licenciado da Universal e, em artigo que gerou nota de repúdio da Arquidiocese de São Paulo, associa a Igreja Católica ao kit de combate à homofobia que provocou polêmica durante a gestão de Haddad no Ministério da Educação. O candidato do PRB voltou a dizer que sua sigla foi fundada por José Alencar, ex-vice-presidente morto em 2011, um católico fervoroso e que os membros da Universal são minoria no seu partido.

Cenário

O evento, realizado pela TV Cultura em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo , ocorreu no momento em que  Russomanno  avança na dianteira da corrida municipal, e em meio ao endurecimento dos ataques entre  Serra e Haddad . Nas últimas semanas, a campanha de Haddad ganhou o reforço de  Dilma Rousseff e de  Marta Suplicy . O petista também investiu em comícios ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em regiões estratégicas da periferia da capital.

Serra, por sua vez, recorreu a depoimentos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na TV e investiu na associação entre o petista e réus no julgamento do mensalão, que está em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos dias, cresceram também as críticas a Celso Russomanno, chamado por Marta de "lobo em pele de cordeiro”, e cuja campanha enfrenta notas de repúdio da Arquidiocese de São Paulo .

Serra e Haddad estão tecnicamente empatados em segundo lugar nas últimas pesquisas. Se a eleição fosse hoje, o tucano e o petista brigariam entre si por uma vaga no segundo turno. De acordo com a última pesquisa Ibope , divulgada na semana passada, Russomanno lidera a disputa com 35% das intenções de voto , quatro pontos acima do registrado no levantamento anterior. Serra e Haddad oscilaram um ponto para baixo cada um - o tucano tem 19% e o petista, 15%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos.

*Com informações da Agência Estado

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