Reação da Arquidiocese de São Paulo contra candidato do PRB instiga católicos a entrarem na campanha

A ofensiva deflagrada pelo comando da Igreja Católica em São Paulo contra a candidatura de Celso Russomanno foi apenas a ponta de um iceberg político. A relação ostensiva do candidato do PRB com a Igreja Universal do Reino de Deus já vinha gerando reações fortes entre os líderes católicos e até evangélicos de outras agremiações. O texto sobre a suposta defesa da Igreja Católica ao “kit gay” do MEC (Ministério da Educação) — que foi escrito em 2011 e mantido até recentemente no blog do deputado Marcos Pereira, presidente do PRB — foi o gatilho que transformou a reta final de campanha em uma “guerra santa” parecida com a que prejudicou Dilma Rousseff no primeiro turno presidencial em 2010.

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Agência Estado
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Líderes católicos e evangélicos ouvidos pelo Brasil Econômico avaliam que o episódio tem forte potencial de dano à candidatura de Russomanno. “A Igreja Católica tem evitado ser contundente nos últimos anos, mas a vinculação estreita do Celso Russomanno com a Igreja Universal acirrou os ânimos dos católicos. O texto publicado pelo presidente do partido dele pode levar ao engajamento de setores da Igreja Católica”, avalia o padre José Antonio Trasferetti, professor de teologia da PUC-Campinas. “Não acho ético que igrejas evangélicas façam campanha ostensivamente. Eu não me sentiria bem se isso acontecesse na Igreja Católica”, completa o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor do departamento de Teologia da PUC-SP.

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Para o evangelista e vereador Carlos Apolinário, da Assembleia de Deus, o texto do dirigente do PRB instigou os religiosos a entrarem com tudo na campanha. “Sou evangélico há 53 anos e posso lhe afirmar que o apoio da igreja nem sempre agrega votos, mas a repulsa tira muitos”. Os principais candidatos em São Paulo trabalham para atrair os católicos que estão em campanha contra o candidato do PRB.

Os estrategistas de Gabriel Chalita (PMDB) pretendem explorar na campanha a vinculação de Russomanno com a Universal e reforçar os laços do peemedebista, que é católico fervoroso, com a Renovação Carismática. Já Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) travam um cabo de guerra para fechar alianças com líderes católicos da periferia. Os apoios mais disputados são do padre Ticão, o mais tradicional líder comunitário da zona leste paulistana, o popular padre-cantor Marcelo Rossi e Julio Lancelotti, da Pastoral do Povo da Rua.

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