Fase mais aguardada do julgamento do mensalão coincide com auge da eleição

Análise sobre se houve compra de apoio político no Congresso tem início na próxima semana, mesmo período em que a campanha municipal entra em sua reta final

Wilson Lima - iG Brasília |

Fase mais importante do julgamento do mensalão, a análise sobre se houve ou não um esquema de compra de apoio político no Congresso durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai acontecer justamente na reta final da campanha eleitoral deste ano.

Na quinta-feira passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o terceiro item do julgamento relacionado ao crime de lavagem de dinheiro. Nas semanas anteriores, os ministros analisaram as irregularidades dos contratos entre a Câmara dos Deputados e o Banco do Brasil com as agências de publicidade de Marcos Valério (SMP&B e a DNA Propaganda) e os empréstimos concedidos pelo Banco Rural a Valério e o PT, considerados ilegais pelo Supremo.

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Após a análise dos três primeiros itens da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o Supremo concluiu a primeira etapa do julgamento do mensalão. Os ministros entenderam que Marcos Valério e seus sócios obtiveram, de forma irregular, pelo menos R$ 32 milhões. Agora, a partir de segunda-feira, os ministros vão debater para onde foram esses recursos. A visão da PGR é que o dinheiro foi destinado a deputados federais, a mando do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, para obtenção de apoio político de congressistas aos projetos de interesse do Executivo.

Ivaldo Cavalcante/Hoje em Dia/AE
Momento mais agurdado do julgamento, análise das acusações contra o núcleo político do esquema começa na próxima semana


Pelo calendário do mensalão, a análise de mérito sobre se deputados federais se beneficiaram de um esquema ilícito de obtenção de recursos vai acontecer nas próximas duas semanas. Nas sessões de segunda-feira e quarta-feira, o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, vai se pronunciar sobre a participação de 24 réus, entre os quais José Dirceu; o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares; e o ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão. Na quinta-feira e segunda-feira da semana seguinte, a expectativa é que o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, faça o seu julgamento. Os demais ministros farão a sua análise nas duas sessões subsequentes.

Dessa forma, a primeira etapa do julgamento político do mensalão vai ser concluída uma semana antes das eleições, momento marcado pelo término da propaganda em rádio e TV e pelos últimos debates televisivos. A expectativa é que partidos como o PTB, o PMDB, o PR (ex-PL) e o próprio PT sejam os mais atingidos pelo resultado do julgamento.

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O especialista em marketing político Alexandre Barros afirma que, apesar disso, é difícil mensurar previamente qual vai ser o comportamento do eleitor diante do julgamento. Ele afirma que nunca na história política o Brasil viveu situação semelhante. O mensalão é considerado como o maior julgamento da história, além de ser visto como emblemático no que se refere à adoção de novas ações de combate à corrupção no país. “É muito difícil fazer uma previsão ( das consequências políticas ). Pode haver ataques, mas é um tipo de ataque que não se sabe como vai se comportar no coração de cada pessoa”, disse Barros. “É um acontecimento único. Qualquer opinião ( sobre reflexos do julgamento ) é mero palpite”, pontuou.

Algumas campanhas em todo o Brasil já utilizam trechos do julgamento do mensalão como estratégia de ataque. O candidato a prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), exibiu na propaganda eleitoral gratuita peças em que o seu adversário, Fernando Haddad , aparece ao lado de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT), José Dirceu e João Paulo Cunha, este último o único político condenado até agora por envolvimento com o mensalão.

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Em São Luís, capital do Maranhão, o candidato a prefeito pelo PT, Washington Luiz, aliado da governadora Roseana Sarney (PMDB), é alvo de uma paródia no YouTube alusiva ao mensalão. No vídeo, ele é associado a imagens de Marcos Valério, José Dirceu e Delúbio Soares. Em Fortaleza (CE), as menções ao mensalão tomaram conta do debate entre os candidatos Elmano de Freitas (PT), Roberto Cláudio (PSB) e Marcos Cals (PSDB).

Na prática, o maior reflexo político do julgamento do mensalão até o momento foi a desistência de João Paulo Cunha (PT), ex-presidente da Câmara dos Deputados, de concorrer à Prefeitura de Osasco. Ele foi condenado pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena sugerida pelo ex-ministro Cézar Peluso, antes de se aposentar, foi de 6 anos e 100 dias de prisão em regime semiaberto. A dosimetria somente será definida no final do julgamento. Mesmo que seja estabelecida a pena mínima, Cunha provavelmente ficará inelegível por pelo menos 14 anos, com base na Lei da Ficha Limpa.

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