'Meu pai dá credibilidade na campanha', diz Ratinho Júnior, líder em Curitiba

Surpresa na eleição para Prefeitura de Curitiba, filho do apresentador do SBT afirma não ter padrinhos políticos

Rafael Abrantes - Brasil Econômico |

Ratinho Júnior (PSC), candidato à Prefeitura de Curitiba, é a grande surpresa da campanha na capital paranaense. Como Celso Russomanno (PRB) em São Paulo, ele surpreendeu todos aqueles que o consideravam um “cavalo paraguaio” e continuou na dianteira apesar de ter menos tempo de TV que os concorrentes. Nesta entrevista exclusiva ao Brasil Econômico , o filho do apresentador Ratinho comenta polêmicas sobre a colaboração do pai na campanha e critica a atual gestão muncipal.

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Brasil Econômico: Sua liderança nas pesquisas de opinião em Curitiba surpreendeu os adversários na eleição?

Ratinho Júnior: Acho que deve ter surpreendido. A nós, não. A gente já estava trabalhando há bastante tempo e eu sentia nas ruas que as pessoas, de fato, queriam uma mudança. Uma mudança sem rancor, sem raiva, com uma candidatura sem apadrinhamento, com independência. Talvez eles não contavam com esse crescimento nosso.

Brasil Econômico: Há um embate maior de discursos, e até pessoal, entre Luciano Ducci e Gustavo Fruet. Quanto isso tem beneficiado sua candidatura?

Ratinho Júnior: O curitibano não quer mais ficar nessa picuinha de briga pessoal. As pessoas começaram a ver que os projetos deles não são de cidade, são de poder para usar a prefeitura de alavanca para 2014. O Luciano, para apoiar a reeleição do governador (do Paraná) Beto Richa, e o Gustavo, para apoiar a ministra (da Casa Civil) Gleisi Hoffmann, que é candidata a governadora no Paraná. Eles têm um projeto de grupos políticos.

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Brasil Econômico: Quais os pontos mais críticos da gestão Ducci?

Ratinho Júnior: Fazer as obras sem planejamento prévio. É uma falta de respeito com crianças a falta de mais de 23 mil vagas em creches. Temos um grave problema com a falta de médicos nos postos de saúde. Curitiba é hoje a sexta capital mais violenta do Brasil. Não se vê a Prefeitura tomar iniciativas, como melhorar a iluminação pública, fazer investimentos em câmeras, colocar a Guarda Civil nos bairros.

Brasil Econômico: Qual parcela do seu apoio nas pesquisas se deve à imagem do seu pai?

Ratinho Júnior: Obviamente me ajuda bastante porque as pessoas gostam do meu pai porque ele começou sua história em Curitiba, no rádio, na televisão. Mas a participação dele na minha campanha é muito mais como pai avalizando o filho que criou, do que apenas o Ratinho popular, conhecido por todo mundo. Esse aval de pai foi fundamental na minha campanha para dar credibilidade, mostrando que estou maduro e preparado para cuidar da cidade.

Brasil Econômico: O apoio dele seria comparável ao do governador Richa e da ministra Gleisi?

Ratinho Júnior: É um apoio diferente, porque governador e ministros são apoio de poder, da máquina (pública). O apoio do meu pai é pessoal. Não tem partidos, militância, empresariado por trás. Se isso soma mais ou menos, não sei. Mas eu não abro mão dele estar me ajudando como pai na campanha.

Brasil Econômico: A Justiça Eleitoral decidiu limitar a participação de seu pai em comícios. Mas o senhor contou com ele em evento recente. Por quê?

Ratinho Júnior: Não fomos contra a Justiça. A liminar proibia o apresentador Ratinho de participar dos comícios, mas nós nunca colocamos o apresentador. Colocamos o Ratinho pai, ele como cidadão tem o direito de dar o seu apoio, tanto é que derrubamos essa liminar na Justiça. Era uma tese jurídica. Não fiz showmício. A lei permite que o pai possa apoiar o candidato.

Brasil Econômico: O senhor fala em independência sobre outros partidos. Em um 2º turno, o senhor procuraria seus adversários para uma aliança?

Ratinho Júnior: Não posso abrir mão de apoio, desde que seja de pessoas de bem. O que eu não vou fazer é vender minha consciência para ter esses apoios. Construi minha candidatura sem negociar nenhum cargo, e vou continuar a manter essa linha.

Brasil Econômico: O senhor afirmou que há secretarias municipais, como da Habitação e da Copa do Mundo, com atuação duvidosa. O que quis dizer?

Ratinho Júnior: Eu disse que há secretarias fazendo a mesma função. Criaram uma secretaria de habitação para acomodar apadrinhados políticos e mantiveram a Cohab. Para quê? Nossa meta é eliminá-la e fortalecer a Cohab. Secretaria Institucional da Copa, de Cerimonial, de Assuntos Estrangeiros...são todas para acomodar colegas. 

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