Vaga deixada por Marta Suplicy no Senado pode voltar para o PT

Suplente da nova ministra da Cultura, Antonio Carlos Rodrigues disputa reeleição na Câmara Municipal de São Paulo e pode optar por permanecer na cidade após a disputa nas urnas

Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

A cadeira da ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT-SP), no Senado pode voltar a ser ocupada por um petista no início do ano que vem. No dia 1º de janeiro, o primeiro suplente de Marta, Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), terá que optar entre o Senado e a Câmara Municipal. Se escolher a segunda opção, a vaga vai para o segundo suplente, Paulo Frateschi, secretário nacional de Organização do PT e um dos dirigentes mais influentes do partido.

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Divulgação
Como secretário de Organização do PT, Frateschi concentra dados estratégicos do partido

Embora tenha conquistado a vaga no Senado sem esforço, Rodrigues manteve a candidatura a vereador em São Paulo. Sua reeleição é dada como certa. Antes da escolha de Marta para o Ministério da Cultura, Rodrigues articulava sua volta em 2013 à presidência da Câmara, cargo que ocupou entre 2007 e 2010.

Embora a preferência pelo Senado em detrimento da Câmara Municipal pareça óbvia, à primeira vista, Rodrigues tem dito a colegas e correligionários que ainda não tomou a decisão. Alguns fatores contam a favor da sua permanência na Câmara.

O primeiro deles é a possibilidade de voltar a ocupar a presidência da Casa, cargo que daria mais condições para atender as demandas de sua base eleitoral. O segundo é a insegurança em relação à permanência de Marta no ministério. Se a petista decidir por qualquer motivo voltar para a o Senado, Rodrigues ficaria sem mandato pelo menos até 2015.

No PT é grande a expectativa pela possibilidade de Fateschi ocupar a cadeira de Marta. O segundo suplente da senadora é hoje um dos dirigentes mais importantes do partido. Na condição de secretário de Organização, Frateschi é responsável por codificar todas as informações eleitorais do partido. Isso lhe permite dialogar permanentemente em nome da direção do PT com os atores políticos das principais cidades do País.

Agência Estado
Marta deixou o Senado para assumir nesta semana o Ministério da Cultura


Além disso, Frateschi tem acesso direto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , participa de reuniões com a presidenta Dilma Rousseff e municia o presidente nacional do PT, Rui Falcão, com as informações eleitorais que orientam toda a estratégia do partido.

Segundo fontes petistas, Frateschi era o preferido para ocupar a primeira suplência de Marta em 2010, quando a atual ministra foi eleita para o Senado. Ele perdeu a vaga para Rodrigues em uma articulação que tinha como objetivo amarrar Marta ao Senado e tirá-la das disputas pela Prefeitura de São Paulo, este ano, e o governo estadual, em 2014.

Um grupo de adversários internos da ministra concluiu que Marta não poderia se lançar candidata pois sofreria grande desgaste se deixasse a cadeira no Senado para Rodrigues, um político ligado à ala mais conservadora da Igreja Católica, ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e ao ex-governador José Serra (PSDB). Por isso, trataram de incluir a primeira suplência no Senado como condição para que o PR apoiasse Aloizio Mercadante (PT) na disputa pelo governo em 2010, embora esta não fosse uma exigência do presidente do PR, Waldemar Costa Neto.

Frateschi e Rodrigues foram procurados para falar sobre o assunto mas não responderam. O novo senador estava em reunião no comitê de campanha. Frateschi acompanhava Lula em gravações na produtora do publicitário João Santana.

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