Marta Suplicy toma posse hoje no Ministério da Cultura

Petista substitui Ana de Hollanda no comando da pasta; antes da posse, senadora conseguiu aprovar emenda que cria Sistema Nacional de Cultura

iG São Paulo |

AE
A senadora Marta Suplcy(PT-SP) assume o cargo de ministra da Cultura nesta quinta-feira

A senadora Marta Suplicy  (PT-SP) toma posse nesta quinta-feira, às 11h, no Ministério da Cultura, substituindo Ana de Hollanda no comando da pasta. A troca, anunciada pela Presidência da República na terça-feira , marca a entrada definitiva da presidenta Dilma Rousseff nas eleições municipais deste ano , uma vez que o apoio de Marta ao ex-ministro Fernando Haddad na eleição de São Paulo foi decisivo na negociação.

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A entrega de um ministério a Marta atende a uma demanda antiga da ex-prefeita, que nunca escondeu a insatisfação por ter sido preterida nos processos que definiram as candidaturas do PT em São Paulo nas últimas eleições.

Na véspera de tomar posse, a senadora petista conseguiu aprovar emenda à Constituição que cria o Sistema Nacional de Cultura. Relatora da proposta, a senadora negociou a aprovação da emenda em dois turnos de votação, que será promulgada nos próximos dias pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Foram feitas oito "sessões relâmpago", que duraram menos de meia hora, para que a emenda fosse aprovada. "Agradeço de coração a unanimidade dos votos. Acho que essa é minha última fala no Senado", disse Marta ontem.

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A emenda chegou ao Senado em julho, depois de aprovada na Câmara, e teve sua votação acelerada depois da indicação de Marta para a pasta da Cultura. "Fiz o acordo de suspensão de prazos para a aprovação da emenda antes de ser indicada para a Cultura" afirmou a senadora, que não alterou a proposta aprovada na Câmara.

A emenda prevê a ampliação progressiva de recursos para a área de cultura. "A emenda não dá dinheiro para a cultura, mas agiliza a liberação de recursos para os municípios e Estados", explicou Marta. Pela emenda, o sistema vai garantir a continuidade das políticas públicas na área cultural. Vários pontos da proposta terão, no entanto, de ser regulamentados por projetos de lei, antes de entrar em vigor.

Gestão marcada por crises

Antes mesmo de assumir, Ana de Hollanda já aparecia na lista dos ministros com risco de perder o cargo. O principal motivo da insatisfação do Planalto é o fato de ela ter liderado uma inversão na política de flexibilização dos direitos autorais que vinha sendo comanda pelas gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira. Desde que tomou posse, Ana de Hollanda deu guinada no sentido de continuar garantindo esses direitos a artistas.

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Ed Ferreira / AE
Ana de Hollanda dará lugar a Marta Suplicy no cargo


A gota d'água foi o fato de ter sido publicada na imprensa uma carta de Ana de Hollanda endereçada à ministra do Planejamento , Miriam Belchior, sobre o orçamento do ministério. "Esses números colocam em risco a gestão e até mesmo a existência de boa parte das instituições culturais", escreveu a ministra.

Dilma nunca escondeu a insatisfação com os resultados das políticas adotadas por Ana de Hollanda na pasta. Segundo pessoas com trânsito junto à presidenta, a ministra só não caiu antes por causa da instabilidade que marcou o primeiro ano de governo. No ano passado, ela chegou a balançar, mas acabou se segurando diante das sucessivas demissões de ministros por denúncias de corrupção.

Com Agência Estado

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