Maratona do julgamento do mensalão já cansa ministros do Supremo

Cansaço físico e mental é um dos principais argumentos contra a realização de sessões extras às quartas-feiras, para agilizar o andamento do processo na Corte

Wilson Lima - iG São Paulo |

A maratona do julgamento do mensalão já cansa drasticamente os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira, a análise do suposto esquema de compra de apoio político no Congresso chegou ao seu 23º dia. O cansaço físico e mental é o principal argumento de alguns ministros para resistir à marcação de sessões extras para agilizar o julgamento do mensalão

Especial: Veja a cobertura completa do iG sobre o julgamento do mensalão

Enquete: Toffoli é eleito o ministro mais polêmico do Supremo

Até o início desta semana, era ponto pacífico que as manhãs de quartas-feiras também seriam utilizadas para análise do caso - hoje o julgamento toma as segundas, quartas e quintas-feiras, na parte da tarde. No entanto, a ideia ganhou resistência de ministros como Celso de Mello, Dias Toffoli e Marco Aurélio de Mello. 

Carlos Humberto/SCO/STF
Ministros do Supremo e assessores dizem cumprir carga bem superior ao de costume


Segundo o  iG apurou, o ministro Celso de Mello, por exemplo, foi levado três vezes a um posto médico por princípio de pressão alta nos últimos dez dias, após as sessões de julgamento. O ministro Gilmar Mendes, do outro lado, recorreu à sala de atendimento médico instalada atrás do plenário para verificar o sue nível de pressão, com medo de eventuais problemas de saúde. O relator do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, também reclama que o ritmo de julgamento aumentou as dores crônicas na região lombar. Barbosa tem esse problema desde 2008 e chegou a ficar licenciado da Corte.

Internamente, os ministros também reclamam do nível de trabalho acima do normal provocado pelo julgamento. O ministro Luiz Fux estaria trabalhando até 23 horas, diariamente, para complementar voto ou análises do caso ou para trabalhar no julgamento de outras ações no Supremo. O ministro Celso de Mello também tem tido rotina semelhante.

Votação: Confira o voto dos ministros que participam do julgamento do mensalão

O revisor do mensalão, ministro Ricardo Lewandowski, também estaria enfrentando ritmo de trabalho muito superior ao que ele já estabelece na Corte. Os sinais de cansaço são vistos claramente no semblante desgastado e triste do ministro revisor do processo. “A questão é que a cada fato novo, você precisa reestudar tudo e trabalhar seu voto”, admite Lewandowski.

“Se não fosse a preparação física que o ministro Luiz Fux faz diariamente, certamente ele não aguentaria esse ritmo”, informou uma fonte próxima ao ministro.

O cansaço físico e mental atinge também assessores, que dizem acumular um nível de trabalho bem superior ao costumeiro. Os advogados dos réus dizem temer que, por conta disso, os membros do Supremo sejam levados a cometer erros jurídicos e técnicos durante o julgamento.

    Leia tudo sobre: mensalãojulgamento do mensalãoSTF

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG