STF está dividido sobre sessões extras no julgamento do mensalão

Houve um almoço hoje para discutir o assunto, mas presidente do Supremo disse que ainda existe resistência de alguns ministros

Wilson Lima - iG Brasília | - Atualizada às

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão divididos sobre a proposta de realização de sessões extras para o julgamento do mensalão . Segundo o presidente da Corte, Ayres Britto, ainda existe resistência de alguns membros quanto à destinação de mais sessões para apressar o andamento do processo.

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Hoje, antes da sessão, era praticamente certo que o Supremo também realizaria sessões para o julgamento do mensalão nas quartas-feiras pela manhã, como espécie de um esforço concentrado. Com essa medida, se afastaria a possibilidade do julgamento prolongar-se até meados de novembro, período que será marcado pela aposentadoria do presidente Ayres Britto. Entretanto, alguns ministros, nos bastidores, manifestam descontentamento com essa medida em virtude do nível de trabalho no Supremo. Um deles é o ministro Celso de Mello, o decano da Corte. Outro contrário às sessões extras, conforme o iG apurou, é Dias Toffoli.

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No início da tarde desta quarta-feira, o presidente do STF, Ayres Britto, convidou os ministros para um almoço na sala da presidência para discutir esse assunto. Não houve consenso. Britto informou que ainda vai buscar entendimentos no sentido de que sejam marcadas as sessões na quarta-feira pela manhã. Ele também vem conversando com os demais ministros para que eles apressem os votos e já estuda outras medidas que ajudem a acelerar o julgamento.

São amplamente favoráveis à realização de sessões extras o próprio Ayres Britto, o ministro Gilmar Mendes e o revisor do processo, Ricardo Lewandowski. “Há um sentimento convergente de terminar (o julgamento) o mais rápido possível”, disse Lewandowski nesta quarta-feira. O relator Joaquim Barbosa também é a favor da realização de sessões extras.

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O Supremo já demonstra um claro sentimento de cansaço em virtude do julgamento do mensalão. Nesta quarta-feira, foi realizada a 22ª sessão e apenas dois itens foram analisados na íntegra. Os ministros discutem terceiro item. A expectativa é que ele seja concluído apenas na próxima segunda-feira.

Outros ministros, como Marco Aurélio de Mello, reclamam publicamente que o Supremo se transformou, desde agosto, uma “Corte de um processo só”. Desde a reaberturas dos trabalhos do Judiciário, o plenário não se debruçou sobre outro processo que não seja a ação penal 470. Isso, no entanto, não significa que os ministros estão com um nível de trabalho menor. Muito pelo contrário. “A cada fato, é necessário você estudar o caso, reformular o voto”, explicou o ministro revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski.

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