Show de Caetano e Chico rendeu R$ 200 mil ao candidato do PSOL no Rio

Alertado pela Justiça Eleitoral, que já avisara que sua presença no evento configuraria showmício, Freixo não compareceu ao evento

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O show de Caetano Veloso e Chico Buarque rendeu pelo menos R$ 200 mil para o candidato do PSOL à Prefeitura do Rio, Marcelo Freixo. O valor estimado pela produção do evento e o pelo partido é o total arrecadado com a venda dos 900 ingressos da apresentação que lotou o Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, na noite de terça-feira. Representa 46,5% dos R$ 430 mil que Freixo havia arrecadado até o início do mês.

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Eleitores declarados do candidato do PSOL, Caetano e Chico vão doar seus cachês. Só será descontado o aluguel do teatro.

As dificuldades de Freixo não são apenas financeiras. A última pesquisa do Datafolha, divulgada nesta quarta, mostra que o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que busca a reeleição, continua liderando as intenções de voto por larga vantagem . Embora o candidato do PSOL esteja em ascensão, saindo de 13% para 18%, o peemedebista venceria no primeiro turno se o pleito fosse hoje. Ele está com 54%, com elevação de um ponto porcentual em comparação à pesquisa anterior.

Rodrigo Maia (DEM), com 4%; Otávio Leite (PSDB), com 3%; Aspásia Camargo (PV), com 2%; e Cyro Garcia (PSTU), com 1%, completam o quadro na cidade do Rio. Todos em empate técnico. Fernando Siqueira (PPL) e Antonio Carlos (PCO) não atingiram 1%. Brancos e nulos somam 9% e os eleitores indecisos são 8%.

Os recursos obtidos no show ainda serão repassados para a campanha de Freixo. As limitações financeiras e estruturais do candidato do PSOL ficam ainda mais evidentes quando se compara suas planilhas com as de Paes (PMDB). Na segunda prestação parcial apresentada à Justiça Eleitoral, o peemedebista registrou R$ 6,99 milhões em contribuições para a campanha.

Freixo tinha no advogado e amigo pessoal João Tancredo, que atua na área de direitos humanos, seu principal doador até agora. Foram R$ 260 mil em quatro contribuições registradas no mês de agosto. Na campanha do prefeito, a Multiplan Empreendimentos Imobiliários, incorporadora residencial e comercial e dona de vários shoppings pelo País, aparece com a contribuição mais volumosa, com R$ 500 mil.

Paes, no entanto, ainda registrou R$ 5,5 milhões, o que representa 78,5% do total de suas receitas, na modalidade que ficou conhecida como doação oculta. Trata-se de recursos que aparecem como repasse partidário - o que impossibilita rastrear a origem dos recursos. R$ 2 milhões vieram da Direção Nacional do PMDB. Os outros R$ 3,5 milhões constam como repasses do Comitê Financeiro Municipal Único, que banca despesas da campanha do prefeito e de candidatos à Câmara Municipal.

Dos R$ 430 mil já arrecadados, Freixo usou R$ 140 mil com pagamento de pessoal e R$ 59,5 mil para pagar despesas de produção de programa de rádio e TV. Paes teve como gasto principal com pessoal: R$ 1,7 milhão. Suas despesas com publicidade somam R$ 868 mil.

Showmício

Alertado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), que já avisara que sua presença no evento configuraria showmício, que é vedado pela legislação, Freixo não compareceu ao show. Uma equipe de sete pessoas da Justiça Eleitoral gravaram o show, mas, de acordo com coordenador da fiscalização da propaganda do TRE-RJ, juiz Luiz Fernando Pinto, não foram constatadas irregularidades.

Apesar do teatro estar lotado de simpatizantes, as manifestações de apoio foram mínimas e discretas. Caetano chegou a agradecer à plateia por festejar com ele a chegada da "primavera carioca". O termo, usado para batizar o show de terça, é repetido com frequência por Freixo, numa analogia entre a sua campanha e os movimentos de revolta que ocorreram em países árabes no ano passado.

Caetano e Chico cantaram três músicas juntos: "O X do Problema", de Noel Rosa, "Medo de Amar", de Vinícius de Moraes, e "A Voz do Morro", de Zé Kéti. Os dois gravaram depoimentos que são repetidos com frequência nos programas eleitorais de Freixo.

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