Com show apolítico, Caetano e Chico ajudam campanha de Freixo, barrado

Repertório de “Primavera Carioca” foi de músicas sobre a cidade, e nenhuma menção foi feita ao postulante à Prefeitura do Rio. Muitos no público contaram ter ido só pelos artistas

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Com um show de repertório e público apolíticos e nenhuma referência ao candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL), ausente, dois dos maiores nomes da música brasileira Caetano Veloso e Chico Buarque deram sua contribuição à campanha eleitoral do Rio.

Durante todo o show “Primavera Carioca”, concebido para gerar recursos (ingressos a R$ 360) e contribuir para a campanha de Freixo, não foi feita nenhuma menção – nem ao menos indireta – ao candidato, que foi proibido pela Justiça Eleitoral de ir ao teatro Oi Casagrande. Tanta cautela dos artistas talvez tenha sido o temor da Justiça Eleitoral.

"Ele (Freixo) não vem. Acabou uma reunião e está indo para casa (a cerca de 300 metros do teatro), onde vai ficar estudando, 'deprimido' (de não poder vir)", disse a mulher do político, Renata Stuart.

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Fãs de Caetano e Chico eram mais numerosos que os de candidato

Diferentemente dela, ao chegar, muitos do público deixaram claro que sua presença se devia exclusivamente aos artistas, e mais especificamente à oportunidade de ver cantando, juntos e após 40 anos, Caetano e Chico. “Viemos pelo show”, disseram Mariana Zattar e Nikolai Nowosh.

Como eles, eram bem mais numerosos os fãs de Caetano e Chico que os de Freixo. Havia muitas senhoras de idade, que vibraram desde o início, a cada nota do violão do cantor baiano.

No roteiro, que começou com "Luz do Sol", Caetano incluiu músicas claramente identificadas com o Rio, como "Copacabana", "Menino do Rio", "Ela é Carioca", "Garota de Ipanema", "Madureira chorou", além de outros clássicos, como "Você é Linda", "O Leãozinho" e "Coração Vagabundo". Com o grupo Preto+1, tocou "Desde que o Samba é Samba", "A Voz do Morro" e "É hoje". Coube a Chico Buarque, ovacionado ao entrar, completar o show ao lado de Caetano, cantando "Medo de Amar", "Futuros Amantes" e "Aquarela Brasileira" e dando um "bis" de "O X do problema".

AE
Caetano Veloso e Chico Buarque se apresentam em show 'Primavera Carioca'




Gritos de "Freixo" destoam de show intimista, público comportado e canto em voz baixa

Longe de ser um showmício tradicional de campanhas brasileiras, a apresentação intimista e comportada de Caetano para cerca de mil pessoas no Leblon teve público sentado o tempo todo, cantoria em voz baixa, pessoas perfumadas e senhoras arrumadas.

Apenas na parte final, houve manifestação do público com relação a Freixo. Um homem, de voz grave, gritou “Freixo! Freixo!”. Não houve eco e foi possível ver até reações contrariadas. “Segundo turno!”, voltou a berrar o homem, na última música, “O X do problema”. Mas foram só cinco os gritos.


O grupo pró-Freixo usava camisetas pretas com a frase “Nada deve parecer impossível de mudar”, do dramaturgo alemão Beltolt Brecht, em alusão à difícil tarefa do deputado estadual de levar a decisão para o segundo turno. Além de o atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB) aparecer com mais de 50% das intenções de voto em todas as pesquisas, ter campanha rica e contar com apoio de 20 partidos, os demais candidatos não melhoram o desempenho, o que deixa a soma longe dos 50% necessários para forçar a segunda votação.

O ex-deputado federal Milton Temer, porém, estava animado antes do início do show. “São dois espetáculos, um no palco e um na plateia. É o contrário do showmício, em que o político paga ao músico para tocar e, assim, pegar os passantes na rua. Aqui, são dois artistas que vão ceder a renda para o candidato: é o antishowmício”, definiu.

No palco, a categoria reconhecida de Caetano e Chico. “Obrigado por virem festejar a primavera carioca (nome do show). Sou muito Rio. Nasci na Bahia e passei parte crucial de minha adolescência no Rio. O Rio é cidade de todos os brasileiros”, disse Caetano.

“Isso é antológico, os dois juntos”, comentou uma senhora, em uma das filas da frente. Questionada pelo iG , ela não sabia que o show era para Freixo, ausente no teatro.

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