Em debate no Recife, aliança desfeita entre PSB e PT vira alvo da oposição

Petistas governaram a capital pernambucana nos últimos 12 anos com apoio dos socialistas, que romperam nestas eleições e lançaram candidatura própria

Daniel Aderaldo - iG Ceará |

Futura Press
Candidato Geraldo Júlio (PSB) durante o debate

Primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de Recife, Geraldo Júlio (PSB) e Humberto Costa (PT) trocaram poucas farpas no debate promovido pela RedeTV! e o jornal Folha de S.Paulo neste domingo (9), mas acabaram virando alvos dos ataques de Mendonça Filho (DEM) e Daniel Coelho (PSDB).

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Tentando se descolar da gestão do prefeito João da Costa, Geraldo Júlio recorreu às realizações do governador Eduardo Campos (PSB) – seu padrinho político – na capital pernambucana. Em uma dessas situações, ao ser questionado por Mendonça no primeiro bloco do debate sobre o andamento de uma obra de habitação na cidade, o candidato socialista mostrou desconhecer o projeto e isentou seu partido da responsabilidade, afirmando que “o governo é do PT”.

“É natural que eu não conheça todos os projetos tocados pela prefeitura. Isso é normal. Mas posso dizer muitas coisas que o PSB fez”, disse, listando obras do governo de Eduardo Campos na capital.

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No segundo bloco, o democrata voltou a atacar a administração municipal, culpando PT e PSB, recém-separados, pela sujeira nas ruas. “O lixo está tomando conta da cidade... Recife antigo abandonado, periferia mal cuidada”, listou. “A responsabilidade por essa gestão é do PT e PSB”, completou.

Daniel Coelho também procurou associar Geraldo Júlio à mal avaliada gestão petista. O tucano chegou a dizer que algumas das propostas defendidas pelo candidato do PSB são “idênticas” às apresentadas por João da Costa há quatro anos. “O povo do Recife não é besta e tem o poder de analisar”.

Candidatura imposta

O PT governa Recife desde 2001 com apoio do PSB. As duas siglas romperam após o prefeito João da Costa ser derrotado nas prévias por Maurício Rands, mas a cúpula nacional do partido interveio e bancou Humberto Costa, com aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apoio da presidenta Dilma Rousseff.

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“Minha candidatura não foi imposta, atendi ao pedido de um pernambucano. O homem que mais fez por Pernambuco”, afirmou Humberto Costa, referindo-se a Lula, ao ser questionado por um jornalista se a perda da liderança nas pesquisas poderia ser atribuída ao “artificialismo” de sua candidatura.

O candidato petista disse ainda que, reconhecendo as “fragilidades” da administração do atual prefeito, Lula e Dilma, com “respaldo do diretório municipal”, escolheram-no para resgatar um “projeto político”.

Embate direto

No primeiro e único duelo entre líderes nas pesquisas, durante o terceiro bloco do programa, Humberto Costa perguntou a Geraldo Júlio sobre as propostas para a população idosa. O candidato socialista respondeu que criará um centro de atenção ao idoso e unidades de pronto-atendimento com especialidades geriátricas e foi ironizado pelo petista. "Eu pensei que o candidato Geraldo Julio, que criou tudo no mundo, ia dizer que criou também as academias".

Mensalão

O caso “mensalão” teve pouco destaque durante o debate. Questionado por um jornalista se ele concordava com a afirmação de seu coordenador de campanha que o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) estaria atrapalhando sua candidatura, Humberto Costa discordou. “Não tenho nada a ver com o que aconteceu no mensalão. Isso não traz nenhuma repercussão sobre candidatura”, disse. “O povo já julgou sobre essa questão quando reelegeu Lula”, acrescentou ainda.

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