Candidatos apostam em ‘voto útil’ na reta final da campanha

Mais racional, voto é utilizado contra um candidato considerado pior pelo eleitor, mas favorito nas pesquisas

Rafael Abrantes - Brasil Econômico |

O velho ditado na política sobre “conquistar corações e mentes” dos eleitores pode explicar os dois lados de um voto em frente às urnas. As próximas, e últimas, semanas de campanha eleitoral antes do 1º turno deverão acentuar o lado afetivo ou racional de cada eleitor sobre seus candidatos favoritos e gerar novos cenários nas pesquisas de intenção de voto.

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É agora, portanto, a pouco menos de um mês da eleição, que o chamado voto útil — ou voto racional, como preferem os especialistas — pode fazer a diferença na disputa municipal, sempre volátil. “Normalmente, esse tipo de voto ocorre quando os nomes dos candidatos já estão razoavelmente conhecidos pela grande maioria do eleitorado e as principais tendências parecem definidas. O voto útil, ou racional, é um voto contra um candidato que o eleitor considera pior”, explica o cientista político Leôncio Martins Rodrigues.

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Um candidato considerado pior pelo eleitor, porém, pode ser favorito nas pesquisas de intenção de voto, ressaltam especialistas. “É um voto para desestabilizar outro candidato em posição mais favorável”, comenta Maria do Socorro Braga, professora de ciência política da Universidade de São Paulo (USP).

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Ela acredita que essa alternância do eleitor deverá acontecer na disputa em São Paulo até outubro. Seria uma tentativa, por boa parte do eleitorado, de evitar uma vitória ‘tranquila’ de Celso Russomanno (PRB) no segundo turno. O ex-apresentador de TV tem atualmente 35% das intenções de voto, segundo o Datafolha, e mantém-se à frente do ex-governador José Serra (PSDB), com 21%, e do petista Fernando Haddad (16%). “Isso (voto útil) acontece geralmente nas duas últimas semanas de campanha, e as pesquisas são o principal indicador para o eleitor fazer este cálculo”, completa Socorro.

De fato, o surpreendente crescimento de Russomanno levou os estrategistas das principais candidaturas paulistanas a elaborarem planos com o intuito de explorar o lado ‘mais racional’ do voto. “Estamos mostrando como o PT deixou a cidade (pós-gestão Marta Suplicy) e reforçando a presença de tucanos importantes, como (o governador) Geraldo Alckmin e (o ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso na campanha. Não há como negar que faz parte desta estratégia conquistar os votos tradicionalmente antipetistas”, afirma Edson Aparecido, coordenador da campanha serrista, ao detalhar a aposta tucana para garantir Serra num segundo turno.

O PSDB, contudo, também é alvo da mesma estratégia. No quartel general de Gabriel Chalita também foi desenhada uma ofensiva para explorar o voto útil da classe média que tradicionalmente vota na legenda tucana, mas teme uma polarização entre PT e Russomanno — considerado por esse nicho de eleitores um aventureiro, como foi o ex-prefeito Celso Pitta, e o ex-presidente Fernando Collor de Mello. “No passado, o voto antimalufista beneficiou seus adversários”, lembra Rodrigues. A escolha, porém, não evitou a vitória de Pitta, em 1996.

Para o cientista político Antonio Lavareda, este tipo de voto não é decisivo. “O voto útil tem um papel pequeno. É mais uma fabulação da política, com pouca consistência. O eleitor sempre votará no candidato que o seduz”, afirma.

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Colaborou Pedro Venceslau

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