À espera de Dilma, candidatos apostam em padrinhos locais no 7 de setembro

Presidenta já anunciou que deve entrar em campanhas após Dia da Independência; enquanto isso, aliados apostam em proximidade com lideranças regionais a um mês do 1º turno

iG São Paulo |

No Brasil, em ano de eleição, costuma-se dizer que o eleitor só começa a se preocupar em definir seu voto após o feriado de 7 de setembro, o Dia da Independência. Este ano, a frase ganhou mais força após a presidenta Dilma Rousseff , apontada como um dos principais cabos eleitorais do País, sinalizar que definiria sua participação em campanhas de candidatos aliados somente após as comemorações do Dia da Pátria . À espera de Dilma, vários postulantes às Prefeituras de importantes capitais brasileiras decidiram aproveitar a data cívica para intensificar o contato com os militantes, participar de eventos de cunho social ou “colar” em líderes regionais em busca de maior prestígio e numa tentativa de demonstrar apoio político a um mês do 1º turno das eleições .

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Em Brasília, Dilma tem presença confirmada na cerimônia do desfile cívico nesta sexta-feira (7), que será realizado na Esplanada dos Ministérios e deve atrair cerca de 40 mil pessoas, de acordo com previsão dos organizadores. O evento tem início programado para as 8h45 e, segundo o protocolo oficial, a presidenta assistirá ao desfile das tribunas, ao lado de autoridades. Ela será recebida pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e pelo governador do Distrito Federal, o correligionário Agnelo Queiroz (PT). O vice-presidente Michel Temer (PMDB) não participará do evento porque estará em Londres acompanhando o encerramento dos Jogos Paralímpicos, mas alguns ministros são esperados.

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Este será o segundo desfile cívico do Dia da Independência que Dilma acompanhará na condição de presidenta eleita. No primeiro, em 2011, o ano inaugural de seu governo, Dilma levou a filha, Paula, e o netinho, Gabriel, então com 1 ano de idade . Assim como no ano passado, a presidenta trouxe a família para a capital federal, mas ainda não há confirmação oficial sobre a participação de seus familiares. Na última quinta-feira (6), em cadeia nacional de rádio e televisão, Dilma fez um pronunciamento à nação em homenagem ao dia da Independência e aproveitou para enumerar algumas ações do governo para fortalecer a economia. Entre as medidas anunciadas, a presidenta destacou uma redução de alíquotas das contas de luz a partir de 2013. 

Agência Brasil
Em 7 de setembro de 2011, a presidenta Dilma Rousseff levou o neto e a filha ao desfile cívico na Esplanada dos Ministérios

Outro cabo eleitoral disputado por candidatos da base governista nas eleições de 2012, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva  em princípio não tem compromissos programados para o feriado de 7 de setembro. De acordo com a assessoria do Instituto Lula, o petista não vai ao desfile na Esplanada nem ao Grito dos Excluídos. Lula se poupa no fim de semana prolongado e se prepara para fazer novas gravações de programas eleitorais de candidatos do PT e para sua participação mais ativa na fase aguda da campanha.

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No mês passado, a presidenta Dilma Rousseff já havia sinalizado a aliados que definiria a melhor forma de participação nas campanhas eleitorais após o feriado de 7 de setembro – se apenas gravaria participações para os programas de televisão ou se subiria ao palanque em algumas cidades estratégicas para o PT. Entre as capitais consideradas mais importantes para o partido, estão São Paulo, Belo Horizonte e Recife.

Gritos dos Excluídos, carreatas e eventos de rua

Enquanto esperam pela definição de Dilma, candidatos aliados da presidenta – e também os de oposição ao governo federal – não perdem tempo e intensificam a campanha no feriado, a exatos 30 dias do 1º turno da eleição municipal. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, o petista Fernando Haddad , em ascensão nas últimas pesquisas, não vai ao desfile cívico do Dia da Pátria. Segundo sua assessoria, ele participará do Grito dos Excluídos, organizado por movimentos sociais como a Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Comissão Pastora da Terra (CPT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outros. O líder nas pesquisas , Celso Russomanno (PRB), participará de uma carreata na em comemoração ao Dia da Independência, com saída do estacionamento da Assembleia Legislativa. José Serra (PSDB) terá encontro com movimentos populares da área de habitação, e  Gabriel Chalita (PMDB) também fará uma carreata, na Freguesia do Ó.

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Roberto Stuckert Filho/Presidência da República
O ex-ministro da Educação Fernando Haddad, ao lado da presidenta: petista opta pelo Grito dos Excluídos no dia 7 de setembro

Em Belo Horizonte, o candidato do PT, o ex-ministro Patrus Ananias , apoiado por Dilma e Lula, fez a mesma escolha de Haddad e vai à Marcha dos Excluídos. Com isso, ele não participará do desfile cívico oficial da capital mineira, no qual estará presente seu adversário na disputa eleitoral, o prefeito e candidato à reeleição, Márcio Lacerda (PSB). A cerimônia acontece na Avenida Afonso Pena, em frente ao Parque Municipal, e também é esperada a presença do governador Antonio Anastasia (PSDB) e do senador Aécio Neves (PSDB), ex-governador do estado e principal fiador da candidatura de Lacerda. À noite, Patrus e Lacerda se encontram em um debate promovido pela RedeTV! e pelo jornal Folha de S.Paulo. 

No Recife, a principal liderança política de Pernambuco, o governador Eduardo Campos (PSB), é aguardada no desfile do Dia da Pátria, do qual também participará seu candidato, Geraldo Júlio (PSB), líder nas últimas pesquisas de intenção de voto. Segundo sua assessoria, após a cerimônia, Geraldo Júlio terá atividades de campanha nas ruas e em praias da capital pernambucana. O candidato petista Humberto Costa ainda não havia definido sua agenda para esta sexta, mas, de acordo com sua assessoria, em princípio não participaria do desfile e se concentraria para o debate eleitoral organizado pela RedeTV! e pela Folha, no próximo domingo (9).

Desfile 'une' adversários

Em Porto Alegre, uma das capitais com a eleição mais disputada até aqui, os dois principais candidatos, o prefeito José Fortunati (PDT) e a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB), se encontrarão no desfile cívico que será realizado na Avenida Loureiro da Silva (Perimetral). O petista Adão Villaverde, por sua vez, participará de eventos de rua, mas sua assessoria ainda não havia divulgado se o candidato irá ao desfile ou à Marcha dos Excluídos na capital gaúcha. Se for ao desfile, Villa deve encontrar o correligionário Tarso Genro (PT), governador do Rio Grande do Sul, que é aguardado na cerimônia.

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Divulgação
A candidata do PCdoB à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela D'Ávila (PCdoB), participará do desfile cívico na capital gaúcha, no qual também estará presente o prefeito e adversário José Fortunati (PDT)

Em Salvador, os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas, ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT), ainda não havia definido suas agendas oficiais para esta sexta. O postulante do PMDB à Prefeitura da capital baiana, Mário Kertész , não estará presente no desfile do Dia da Pátria, para o qual irão alguns de seus “mobilizadores de campanha”, segundo a assessoria. 

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No Rio de Janeiro, o prefeito e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB), vai participar de uma caminhada de campanha pela manhã e, até o fechamento desta reportagem, não havia confirmado se irá ao desfile ou se será representado pelo vice, Carlos Alberto Vieira Muniz. Marcelo Freixo (PSOL) vai ao Grito dos Excluídos na capital fluminense, também pela manhã, e depois grava programas para o horário eleitoral gratuito.

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