Discussões de Paes e Freixo sobre milícias dominam debate no Rio

Após tirar foto com milicianos, prefeito acua rival citando revelação de candidato a vereador do PSOL expulso horas antes do encontro, suspeito de integrar máfia armada da zona oeste

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

O debate do Rio promovido pela RedeTV! e Folha de S.Paulo foi marcado por discussões sobre as milícias entre os dois primeiros colocados nas pesquisas eleitorais, o prefeito e candidato à reeleição Eduardo Paes (PMDB) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Acuado pela revelação nesta quarta-feira (5) de que o candidato a vereador Berg Nordestino (PSOL) teria integrado milícia do ex-vereador preso Deco na zona oeste, Freixo – que presidiu a CPI das Milícias – parecia tenso e abatido no debate, desde antes do início do programa.

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Líder com mais de 50% das intenções de votos, Eduardo Paes manteve-se mais sereno e irônico. Ao ouvir um jornalista perguntar Freixo sobre o candidato expulso, o prefeito simulou cara de espanto, como se desconhecesse o caso. Depois, continuou calmo, mesmo quando questionado pelo adversário sobre foto no gabinete em que aparece ao lado de três representantes do transporte alternativo indiciados na CPI das Milícias.

“Isso é um misto de leviandade e desespero. Freixo sempre invoca relatório de milícias. Recebo muita gente na sala do prefeito. Não peço certidão de antecentes criminais. Nem eu nem seu partido, pelo jeito. Tomei susto que tinha um candidato do seu partido miliciano. Você sempre cita o relatório das milícias. Aquilo não é a Biblia, deve ser um um bom trabalho. Nem você sabe. Seu partido não checa nem o senhor”, provocou.

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Freixo respondeu que não havia nada criminal contra o candidato quando se inscreveu no partido e que “só é citado, não indiciado” no relatório final. Segundo ele, o partido começou a desconfiar de Berg há duas semanas e que ele foi expulso do partido nesta quarta. “Tudo indica que era um infiltrado, porque não faz nenhum sentido vir nenhum candidato ligado a vereador no PSOL.”

Em seguida, irritado, foi veemente na réplica. “(A reunião de Paes) Foi com um bando de cooperativas de vans, para decidir as licitações de vans. Antes fez acordo com cooperativas, só fez licitação depois da reportagem do Fantástico. São líderes de milícias, são chefes da milícia e o chefe da Casa Civil participou. Os indiciados eram conhecidos. Não era acaso, era para decidir o transporte alternativo”, acusou Freixo.

Novamente, Paes preferiu a ironia. “Vou manter o bom nível. Fico impressionado: o PSOL teve um sujeito preso, o senhor andou na Rocinha com uma vereadora que teve assessor preso, negociando com o Nem. Vai para a rua com ela pedir voto. Quem tem de ler relatório é o senhor. Só abandonou o tal do Berg depois que descobriu que tinha um miliciano citado no relatório.

Nas considerações finais, Freixo voltou ao tema e sugeriu ao telespectador uma comparação com Paes sobre o tema. “Coloque na internet o meu nome e ao lado a palavra ‘milícia’ e o nome do outro candidato e veja o resultado.”

Isolado em segundo, candidato do PSOL também é alvo de adversários

O candidato do PSOL, que tem crescido nas pesquisas e assumido com folga a segunda posição (entre 13% e 14%, dependendo da enquete, embora Paes tenha de 52% a 54%), também sofreu ataques de outros adversários. Foi acusado pelo tucano Otávio Leite de propor aumento de IPTU, e respondeu que quer reforma tributária e nova taxação progressiva para imóveis vazios.

Rodrigo Maia (DEM) preferiu centrar fogo sobre o atual prefeito. “Você vê no programa de TV o prefeito andando sem trânsito. O Rio está bombando para você? As ruas estão bombando para você? A Educação está bombando para você? A Saúde está bombando para você?“, questionou, repetindo bordão que usa na TV e no rádio.

Depois, Maia afirmou que ele esconde apoiadores, em referência ao ex-subchefe da Casa Civil e ex-secretário de comunicação do PT, Marcelo Sereno. “Não fujo de candidato a vereador, que é apadrinhado de José Dirceu. A gangue dos guardanapos (alusão a foto de políticos com o empresário da Delta, Fernando Cavendish, investigado pela CPI do Cachoeira) tinha um integrante do governo, o secretário de Urbanismo.”

Paes evitou se associar a Cavendish. “Não estou nem aí para esse empreiteiro, quero que ele toque a vida dele. Compete a ele explicar na CPI os pecados que ele tenha cometido ou não.”

Os candidatos criticaram ainda a terceirização da Saúde – Freixo afirmou que a prefeitura gastou R$ 1,6 bilhão sem licitação na área de Saúde –, as cracolândias na cidade, problemas de trânsito, o desempenho da Educação.

Como resposta, Paes afirmou que Maia representa, na Educação, a (mistura da) “aprovação automática (referência a política do pai, Cesar Maia, quando prefeito) com o último Ideb do Rio, que é a da Prefeitura de Campos (gerida por Rosinha Garotinho, mãe de Clarissa Garotinho, vice na chapa de Maia). O deputado Rodrigo Maia respondeu que Paes “nega o seu passado” e trocou de partido inúmeras vezes na carreira. “Você não tratava assim o prefeito Cesar Maia. É um absurdo o que você faz”, disse.

Na lanterna das pesquisas entre os presentes, Otávio Leite e Aspásia Camargo não se envolveram em tantas polêmicas e tiveram atuação discreta.

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