Paulinho da Força: 'A presidenta Dilma enganou os servidores federais'

Candidato do PDT à Prefeitura de São Paulo critica o comportamento da petista após acordo com grevistas

Rafael Abrantes e Pedro Venceslau - Brasil Econômico |

Fundador do PT em 1980, o deputado federal e sindicalista Paulinho da Força (PDT) divide sua agenda política hoje entre petistas, em Brasília, e tucanos, em São Paulo. Em entrevista ao Braisl Econômico , ele comenta sua relação com os dois partidos adversários, analisa os resultados da greve dos servidores e avalia a gestão do prefeito Gilberto Kassab .

Brasil Econômico - O senhor é a favor ou contra o projeto de lei que regulamenta a greve dos servidores no País?

Paulinho - A proposta do governo de reajuste (salarial) de 15,8% dividido em três anos não resolve nem a inflação. As categorias, de certa maneira, saíram derrotadas (da greve). Mais para frente a presidente Dilma voltará a ter problemas com essas categorias. Sou favorável à regulamentação do direito de greve dos servidores. As categorias têm esse direito, mas temos que discutir o que elas precisam garantir para atender a população.

Divulgação/Jaélcio Santana
O candidato à Prefeitura de São Paulo Paulinho da Força (PDT) faz caminhada de campanha no comércio do Grajaú: fortes críticas à presidenta Dilma Rousseff

Brasil Econômico - Algumas categorias não passaram dos limites, como a Polícia Federal, que liberou passagem nas fronteiras?

Paulinho - Acho que foi até pouco. A responsabilidade é da presidente Dilma, que enganou os trabalhadores e eles perderam a paciência com o governo. O governo foi irresponsável com os trabalhadores.

Brasil Econômico - Quem o senhor considera aliado prioritário: a presidenta Dilma Rousseff ou o governador Geraldo Alckmin?

Paulinho - Estou com os dois. Claro que nós temos problemas com Dilma que não se resolveram até agora. Essa coisa de aliados não cabe nas questões trabalhistas.

Brasil Econômico - Mas em 2014 pode haver uma aliança com Alckmin...

Paulinho - Em 2014 pode. Vamos ainda discutir muito isso, mas até agora não tem nada fechado.

Brasil Econômico - Como avalia os oito anos da gestão Serra/Kassab em São Paulo?

Paulinho - Kassab concentrou a administração, um dos erros da sua gestão. Ele colocou a Prefeitura muito longe da população. Mas teve alguns acertos, como o Cidade Limpa, a construção de AMAs e creches. Ele construiu o que tinha prometido, mas isso aumentou a demanda. Hoje temos 130 mil crianças fora da creche. Meu programa defende a descentralização da Prefeitura, com eleição direta para sub-prefeitos.

Brasil Econômico - Se eleito prefeito, como vai lidar com uma greve dos servidores municipais?

Paulinho - Se eu for eleito, dificilmente terá greve na minha administração porque vou montar uma mesa de negociação permanente vinculada ao meu gabinete. Vou mostrar aos servidores seus direitos, mas também seus deveres e a realidade da Prefeitura. Assim, acredito que não enfrentarei greves, como não houve greves no governo Lula, que abriu negociação diretamente com os servidores. Com a Dilma tem greve porque ela não conversa com ninguém.

Brasil Econômico - Qual a diferença de comportamento de Dilma e de Lula em relação ao movimento sindical?

Paulinho - Eu votei no Geraldo Alckmin em 2006 (para presidente), mas acabei apoiando muito o segundo mandato do Lula porque ele abriu o governo para negociação com os sindicatos. A presidente Dilma não tem relacionamento, nem conversa com os servidores. Ela vai enrolando as pessoas, e chega um momento que a paciência acaba.

Brasil Econômico - O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), disse ao Brasil Econômico que se Dilma e Lula entrarem na campanha de lá haveria uma resposta no Congresso e na eleição de 2014. Concorda com essa posição?

Paulinho - Eu acho que ele tem razão. Não dá para ser da base aliada e ter uma preferência da Dilma e do Lula. Tanto ele (Fortunati) quanto a Manuela (D'Ávila, do PCdoB) são da base, então o governo deveria manter-se neutro. Como deveria se manter em São Paulo, mas como o PT é o PT, ele pode e a gente aceita. Como não respeita (a candidatura de aliados da base), cria-se uma situação complicada para o futuro, e a gente não é obrigado a apoiar depois.

Brasil Econômico - Como vê hoje a queda do ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em 2011?

Paulinho - As acusações contra ele eram um pouco insufladas dentro do Palácio do Planalto. A Comissão de Ética do Planalto, por exemplo, que decidiu contra o Lupi, não decidiu contra o (Antonio) Palocci, ex-ministro da Casa Civil, e outros ministros. Deve ser porque não queriam mais o Lupi lá.

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