MP deve investigar suposto envolvimento de Mabel com "esquema Cachoeira"

Dossiê em mãos da CPI afirma que o deputado recebeu R$ 37 milhões com a venda de licitações de transporte em Goiás. Relator da CPI avalia documento para pedir investigação

Nivaldo Souza iG Brasília| | - Atualizada às

O relator da CPI do Cachoeira , deputado Odair Cunha (PT-MG), está avaliando o dossiê encaminhado pela Advocacia-Geral da União (AGU) no qual o deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) aparece como pivô de uma “bolsa de apostas” cuja função seria cobrar propina de empreiteiras dispostas a concorrer em licitações na área de transporte de Goiás.

Veja o dossiê em poder da CPI do Cachoeira que incrimina o deputado Sandro Mabel

O parlamentar teria recebido R$ 37 milhões de construtoras interessadas em obras ao longo de 270 quilômetros da BR-060. Segundo o dossiê, o "esquema Cachoeira de donativos" envolveu 15 empresas, funcionários do Ministério do Planejamento, a Federação das Indústrias de Goiás (Fieg) e a superintendência regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de Goiás.

Procurado pelo iG, Sandro Mabel disse que não comentaria dossiê apócrifo. O documento não assinado foi entregue pelo Movimento Brasil Ficha Limpa à AGU, que o protocolou e encaminhou ao presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). A reportagem do iG procurou pelos representantes do Movimento Brasil Ficha Limpa, mas o único contato que consta no site da entidade é uma caixa postal em Brasília.

Apesar da autoria do dossiê não estar clara, o teor do documento foi divulgado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) nesta semana, durante depoimento à CPI pelo ex-diretor nacional do Dnit, Luiz Antônio Pagot. “Esse documento passa a ser uma peça importante para a CPI”, afirma.

O dossiê chegou primeiro às mãos de Pagot. “Há uma questão de 21 dias recebi esse documento apócrifo com esse teor”, afirmou o executivo ontem ao iG, sem confirmar se as denúncias são verdadeiras. Mas indica que as acusações são “coerentes”. Ele recomenda o “aprofundamento da investigação”

Segundo o senador Randolfe, o dossiê contém “informações que servem de roteiro para investigação”. “Vou encaminhá-lo para o procurador que está cuidando do Caso Cachoeira e, como envolve pessoas com foro privilegiado, também enviarei ao procurador-geral da República”, diz.

O deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI, já recebeu uma cópia do documento e está analisando. Segundo sua assessoria, ele deverá encaminhá-lo para o Ministério Público apurar as denúncias.

Esquema rende R$ 74 milhões

O dossiê aponta a existência de uma “bolsa de apostas” para venda antecipada de resultado de licitações na área de transportes. O suposto esquema consistiria em cobrar das empreiteiras interessada 6% do valor total de uma obra.

A cobrança antecipada seria pedida com o argumento de servir para o Dnit-GO realizar os estudos técnicos da obra. Teria o suposto apoio do então supervisor do órgão goiano Alfredo Soubihe - exonerado do cargo em junho pelo ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes), após conversa interceptadas na Operação Monte Carlo terem identificado o executivo e o bicheiro Carlinhos Cachoeira tramando a derrubada do antecessor de Passos, o ex-ministro Alfredo Nascimento.

O “donativo” seria arrecadado, segundo consta do dossiê, junto a empresários pela Fieg. Ela contrataria uma empresa para elaborar projeto executivo de obras e, em seguida, doaria o trabalho para o Dnit-GO.

Mabel seria o articulador de uma bancada federal que abriria espaço no orçamento federal para a contratação da obra. Teriam sido realizadas duas emendas orçamentárias articuladas pelo parlamentar (2009 e 2010) e elaborados quatro editais de licitação no total de R$ 357 milhões incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

No caso da BR-060, orçada em R$ 1,249 bilhão, o grupo teria levantado R$ 74 milhões (6% do total da obra). Além dos R$ 37 milhões supostamente recebidos por Mabel, três fatias de R$ 12,5 milhões teriam sido repassadas a Soubihe, a funcionários de alto escalão federal, a Carlinhos Cachoeira e Cláudio Abreu, ex-diretor da construtora Delta no Centro-Oeste.

A denúncia aponta ainda a intenção do grupo para realizar novos negócios envolvendo a duplicação da BR-153 (entre Goiás e Tocantins), a BR-060 (Goiás-Mato Grosso) e a construção do anel viário de Goiânia. As obras seriam incluídas no PAC por um valor total de R$ 4 bilhões.

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