Ex-diretor da Dersa nega que arrecadava para campanhas para o PSDB

Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, alegou que nunca procurou ou foi procurado por empresas interessadas em fazer doações de campanha

iG São Paulo | - Atualizada às

O engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da empresa rodoviária do governo de São Paulo (Dersa), disse na CPI do Cachoeira que não arrecadou recursos para campanhas do PSDB no Estado.

“Eu nunca atuei na área de campanha política de nenhum candidato”, afirmou. Souza também alega que nunca procurou ou foi procurado por empresas interessadas em fazer doações. Conforme disse, ele só realizou uma doação como pessoa física, no valor de R$ 5 mil, para a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB).

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Agência Câmara
Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, chega à CPI do Cachoeira para depor


O relator da CPI, o deputado Odair Cunha PT-MG, questionou se o pedido de aditivo para a obra do trecho sul do Rodoanel seria para o uso da campanha eleitoral do PSDB de 2010, conforme publicado pela revista IstoÉ. 

Souza respondeu que move hoje sete processos criminais e nove por danos morais (dos quais já ganhou cinco em segunda instância), dois deles contra a revista IstoÉ. “A matéria da IstoÉ, Carta Capital, Época, é mentirosa, leviana", afirmou.

"Conheço todas as grandes empresas e os presidentes das empresas e nunca vi nenhum empresário fazer oficialmente contribuição para campanha sem consultar quem de direito, o candidato. E eu ia pedir R$ 4 milhões? É acusação de má fé, injúria", disse.

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Souza afirmou que todas suas alegações estão amparadas por documentos que serão entregues para à CPI. "Não tenho medo de absolutamente nada. Eu não tenho medo de mim", disse, ressaltando que abriu seu sigilo bancário por iniciativa própria. “Eu não saio desta casa sem entregar todos os documentos comprobatórios para a CPI."

O ex-diretor, acusado de ter sido responsável por contatos entre a Dersa e a empresa Delta Construções - acusada de ser irrigadora de empresas de fachada envolvidas no esquema de Cachoeira -, afirmou conhecer o ex-presidente da construtora, Fernando Cavendish.

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Ele se mostrou magoado com a forma com que foi demitido do governo tucano em São Paulo, em 2010. "Fui demitido oito dias depois de entregar as três maiores obras Rodoanel, Jacu-Pêssego, Marginal Tietê e rodovia dos Tamoios. Os incompetentes devem ter medo de mim", disse.

O engenheiro também repudiou o apelido "Paulo Preto", atribuído a ele pela impressa, mas nunca usado por funcionários da Dersa, segundo ele. "É prejorativo, para magoar e macular a minha imagem", completou.

Antes de começar a ser questionado pelo relator da CPI, o deputado Odair Cunha (PT-MG), Paulo agradeceu a convocação pela CPI. "O Senado e a Câmara estão dando ao líder ferido pela primeira vez a oportunidade de falar. Pedi a Deus para ser convocado."

Assad

Souza, que já participou de maratonas e provas de triathlon, disse conhecer o empresário Adir Assad apenas como atleta. “Todos os triatletas treinam no mesmo lugar. Desconheço se ele trabalhou como subcontratado. Ele nunca entrou na Dersa.”, disse

Assad é apontado como dono das empresas JSM Terraplanagem e SP Terraplanagem, entre outras, que teriam recebido aproximadamente R$ 48 milhões da Delta Construções para pagar propinas e financiar campanhas, segundo a PF. O empresário compareceu à CPI nesta terça-feira , mas permaneceu em silêncio emparado por um habeas corpus concedido pelo STF.

Acareação

Paulo Vieira de Souza afirmou que aceitaria fazer uma acareação com o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot, que depôs na CPI ontem . “Aceito acareação com qualquer pessoa no planeta Terra”, disse, em resposta ao senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP).

De acordo com o senador, o depoimento de Souza está em contradição com o de Pagot. A Advocacia-Geral da União (AGU), segundo o ex-diretor da Dersa, afirmou que o Dnit era incompetente para assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para fazer um aditivo de R$ 264 milhões para as obras do Rodoanel de São Paulo. Já Pagot afirmou que ele não assinou o TAC porque não aceitou fazer a obra do Rodoanel por empreitada global.

CPI hoje

A CPI do Cachoeira se reúne hoje para receber, além de Paulo Preto, o ex-dono da Delta Fernando Cavendish. O empresário ingressou e conseguiu habeas corpus para permanecer em silêncio.

Também poderá ser ouvido hoje Gilmar Morais, ex-marido de Roseli Pantoja, cujo nome consta como societária de uma das empresas fantasmas usadas no esquema de Cachoeira. Roseli relatou à CPI ontem que sofreu ameaças, assim como seu ex-marido.

Com Agência Câmara e Valor Online

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