CPI ouve ex-diretor da Dersa e Cavendish, que deve ficar em silêncio

Ex-presidente da construtora Delta, investigada pela comissão, empresário conseguiu habeas corpus para não falar; parlamentares esperam ouvir Paulo Vieira de Souza

iG São Paulo | - Atualizada às

Um dia depois do depoimento do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, a CPI do Cachoeira , que investiga as ligações entre o grupo do contraventor Carlos Auguso Ramos, o Carlinhos Cachoeira , e políticos e empresários, se prepara para receber outro "figurão", cuja fala era muito aguardada desde o início das investigações. Nesta quarta-feira (29), estará na sessão o ex-presidente da Delta Construções, o empresário Fernando Cavendish, que tem depoimento programado para as 10h15. 

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Mas os parlamentares não devem esperar muitas revelações no depoimento de Cavendish. Seus advogados conseguiram habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), dando ao empresário o direito de permanecer em silêncio e não responder a nenhum questionamento para que não produza provas contra si mesmo. 

Cavendish, no entanto, terá de comparecer à CPI, já que o pedido de dispensa apresentado por seus advogados foi negado pelo relator do habeas corpus no STF, ministro Cezar Peluso.

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Além de Cavendish, também foi convocado Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa , estatal responsável pela manutenção de rodovias no estado de São Paulo.

Paulo Vieira foi convocado pela CPI depois que a imprensa publicou entrevista com Luiz Antônio Pagot, que denunciou tentativa de formação de caixa 2 em campanha eleitoral para candidatos do PSDB. A expectativa é de que ele responda aos questionamentos dos parlamentares. 

A Delta é apontada pela Polícia Federal como irrigadora de empresas de fachada envolvidas no esquema de corrupção e desvio de dinheiro público do qual Cachoeira fazia parte. O bicheiro está preso desde 29 de fevereiro, após a Operação Monte Carlo da Polícia Federal. 

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Maior detentora de contratos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e atuante em vários estados, a Delta chegou a ser colocada à venda por apenas R$ 1, assim que surgiram as notícias de envolvimento da empresa com Cachoeira. O negócio, porém, foi posteriormente cancelado.

Desde então, senadores e deputados de oposição passaram a cobrar a convocação do dono da Delta.

Pagot

No depoimento desta terça-feira, Pagot negou ter arrecadado dinheiro para campanhas políticas, mas admitiu ter pedido a empresas que tinham contratos com o órgão doações para o PT na campanha de Dilma Rousseff durante o primeiro turno das eleições presidenciais de 2010.

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Ele disse que não agiu politicamente para que as empresas fizessem doações a comitês partidários, mas contou que foi procurado pelo então tesoureiro de campanha do PT, José de Filippi Jr., para obter informações sobre empresas que poderiam fazer doações.

“Não arrecadei para a campanha eleitoral. Penso que a forma de arrecadar é ir lá na empresa conseguir os valores, fazer com que os valores se apresentem nas contas públicas de campanha. Não tive atividade política, mas fui procurado pelo tesoureiro da campanha da presidenta Dilma [Rousseff] e ele me pediu ajuda."

Após o depoimento de Pagot, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que já há elementos mais do que suficientes para que a CPI peça o indiciamento de Cavendish por corrupção ativa e formação de quadrilha. "Está patente para mim que a Delta é a cabeça de um esquema de corrupção com tentáculos em praticamente todos os estados do País", afirmou.

Após Pagot, o empresário Adir Assad, dono das empresas JSM Terraplanagem Ltda. e SP Terraplanagem Ltda, compareceu para depoimento à CPI. Amparado por habeas corpus concedido pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), Assad afirmou que permaneceria em silêncio.

Com Agência Senado e Agência Brasil

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