Pelegrino recebe doação de empreiteira que investigou em CPI

Petista investigou supostas irregularidades contra a OAS em 1992; prestação parcial de contas mostra que candidato recebeu R$ 500 mil para sua campanha

João Paulo Gondim - iG Bahia |

Lúcio Távora/Agência A Tarde/AE
Nélson Pelegrino (PT), ao centro, entre o governador da Bahia, Jaques Wagner, e a vice na chapa, Olívia Santana: doação de empreiteira investigada em 92

O candidato do PT à Prefeitura de Salvador, Nelson Pelegrino , recebeu R$ 500 mil da Construtura OAS Ltda, em 26 de julho deste ano. Essa é a única doação parcial ao petista que consta no registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 1992, quando era deputado estadual, ele integrou CPI para apurar denúncia de corrupção na OAS. Havia a suspeita de que a empreiteira era beneficiada nos governos de Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) e de seus aliados.

Indagado sobre a doação de uma construtora já investigada por ele mesmo, Pelegrino apenas respondeu: "Só digo o seguinte: as minhas doações estão todas registradas conforme a lei. A única coisa que eu tenho a declarar é essa".

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No sistema do TSE, a empresa ainda não deu dinheiro para outro concorrente do PT na corrida soteropolitana. A empreiteira é de propriedade de César Matta Pires, casado com uma das filhas de ACM, Teresa Helena Magalhães Matta Pires.

O casal é rompido com os demais parentes de ACM desde a morte do patriarca. Mas a construtora já doava verbas para campanhas petistas desde 2002. Em 2010, deu R$ 1,5 milhão para a campanha vencedora de Jaques Wagner ao governo do Estado.

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O ápice do imbróglio familiar ocorreu em março de 2008, quando oficiais de justiça e PMs baianos entraram no apartamento da viúva de ACM, Arlette Magalhães, para levantamento de obras de arte e outros bens para o inventário. Teresa desconfiava que a família excluiu, de propósito, quadros e esculturas do inventário.

A juíza que concedeu a liminar de ocupação do imóvel foi Fabiana Pelegrino, mulher do prefeiturável. Integrantes do clã pediram, em vão, a suspeição da magistrada. À época, Pelegrino declarou não haver qualquer influência política no caso.

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A briga familiar não se restringiu à herança de peças valiosas. À época com 33% das ações da Rede Bahia - de propriedade da família Magalhães e retransmissora da Globo no Estado -, Matta Pires tentou ampliar o seu capital comprando ações do empresário Antônio Carlos Magalhães Júnior e dos herdeiros de Luís Eduardo Magalhães (1955-1998).

O genro perdeu a briga. Em junho deste ano, vendeu sua cota ao grupo EPTV. Integram, ainda, o quadro acionário da Rede Bahia ACM Júnior (33%) e Luís Eduardo Filho (33%).

Procurada, a construtora OAS não respondeu as perguntas do iG .

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