Russomanno corre atrás do 'voto certo' em São Paulo

Com pouco tempo de TV, estratégia do candidato será intensificar agenda nas zonas Leste e Sul, segundo coordenador de campanha

Pedro Venceslau e Rafael Abrantes - Brasil Econômico | - Atualizada às

Em desvantagem no horário eleitoral gratuito, o candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Russomanno (PRB) intensificará em setembro sua agenda de campanha nas ruas, assim como a presença de bandeiras da militância.

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A expectativa do presidente do PRB e coordenador da campanha, Marcos Pereira, é que a estratégia do corpo a corpo compense os poucos 2 minutos e 11 segundos de propaganda na TV. “Nosso foco será onde Celso já tem votos e pode melhorar”, afirma.

Deste modo, sua geografia do voto na cidade coincide com o mapa apurado pelo BRASIL ECONÔMICO , com base em levantamento feito pelo cientista político Carlos Novaes, por meio da ferramenta Geovoto e análise dos votos em cada urna eleitoral da capital desde 1988. “Na zona Leste e no extremo Sul, Celso está muito bem”, comenta.

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Ele ressalta, contudo, que bairros com “maior concentração de renda”, como Moema e Campo Belo, apontam o ex-governador José Serra (PSDB) como o principal adversário na briga por votos. Para Novaes, tais bairros — localizados na região Centro-Sul da cidade — são hoje ainda “intransponíveis” para Russomanno. Ou seja, sem chances de vitória.

Ricardo Bergamo, marqueteiro de Russomanno, discorda do tabu. “Celso é o candidato mais popular, tem grande eleitorado nas zonas Leste e Sul, e agora tem aumentado sua preferência entre a classe jovem”, observa.

"Ele já é a segunda opção de todo eleitor do Serra”, completa. Bergamo mostra cautela nas próximas estratégias sobre o eleitor, e afirma que avaliações sobre os programas na TV são viáveis apenas depois de duas semanas. “Somos líder. Não vamos nos precipitar."

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Para Maria do Socorro, professora de Ciência Política da Universidade de São Carlos (UFSCar), os 31% de intenção de votos de Russomanno, segundo a última pesquisa Datafolha , revelam maior adesão de eleitores de Fernando Haddad (PT), do que do tucano José Serra. “São votos de setores mais populares, nas periferias”, observa. “Mas a força de Russomanno ainda é circunstancial devido ao conhecimento dos seus programas de TV”.

Ela aponta que uma virada de Haddad rumo ao 2º turno vai depender do uso de lideranças populares do PT — Lula e Marta Suplicy . “Haddad é um candidato extremamente recente (na cidade). Mas ele tem um perfil mais próximo com a classe média conservadora, um segmento tradicional do Serra”. Segundo Socorro, esta característica do ex-ministro pode tirar Serra do páreo para o 2º turno.

Embora o sucesso da transferência de votos de Lula para Dilma Rousseff , em 2010, seja exemplo, a professora ressalta que há diferenças de cenário, com risco para Haddad. “Em São Paulo, existe mal-estar sobre o PT. Haddad também não é um candidato orgânico”.<EN>n R.A.

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