Mario Sergio Conti relata que maioria dos jornalistas responsáveis pelos furos de reportagem que levaram à derrocada do então presidente hoje trabalham com consultoria política

Nova edição do livro 'Notícias do Planalto', do jornalista Mario Sergio Conti
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Nova edição do livro 'Notícias do Planalto', do jornalista Mario Sergio Conti

A segunda edição do livro 'Notícias do Planalto', do jornalista Mario Sergio Conti, foi lançada pela editora Companhia das Letras em versão econômica, narrando as relações entre os principais veículos de comunicação e o poder na eleição e queda do ex-presidente Fernando Collor de Mello em 1992.

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A nova edição tem como novidade um posfácio em que o autor mostra que a maior parte dos jornalistas que contribuíram para a derrocada de Collor com furos de reportagem hoje auxiliam políticos a driblar a imprensa, no papel de consultores ou marqueteiros.

Ele cita Luís Costa Pinto, que assinou a entrevista com Pedro Collor na revista Veja . Na reportagem, o irmão do ex-presidente revelou que PC Farias era testa-de-ferro de Fernando Collor. Hoje, conforme relata Conti, Costa Pinto é consultor, e prestou serviços, por exemplo, ao governador de Brasília, Agnelo Queiroz, e ao deputado federal e réu do mensalão João Paulo Cunha. Costa Pinto é o mesmo jornalista citado no julgamento do mensalão devido a contratos com a Câmara dos Deputados.

Outro exemplo relatado por Conti é a trajetória de João Santana. No governo Collor, ele chefiava a sucursal da IstoÉ em Brasília, que descobriu Eriberto França. O motorista de Ana Aciolli, secretária de Collor, revelou as contas fantasmas usadas para pagar as contas pessoais do então presidente com dinheiro da Brasil-Jet, empresa de PC Farias. 

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Santana foi marqueteiro da campanha de reeleição de Lula e cuidou da imagem do ex-presidente durante o seu governo, além da eleição da presidenta Dilma. Ele também levou sua consultoria para candidatos na Argentina, Angola, República, Dominicana, Peru, Venezuela, El Salvador, entre outros.

"Os jovens repórteres que expuseram o governo de Fernando Collor não apuram mais notícias do Planalto. Quase todos abandonaram a imprensa", inicia Mario Sergio Conti em seu posfácio. "Quem ontem apontava as dissonâncias entre o marketing e a realidade é hoje marqueteiro."

A primeira edição de 'Notícias do Planalto', lançada em 1999, vendeu mais de 70 mil exemplares.

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