Mapa da guerra eleitoral em São Paulo mostra regiões que devem ser 'invadidas'

Desde 1988, mapa das urnas na capital paulistana repete a polarização entre o PT e alguma candidatura diametralmente antagônica;

Pedro Venceslau e Rafael Abrantes - Brasil Econômico | - Atualizada às

O comportamento geográfico do voto em São Paulo segue a mesma lógica desde 1988, quando a então petista Luiza Erundina quebrou paradigmas e venceu a eleição na capital. Desde então, em todos os pleitos — sejam eles nacionais ou locais — o mapa das urnas repete a polarização entre o PT e alguma candidatura diametralmente antagônica.  Clique aqui para ver o mapa interativo da guerra eleitoral em São Paulo .

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Em 2012, os estrategistas das principais campanhas levaram em conta esse dado na hora de elaborar a agenda dos candidatos. Segundo o cientista político Carlos Novaes, do Instituto Fluxodrama, o perfil das urnas segue sendo o mesmo nos últimos 24 anos. Ele começou a se debruçar sobre esses números logo depois do pleito de 1988, quando os dados do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) eram compilados em fitas da IBM.

Com o advento da internet, ele criou uma ferramenta chamada “Geovoto”, que já foi usada por vários candidatos. A pedido do BRASIL ECONÔMICO , Novaes usou sua base de dados para elaborar um raio-X dos bairros que devem receber mais atenção dos candidatos à prefeitura até o dia 3 de outubro, quando acontece o primeiro turno. “As preferências havidas são o primeiro comando para as preferências que estão em formação”, diz.

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Ele afirma que, ao contrário do que dizem muitos especialistas, nunca houve na capital uma polarização entre PT e PSDB. “Nessa eleição é como se o Pita fosse o Russomanno e o Haddad a Erundina. O que marca a eleição na cidade desde 1988 é que sempre tem alguém forte do PT de um lado. Entre 1992 e 2000, o outro lado era o Paulo Maluf ou algum malufista.”

O cientista político prevê que em 2012 a disputa será entre o PSDB ou outra candidatura que enfrentará o PT no segundo turno. “O Serra só vai para segundo turno se o Gabriel Chalita e o Celso Russomanno errarem muito”, conclui. Até o começo do horário eleitoral gratuito, as campanhas viveram momentos diferentes. Com base no histórico das agendas dos candidatos, é possível concluir que o Haddad investiu pesado em redutos tradicionais petistas para tornar seu nome conhecido entre os eleitores tradicionais da legenda, que formam 30% do eleitorado.

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Como já é conhecido pela população, Serra optou desde o começo por “invadir” territórios petistas. “Temos potencial de crescimento em bairros como Cidade Tiradentes, Guaianazes e Parelheiros, que são redutos do PT. Na periferia, nosso eleitorado é minoritário, mas expressivo”, avalia o deputado Walter Feldmann, um dos coordenadores da campanha tucana. Ele pontua que é preciso também consolidar o voto no centro expandido e na região centro sul, que são redutos tucanos. No caso dos petistas, a estratégia é deixar em segundo plano o núcleo duro anti-petista: a região central da cidade que engloba bairros como Perdizes e Higienópolis.

“Nosso foco são as zonas de fronteira entre o centro expandido e a periferia. Queremos entrar na periferia intermediária”, diz o vereador Antonio Donato, coordenador da campanha de Fernando Haddad. “Para eles, é mais difícil avançar em bairros como Cidade Tiradentes e Jardim Ângela”, conclui.

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