Maioria do STF condena ex-diretor do BB, Valério e sócios por desvios no banco

Seis ministros votaram pela condenação do empresário, apontado como financiador do mensalão, e dos ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz por corrupção ativa e peculato

iG São Paulo |

OBrito News
Apontado como financiador do mensalão, Marcos Valério foi condenado pela maioria dos ministros

Seis dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram pela condenação do empresário Marcos Valério por suposto desvio de recursos do Banco do Brasil na ação penal do mensalão.

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Contraponto: Lewandowski contraria Barbosa e vota por absolvição de petista

Valério foi considerado culpado dos crimes de corrupção ativa e peculato, assim como dois ex-sócios do empresário, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, pelos ministros Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia.

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Esses mesmos ministros também votaram pela condenação do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizolatto pelos crimes de corrupção passiva e peculato.

Embora a maioria dos ministros da Corte já tenha se manifestado pela condenação desses réus, eles ainda têm chance, mesmo que remota, de absolvição, pois qualquer um dos ministros pode alterar seu voto antes da proclamação da sentença, ao fim do julgamento.

Divulgação/STF
Marco Aurélio Mello, Cezar Peluso e o revisor Ricardo Lewandowski: seis dos 11 ministros já votaram sobre o item 3 da denúncia

João Paulo Cunha

Dos seis ministros que votaram nesta segunda-feira, quatro pediram a condenação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, o petista João Paulo Cunha (SP). Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia condenaram o petista, enquanto Lewandowski e Dias Toffoli o absolveram.

O então presidente da Casa, João Paulo Cunha, é acusado de receber R$ 50 mil para favorecer a empresa em uma licitação para serviços de publicidade de R$ 10 milhões. Por esse episódio, os publicitários Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, representantes da SMP&B, foram condenados pelos crimes de corrupção ativa e peculato. Mas Rosa absolveu João Paulo, divergindo de Barbosa, da outra denúncia de peculato e não viu crime na contratação do jornalista Luís Costa Pinto, por meio da Câmara, para prestar assessoria particular a ele. Neste caso, Rosa seguiu o revisor.

Três dos quatro ministros do STF que votaram nesta segunda seguiram os argumentos do relator Joaquim Barbosa, a favor da condenação de quase todos os réus: Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia. ntegrante com menos "tempo de casa" no Supremo, Rosa só não se pronunciou sobre o crime de lavagem de dinheiro e decidiu absolver o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) de um dos crimes de peculato.

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Já Dias Toffoli votou com o revisor Ricardo Lewandowski, que pediu a absolvição de Cunha, do publicitário Marcos Valério e de seus sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach na denúncia referente aos contratos da Câmara dos Deputados.

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Caso BB: Lewandowski pede para condenar ex-diretor do banco e Valério

Toffoli, ainda seguindo o voto de Lewandowski, condenou o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, e Valério e sócios por peculato, na parte da denúncia referente à acusação de desvios do banco por meio das verbas publicitárias do fundo Visanet.

Gushiken absolvido

Como já era esperado após o pronunciamento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que excluiu o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Luiz Gushiken da denúncia feita pelo Ministério Público, todos os seis ministros do STF que votaram nesta segunda-feira pediram sua absolvição. 

Todos os magistrados entenderam que não existem provas de que Gushiken recebeu repasses autorizados por Henrique Pizzolato. Em suas alegações finais, o próprio Ministério Público alegou que não havia provas quanto ao suposto envolvimento do ex-ministro no mensalão. 

Com Agência Reuters

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