Após não conseguirem encontro, ex-presos políticos protestam contra Lula

Integrantes do Fórum Permanente dos Ex-Perseguidos Políticos tentaram marcar uma reunião com o ex-presidente, não tiveram êxito e protestaram na porta do Instituto Lula

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Depois de tentar, em vão, um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã desta sexta-feira (24), em São Paulo, dois dirigentes do Fórum Permanente dos Ex-Perseguidos Políticos procuraram a imprensa para criticar o PT e o governo federal. Um deles, Eduardo Ferreira de Albuquerque, de 56 anos, foi preso e torturado em 1980 por ter pichado um muro, na capital, com a frase "Soltem o Lula". Na época, o então líder sindical estava preso por liderar greves na região do ABC paulista.

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Albuquerque e Francisco Ferreira de Oliveira, 80 anos, diretor tesoureiro do Fórum, queriam pedir a intervenção de Lula junto ao Ministério da Justiça para liberar o pagamento de indenizações de anistiados políticos que estão em atraso. Oliveira participou da luta armada contra o regime militar junto com a presidenta Dilma Rousseff e passou dois anos e oito meses preso. Eles não conseguiram passar do portão do Instituto Lula, onde o ex-presidente dá expediente. "Quando o Lula estava preso, fiz mobilização para que o libertassem e acabei sofrendo oito dias de tortura, além de terem me tirado o emprego. Agora, ele bate a porta na minha cara", reclamou Albuquerque. "Sou do PT, mas o partido chegou ao poder e agora não cumpre a lei", completou Oliveira.

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Segundo ele, pelo menos 13 processos de anistia foram julgados no estado de São Paulo e tiveram a decisão publicada, mas os beneficiários continuam sem receber a indenização. De acordo com o dirigente, a Lei da Anistia prevê o pagamento em até 60 dias após a publicação do julgado. "Temos casos que são de 2001 e os companheiros estão morrendo à míngua sem terem recebido um centavo."

Oliveira contou que decidiu ir ao instituto depois de tentar o encontro com Lula durante vários meses para pedir que interviesse junto a Dilma. Ele e o colega foram atendidos no portão pelo presidente da entidade, Paulo Okamoto, mas não conseguiram o encontro com Lula. Naquele momento, o ex-presidente atendia o deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG) e, segundo Okamoto, não havia condições de incluir os ex-presos na agenda.

Revoltado, Albuquerque disse que fará um plantão na frente do prédio em que Lula reside, em São Bernardo do Campo, até entregar a reivindicação dos ex-presos políticos a ele. "Fico revoltado porque o Lula agora recebe o [Paulo] Maluf, mas não recebe a gente, que lutou por ele", desabafou.

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