‘Sem o Serra, anti-petistas votariam em mim’, diz Soninha

Candidata do PPS, ex-filiada ao PT aponta Fernando Haddad como principal oponente rumo ao 2º turno

Rafael Abrantes e Marcelo Ribeiro - Brasil Econômico |

Segunda vez candidata à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine (PPS) tenta conquistar votos, e atenção, dos eleitores na TV, mas principalmente na internet, onde busca “cabos eleitorais”. Seu maior desafio é superar o petista Fernando Haddad, seu principal adversário no momento, disse ela ao Brasil Econômico .

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Futura Press/AE
Soninha tenta conquistar votos principalmente na internet, onde busca 'cabos eleitorais'

Brasil Econômico: Com apenas pouco mais de um minuto de propaganda na TV, pretende atrair o eleitor mais para a internet?

Soninha Francine: Eu estando com 9% ou 5% da intenção de voto nas pesquisas não muda a estratégia (de comunicação). O que a gente procura ver são áreas de interesse não atendidas satisfatoriamente. Há uma mudança de conteúdo, não uma mudança de estratégia. A gente não mira num público xis. Agora, para chamar atenção para internet é o conteúdo do programa. Aparecer na timeline das pessoas no Facebook é, para mim, mais importante do que para os outros (candidatos). Eles não dependem tanto dessa recomendação entre as pessoas como eu.

Brasil Econômico: Então, os recursos da internet e redes sociais podem substituir a propaganda na TV?

SF: Sim. O perfil do meu eleitorado é de quem usa a internet para se comunicar com os amigos, para comentar informações. Alguns candidatos entram na internet porque, hoje em dia, ninguém ficaria fora. Mas não é tão relevante, necessário e útil para eles, quanto é para mim. Com a internet, eu não ganho só eleitores. Ganho cabos eleitorais, e isso faz toda a diferença. A influência de um eleitor para o outro é muito importante. As pessoas votam em um candidato que alguém recomendou. Para vereador, em 90% dos casos, e para prefeito, em 50%.

Brasil Econômico: E os índices de rejeição em pesquisas, lhe preocupam?

SF: Não. Eu sei os tipos de rejeição que tenho. Rejeição de quem não perdoa eu ter saído do PT e ido para um partido de oposição. Tem a rejeição do desconhecimento, de quem pensa que sou mais uma celebridade querendo se dar bem na política. Há pessoas que já me conhecem, mas por opiniões políticas que elas condenam. E o que mais tenho que enfrentar: aquelas que me condenam por opiniões que eu não tenho. Isso me mata. Elas discordam do que eu não penso? Mas atribuem essa ideia a mim? Como a liberação da maconha. Não é isso. Mas tem gente que gosta de mim por minha atuação na cultura, no meio ambiente.

Brasil Econômico: Quais as diferenças entre sua campanha para prefeita em 2008 e neste ano?

SF: Era a primeira vez que o PPS disputava eleição municipal com candidato próprio. O (comitê) nacional transferiu recursos para nós. Dessa vez, o nacional não tem dinheiro para transferir, o estadual também não. A gente procurou empresários que sempre declararam simpatia pelas minhas ideias, mas não estamos conseguindo nada. Nunca foi fácil. O PPS nunca teve uma agenda de grandes nomes para pedir dinheiro. Não temos nem adesivo de carro.

Brasil Econômico: A presença diária do Lula pode mudar a campanha de Fernando Haddad a partir de agora?

SF: Eu concordo que isso vai tirar o Haddad do atual patamar nas pesquisas, que não condiz com o eleitorado do PT na cidade. Agora, o Haddad precisa conquistar inclusive o eleitorado petista. E isso já está sendo difícil. Se eu estivesse no PT, estaria muito preocupada. A cada dez passos tem um cavalete dele com Lula, Dilma e candidatos a vereador na periferia. Isso já era para estar produzindo um efeito maior nas suas intenções de voto. O que falta? E o voto do Russomanno é muito do eleitorado petista da periferia, que ainda não está convencido sobre Haddad.

Brasil Econômico: Haddad é o seu adversário direto, no momento?

SF: Acho que disputo voto mesmo, contra Serra e Russomanno, é com Haddad. Em função da rejeição das pessoas aos dois, que podem ficar divididas entre mim e o Haddad, pelo que o PT representa historicamente, e pelo que as pessoas procuram em um candidato. Já o Serra tira voto meu. Quando os pré-candidatos tucanos eram Bruno (Covas), José Aníbal, Andrea (Matarazzo) e (Ricardo) Trípoli, eles tinham 3% das intenções de voto, e eu 11%. Ele tira voto meu de quem é anti-petista. Se não tivesse o Serra, essas pessoas prefeririam votar em mim.

Brasil Econômico: Você foi subprefeita da Lapa entre 2009 e 2010. Qual era sua principal reclamação sobre a gestão Kassab?

SF: A falta de atenção às necessidades das subprefeituras. Não tinha uma relação próxima com Kassab. Faltou interesse e sensibilidade para ver coisas pequenas que são muito significativas. Não vi o Kassab com o perfil de cobrança. Ele era um prefeito mais distante.

Brasil Econômico: Quais mudanças são necessárias para solucionar os problemas de mobilidade em São Paulo?

SF: A bicicleta tem que ser incorporada como alternativa viável. Eu vou fazer um plano cicloviário, é fácil. Mas o mais importante é cuidar de ônibus. Isso significa fazer muito mais pistas exclusivas. Corredor tem que ser uma faixa expressa. O pagamento da tarifa tem que ser no ponto de ônibus. Assim, se consegue ter as mesmas qualidades do transporte sobre trilhos. Criar estacionamentos juntos às estações de metrô, combinado com rodízio ou pedágio urbano é o que vai desafogar o trânsito da região central. A vantagem do pedágio é que ele não proíbe a circulação e arrecada dinheiro para a melhoria do transporte público.

Brasil Econômico: Você acusou haver compra de votos na Câmara Municipal e projetos aprovados apenas sob acordos. O que faria se eleita?

SF : Como acredito ser possível um acordo republicano, será assim. Vai ser uma Prefeitura trágica porque não vou aprovar nada, mas as pessoas saberão o que está acontecendo. O risco é perder, mas não vou trocar projeto bom por cargo ruim.

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