Agnelo nega suborno a policial que ameaçou revelar esquema de desvio

Depósitos no valor de R$ 7,5 mil foram identificados a partir de dados bancários encaminhados pelo governador do Distrito Federal à CPI do Cachoeira

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O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), rejeitou nesta quinta-feira (23) a suspeita de que teria pago R$ 7,5 mil ao policial militar João Dias Ferreira para que não fosse revelado um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Ministério do Esporte, que foi comandado pelo petista entre 2003 e 2006.

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Segundo nota distribuída pelo porta-voz do GDF, Ugo Braga, o valor corresponde à compra de um carro usado. De acordo com o texto, "a operação é absolutamente legal". "A transação foi feita em fevereiro de 2008, mediante a entrega de 10 cheques nominais pré-datados, mas acabou desfeita pouco mais de dois meses depois, com a devolução do carro e a restituição dos cheques", explica a nota.

Em 2007, uma auditoria do Ministério do Esporte apurou irregularidades em convênios firmados com organizações não-governamentais (ONGs) comandadas por João Dias. Em 2008, quando a Pasta já era comandada pelo ex-ministro Orlando Silva, as investigações a respeito dos desvios no Programa Segundo Tempo foram abafadas e o caso culminou com a saída de Silva do cargo.

O depósito dos R$ 7,5 mil foi identificado a partir dos dados bancários encaminhados por Agnelo Queiroz à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira . O governador depôs à CPI em junho, quando ofereceu seus sigilos bancário e telefônico para comprovar que não teria relações com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O pagamento foi feito em três parcelas de R$ 2,5 mil em 1º de fevereiro, 31 de março e 4 de março de 2008. O levantamento foi feito pela liderança do PSDB. De acordo com o líder Álvaro Dias (PR), a suspeita de que Agnelo teria subornado "é uma suposição". "O repasse desses recursos ocorreram coincidentemente no período em que o João Dias ameaçava o governador na eventual participação dele naquele episódio de recursos no Ministério do Esporte", declarou.

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O senador disse que a assessoria do PSDB está formulando uma representação criminal para pedir ao Ministério Público Federal para investigar o caso. Segundo ele, não deve ser feita nenhuma ação no âmbito da CPI, mas ressaltou que Agnelo "faltou com a verdade" em seu depoimento à Comissão.

"Não estamos cogitando reconvocação [de Agnelo Queiroz à CPI] e sim uma medida extra CPI que seria esta representação criminal", afirmou. "Ele faltou com a verdade, desqualificou o policial e aí cabe seu indiciamento, pois ele já responde a dois processos no Superior Tribunal de Justiça".

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