Relator da CPI do Cachoeira lamenta decisão de depoentes de não falarem

De acordo com o deputado federal Odair Cunha (PT), é clara a 'defesa que existe ao senhor Carlos Cachoeira'

iG São Paulo | - Atualizada às

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , com agentes públicos e privados retomou seus trabalhou nesta quarta-feira (22) com os depoentes Jayme Eduardo Rincón, presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop) e ex-tesoureiro do governador do DF, Marcos Perillo, e o policial civil aposentado Aredes Correia Pires. Ambos convocados vieram à comissão munidos de habeas corpus, que lhes garantia o direito constitucional ao silêncio.

Acompanhe as últimas notícias da CPI do Cachoeira

Primeiro à depôr, Rincón afirmou que seguiria "recomendação técnica de meu advogado" e não falaria. Rincón já havia sido convocado pela CPI por duas vezes, mas alegou problemas de saúde para não comparecer. Desta vez, entrou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para não ter de responder às perguntas dos parlamentares.

Geraldo Magela/Agência Senado
Diante do silêncio dos depoentes, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), encerra a reunião. À direita, o relator, deputado federal Odair Cunha (PT-MG)


O ex-tesoureiro é sócio de uma empresa que teria recebido R$ 600 mil do grupo de Cachoeira. Nesta segunda-feira (20), o ministro Joaquim Barbosa concedeu liminar que garantiu a Rincón o direito ao silêncio na CPI. para evitar que se autoincrimine.

Outro convocado, o policial aposentado Aredes Correia Pires, seria ouvido na última quarta-feira (15), mas não foi localizado pela CPMI, motivo pelo qual seu depoimento foi adiado para a próxima quarta (22). Segundo a Polícia Federal, ele teria recebido um dos aparelhos de rádio Nextel distribuídos pelo grupo de Cachoeira na tentativa de evitar “grampos” telefônicos.

Pires afirmou que, em razão da medida cautelar, também deixaria de responder as perguntas formuladas por essa comissão.

Críticas

Após dispensados, o relator da CPI, o deputado federal Odair Cunha (PT), lamentou a decisão dos convocados e criticou o “pacto de silêncio”. "Gostaria apenas de lamentar a postura dos depoentes, que vêm à CPMI e não colaboram, em uma linha clara adotando a unidade da defesa que existe ao senhor Carlos Cachoeira”, disse.

Quanto ao ex-corregedor da Polícia Civil, Cunha afirmou que a “quebra do sigilo funcional dele é evidente”. O relator lembrou que “ele tinha um aparelho Nextel [fornecido por Cachoeira] e colaborou vazando informações da Polícia Civil. Agora, reafirma com seu silêncio o seu vínculo com a organização criminosa”

Em relação à Rincón, o relator chamou a atenção para uma interceptação de 12 de agosto do ano passado, entre Cláudio Abreu e Cachoeira, em que discutem a manipulação do resultado de uma licitação na qual a construtora Delta tinha interesse. Cláudio Abreu era o representante da Delta no Centro-Oeste.

Máfia

Em depoimento à CPI nesta terça-feira (21), a procuradora da República responsável pela operação Monte Carlo, Léa Batista de Oliveira, afirmou a organização criminosa comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira não foi desarticulada e continua ativa, apesar de seu chefe estar preso.

Leia também:  Para procuradora, grupo de Cachoeira continua 'vivo e operando'

Léa comparou o grupo de Cachoeira a uma máfia, com hierarquia e organização próprias. "O certo é que a operação desvelou uma máfia, uma sociedade bem estruturada, mais lucrativa que uma grande empresa. Um grupo profissionalizado, estável, permanente e habitual, montado para o cometimento de crimes de natureza grave. A sua existência por mais de uma década foi suficiente para montar uma estrutura estável e entranhada no seio do Estado”, disse Léa Batista.

De acordo com Lea, é necessário atingir o núcleo empresarial da organização para que ela pare de funcionar. “Enquanto não conseguirmos sufocar essa organização, em termos financeiros, ela vai continuar atuando, independentemente de o chefe estar preso ou não”, disse.

Leia mais: Cachoeira queria expandir negócios na internet e para o exterior

Também depôs na comissão o procurador da República Daniel Rezende Salgado, que afirmou que o vazamento de informações sobre as investigações da Operação Monte Carlo foi responsável pela falha das investigações em atuar sobre o nível empresarial. "(O vazamento) fez com que deixássemos de investigar outras áreas. Tinha uma parte empresarial do grupo criminoso e não conseguimos investigar. Temos um material bruto que precisa ser submetido a análise", explicou

Com Agência Brasil Agência Câmara

    Leia tudo sobre: cpi do cachoeiracpicarlinhos cachoeira

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG