Daniel Rezende Salgado e Lea Batista de Oliveira haviam sido convocados em maio, mas tiveram depoimentos adiados para não impedi-los de prosseguir com investigações

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , com agentes públicos e privados ouve nesta terça-feira (21) os dois procuradores responsáveis pelas investigações nas Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, Daniel Rezende Salgado e Lea Batista de Oliveira. A reunião começou por volta das 10h50.

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A CPI ouve nesta terça-feira (21) os promotores Daniel Rezende Salgado e Lea Batista de Oliveira, responsáveis pelas investigações das operações Vegas e Monte Carlo
Leonardo Prado/Agência Câmara
A CPI ouve nesta terça-feira (21) os promotores Daniel Rezende Salgado e Lea Batista de Oliveira, responsáveis pelas investigações das operações Vegas e Monte Carlo

Daniel e Lea já haviam sido chamados pela CPI no início dos trabalhos, em maio, mas seus depoimentos foram adiados porque falar à CPI antes da audiência na Justiça poderia impedi-los de prosseguir atuando no caso.

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Primeira a falar à comissão, Lea relatou informações das investigações da Operação Monte Carlo, afirmando que é claro que a investigação encontrou uma organização com características de uma máfia. “O certo é que a operação desvelou uma máfia, uma sociedade bem estruturada, mais lucrativa que uma grande empresa. Um grupo profissionalizado, estável, permanente e habitual, montado para o cometimento de crimes de natureza grave. A sua existência por mais de uma década foi suficiente para montar uma estrutura estável e entranhada no seio do Estado”, disse Léa Batista.

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Segundo ela, a organização ainda não foi completamente desarticulada. Lea afirma ter recebido ameaças através e-mails em julho, procedentes de Anápolis (GO), o “reduto” do grupo de Cachoeira. Lea disse ainda que foi surpreendida com uma tentativa de visita a seu prédio às 5h45 da madrugada, por uma mulher, que não teve êxito. Sua equipe de segurança foi abordada por PMs e seu carro foi marcado.

Em seguida, Daniel Rezende Salgado afirmou que as investigações do Ministério Público Federal ficaram restritas à exploração de jogos pela organização de Cachoeira. "A antecipação da Operação Monte Carlo, em razão do vazamento de informações, fez com que deixássemos de investigar outras áreas. Tinha uma parte empresarial do grupo criminoso e não conseguimos investigar. Temos um material bruto que precisa ser submetido a análise", disse.

Salgado também falou das dificuldades em investigar por causa da presença de policiais militares, civis e federais na organização criminosa. "Como era difícil o trabalho de campo, tivemos de usar as interceptações telefônicas", disse. Também disse que, por causa dos vazamentos de interceptações telefônicas, muitas ações tiveram de ser antecipadas e muitas investigações deixaram de ser feitas. Como exemplo, ele citou as apurações sobre o “braço financeiro” da organização comandada por Cachoeira, que envolveriam atividades como a lavagem de dinheiro.

Quarta-feira

Amanhã serão ouvidos o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Eduardo Rincón, e o ex-corregedor da Polícia Civil de Goiás Aredes Correia Pires. Rincón conseguiu habeas corpus no STF para permanecer em silêncio no depoimento.

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Ex-tesoureiro da campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo, Rincón é sócio de uma empresa que teria recebido R$ 600 mil do grupo de Cachoeira. Para garantir o direito ao silêncio na comissão, ele impetrou habeas corpus nesta semana. O relator do pedido no Supremo Tribunal Federal é o ministro Joaquim Barbosa. Jayme Rincón já havia sido convocado pela CPI por duas vezes, mas alegou problemas de saúde para não comparecer.

O outro convocado, Aredes Correia Pires, seria ouvido na quarta-feira (15), mas não foi localizado pela comissão, motivo pelo qual seu depoimento foi adiado para o dia 22. Segundo a Polícia Federal, ele teria recebido um dos aparelhos de rádio Nextel distribuídos pelo grupo de Cachoeira na tentativa de evitar “grampos” telefônicos.

Com Agência Senado,  Agência Câmara e Agência Brasil

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