Campanha na TV mudará cenário eleitoral em 15 dias

Candidatos e especialistas avaliam que, mais do que os programas em blocos de meia hora, as inserções de 30 segundos ao longo do dia são as que podem decidir eleição

Pedro Venceslau e Rafael Abrantes - Brasil Econômico | - Atualizada às

Começou hoje o horário eleitoral gratuito em rádio e TV. Para especialistas e políticos, esse é o começo real de qualquer campanha, especialmente no caso das municipais. O cientista político Antonio Lavareda explica que em nenhuma outra disputa, nem mesmo nas presidenciais, os candidatos ocupam tanto tempo como os “prefeituráveis” na telinha. A explicação é simples. Não há nesse caso outras campanhas majoritárias dividindo o espaço. São 30 minutos dedicados apenas aos postulantes dos municípios.

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A reportagem do Brasil Econômico ouviu políticos e técnicos para saber quais serão os reflexos e as estratégias dos candidatos nos três maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Marqueteiros e dirigentes das três cidades apontam alguns consensos.

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O primeiro: as inserções de 30 segundos divididas ao longo do dia são muito mais valiosas do que o comercial de 30 minutos que começa antes da novela. “Elas são mais importantes porque entram no meio da programação”, diz Edson Aparecido, coordenador da campanha de José Serra em São Paulo. “Hoje o eleitor tem muitas fugas no horário eleitoral: internet, cabo, DVD. Já os spots de 30 segundoS entram de surpresa no meio do Jornal Nacional”, concorda Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro.

Outro consenso é sobre o impacto da TV nas pesquisas. Nos casos do Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os prefeitos que disputam a reeleição com um arco enorme de alianças e com um tempo muito maior que os adversários, já lideram as pesquisas.

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Já em São Paulo, o líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB), conta com apenas 2min11s na TV. “Fiz um levantamento em 2008 e concluí que 80% dos prefeitos eleitos nas capitais tinham mais tempo de TV”, conta Lavareda. Ele acredita que os efeitos do horário eleitoral já serão sentidos dez dias depois. O sociólogo Aldo Fornazieri, diretor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, discorda. “Normalmente a TV faz efeito depois de 20 dias. Acredito que em meados de setembro teremos uma tendência forte do resultado.”

Produção milionária

As regras da democracia brasileira tornaram a propaganda eleitoral na TV uma mina de ouro. Os candidatos com mais espaço contam com mais inserções diárias que os grandes anunciantes. Não é por acaso que a produção dos programas é o item mais caro de uma campanha.

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“A produção das inserções é baseada em pesquisas qualitativas. Não há uma fórmula. Os resultados começam a aparecer 15 dias depois”, diz Carlos Melo, professor de ciência política do Insper. Com base nessa crença a campanha de Fernando Haddad não demonstra preocupação com o modesto desempenho do candidato até o momento. O que os petistas pretendem fazer em 2012 é o mesmo que socialistas, tucanos e petistas fizeram em 2008 com Márcio Lacerda , então um desconhecido candidato a prefeito de Belo Horizonte. A ideia é usar a TV para massificar a transferência de votos de um padrinho político poderoso, no caso o ex-presidente Lula. “Na última campanha o Aécio precisou ancorar o Lacerda. Agora que ele já é conhecido não precisamos colocar todos os nossos líderes na TV”, conta Marcus Pestana, do PSDB mineiro 

Já no Rio de Janeiro, o deputado tucano Otávio Leite usará a estratégia inversa. Logo no primeiro programa ele contará o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador Aécio Neves e o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB). Ele tenta dessa forma impedir que o prefeito Eduardo Paes seja um rolo compressor.

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