Cachoeira queria expandir negócios na internet e para o exterior, diz procurador

Para Daniel Rezende Salgado, grupo sabia que não conseguiria atuar de 'forma material' por muito tempo e migraria para o mundo virtual através de offshores

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O procurador da República Daniel Rezende Salgado disse nesta terça-feira (21) em depoimento à CPI do Cachoeira que o Ministério Público Federal (MPF) identificou a tentativa do grupo de Carlinhos Cachoeira de expandir as atividades ilegais de jogos para a internet. "Eles diziam de forma muito clara: 'a qualquer momento vai cair, a gente não vai conseguir mais desenvolver essa nossa atuação de forma material, a gente tem que ir pro mundo virtual mesmo'. Isso foi muito significativo", disse o procurador.

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Geraldo Magela/Agência Senado
Salgado afirmou que o MP identificou tentativas do grupo de Carlinhos Cachoeira de expandir as atividades ilegais de jogos para a internet

Salgado citou três empresas que estariam sendo utilizadas para viabilizar o negócio. Uma delas seria uma offshore aberta no Paraguai e que seria administrada por Lenine Araújo, apontado pela Polícia Federal como um dos principais auxiliares de Cachoeira. A empresa receberia recursos de uma agência de turismo por meio de "dólar-cabo", operação ilegal de câmbio em que o dinheiro é remetido via compensação, sem transferência física e sem controle dos órgãos estatais. A transação permitiria a lavagem do dinheiro ilegal dos jogos.

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Outra empresa, situada no Reino Unido, desenvolveria o programa que tornaria o jogo online "hospedado em um site de Curaçao" disponível. Daniel Salgado explicou que o Ministério Público não conseguiu aprofundar as investigações sobre o braço empresarial da organização de Cachoeira por causa dos constantes vazamentos de informações, passadas por agentes públicos cooptados. A deflagração da operação Monte Carlo, inclusive, teve que ser adiantada por causa disso. "Nós trabalhamos sempre para quebrar a espinha dorsal financeira dos criminosos para que eles possam se sufocar. Só que por conta dos vazamentos, não conseguimos desenvolver esse trabalho. O que nós temos são informações que precisam ser melhor trabalhadas", afirmou.

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Daniel Salgado explicou que o MP preferiu manter o foco da investigação no esquema ilegal de jogos e a cooptação de agentes públicos para manter as atividades. Ele contou como parte do dinheiro captado ilegalmente era utilizado para comprar policiais e delegados. "Recebiam, na exploração de caça-níqueis, determinados valores em cheque e encaminhavam para factorings. Essa factoring era responsável por ficar com 6% do valor do cheque e encaminhar [o restante] para a conta dos membros da organização criminosa e esse valor era refinanciado na empresa criminosa.

Esse valor era reutilizado para cooptação dos agentes do Estado. Eles falavam pejorativamente em "assistência'", detalhou. "Outras vezes eram utilizadas empresas de fachada e posteriormente, esses valores eram repassados para outras empresas, às vezes até empresas que tinham funcionamento [regular]", completou.

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