Tucano vai declarar amor a São Paulo e petista vai aparecer em ‘cenas caseiras’ ao lado da família, como Dilma em 2010; Russomanno quer aproveitar a experiência como apresentador

Oficialmente a campanha pela prefeitura de São Paulo começou no dia 6 de julho. Na prática, segundo estrategistas das principais candidaturas, a disputa começa para valer nesta semana com o início do horário eleitoral no rádio e na TV terça-feira para vereadores e quarta-feira para os candidatos a prefeito.

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A avaliação geral é que numa cidade como São Paulo, com mais de 8,6 milhões de eleitores, comícios, caminhadas, encontros, debates, palestras, entrevistas e outras formas tradicionais de campanha passaram a ter importância menor em comparação com o palanque eletrônico.

Na primeira fase da campanha, Haddad fez corpo a corpo por São Paulo, mas sem a presença de Lula
Futura Press
Na primeira fase da campanha, Haddad fez corpo a corpo por São Paulo, mas sem a presença de Lula

“TV é benzetacil. O resto é homeopatia”, ensina há mais de uma década o publicitário Duda Mendonça, um dos primeiros no Brasil a priorizar a TV como ferramenta eleitoral.

Na última quinta-feira o candidato do PT, Fernando Haddad classificou da seguinte forma o início da campanha na TV: “O jogo com bola começa agora. Antes foi um treino sem bola”.

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Em terceiro lugar nas pesquisas com 9%, segundo o Ibope, Haddad é o candidato que mais depende do palanque eletrônico. Para garantir os 7 minutos e 39 segundos aos quais o candidato terá direito o PT foi obrigado a fechar uma aliança polêmica aliança com o PP de Paulo Maluf, adversário histórico do partido, e trouxe a São Paulo o publicitário baiano João Santana, peça fundamental nas eleições de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 e Dilma Rousseff em 2010.

“Nossa expectativa é grande. Sem mídia de massa é difícil alguém ficar conhecido na cidade. Batalhamos para termos um bom tempo na TV”, disse o coordenador geral da campanha de Haddad, Antonio Donato.

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A campanha do petista vai seguir a fórmula consagrada no Brasil. Na primeira semana, o programa vai apresentar o candidato, ainda desconhecido pela maior parte do eleitorado. O PT quer mostrar ao eleitor que Haddad é o candidato de Lula (que vai aparecer nos programas) e Dilma (que ainda não gravou), apontados por todas pesquisas como bons cabos eleitorais. Ultrapassada esta fase, as propostas do candidato para a cidade passarão a ter maior espaço no programa.

Segundo Donato, o primeiro programa de Haddad será semelhante ao de Dilma, em 2010, que teve depoimento em tom intimista e emotivo, cenas caseiras, apresentação da família, biografia, relatos de amigos e, claro, Lula.

De acordo com o coordenador da campanha, Haddad vai evitar críticas aos adversários, mas vai “dialogar com a situação e os problemas da cidade” administrada por Gilberto Kassab (PSD), aliado de José Serra (PSDB).

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Serra trabalha para minimizar rejeição e mira Russomanno, com quem aparece empatado
Futura Press
Serra trabalha para minimizar rejeição e mira Russomanno, com quem aparece empatado

Veterano de outras eleições, ex-prefeito, ex-governador, conhecido por 100% do eleitorado, Serra não precisa ser apresentado ao eleitor, mas vai usar o primeiro programa justamente para isso. Sondagens internas mostram que sete em cada dez eleitores desconhecem ou estão mal informados sobre a eleição. Dois meses atrás o índice era de nove em cada dez, inclusive em bairros nobres. Ele e Haddad estão empatados no tempo de TV: 7 minutos e 39 segundos cada.

No programa inaugural Serra fará uma declaração de amor à cidade na qual nasceu, iniciou a carreira pública, onde moram seus filhos e netos. A ideia é estimular a autoestima do paulistano em relação à cidade. Serra será a estrela do programa que apresentará também um clip com o jingle da campanha.

Feita a apresentação, Serra vai partir para a fase das propostas. A diferença em relação a outros candidatos é que as promessas serão lastreadas pelas realizações do tucano tanto como prefeito quanto no comando do governo estadual.

Antes de abordar cada tema do programa de governo, o programa de Serra vai mostrar o que o candidato já fez na área. As realizações servirão como uma espécie de aval às propostas. A mensagem é: Serra já fez muito e pode fazer muito mais.

Segundo integrantes da campanha tucana, o governador, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito Kassab vão aparecer ainda nesta semana no programa.

Russomanno e Soninha

Com pouco tempo de TV, Russomanno aposta na experiência de apresentador para manter trajetória
Futura Press e AE
Com pouco tempo de TV, Russomanno aposta na experiência de apresentador para manter trajetória

Ricardo Bérgamo, coordenador de marketing da campanha de Celso Russomanno , parece tranquilo com o tempo de 2m12s que o candidato do PRB terá no ar. “Eu teria um problema se estivesse inserindo o Celso na campanha, mas a gente chegou bem nesta fase da televisão”, afirma. De acordo com a última pesquisa do Ibope, Russomanno está com 26% das intenções de voto e derrotaria o candidato do PSDB, José Serra, por 42% contra 35%, em um segundo turno simulado. “Se eu tivesse 6% ou 7% de intenções de votos, aí estaria preocupado”, completa

O publicitário assegura que não precisará ‘vender o Celso’ na televisão e que a propaganda eleitoral vai se valer do carisma e de toda experiência que o candidato possui com o veículo. Antes de se candidatar, Russomanno tinha um quadro na TV Record, ligada à Igreja Universal e ao partido do candidato do PRB.

O conteúdo deve ficar mais focado no programa de governo e nas propostas do que na apresentação de Russomanno ao público. “Uma coisa está ligada a outra, quando ele fala da cidade, de suas propostas, o público passa a conhecê-lo melhor”, disse. No rádio, a propaganda deve seguir o mesmo modelo, mas com linguagem própria para o meio. “Não dá para mexer na estratégia que funciona. Só posso mexer quando o cenário me preocupar”, afirmou. A campanha também vai se valer da internet, que deve servir como “prolongamento” dos programas de TV.

Campanha de Soninha aposta no conteúdo da internet como diferencial da candidata
Agência Estado
Campanha de Soninha aposta no conteúdo da internet como diferencial da candidata

Bérgamo diz que os ataques feitos ao candidato não devem ganhar destaque na programação. Só nas últimas semanas, o nome de Russomanno apareceu em três denúncias diferentes: citado por um membro do grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira, na suposta posse de uma rádio irregular, em Leme, interior de São Paulo, e na compra de passagens aéreas internacionais para sua esposa e filha com cota parlamentar, ainda quando era deputado federal. “São ataques tão pouco inteligentes e infelizes que não vale a pena perder tempo”, declarou Bérgamo.

Com a queda 5% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Ibope, a campanha de Soninha Francine (PPS) tem o desafio de inserir a candidata e apresentar suas propostas dentro do apertado tempo de 1m11s de que dispõe. Maurício Huertas, coordenador de campanha de Soninha, admite que o tempo “é quase nada”, mas que o programa vai usá-lo da melhor maneira possível. “O primeiro programa será uma apresentação da candidata, mas sempre chamando para o site”, explica. De acordo com Huertas, os programas seguintes devem abordar um tema por vez, apresentando os problemas de cada área e as propostas, sempre chamando para o online.

A internet é um apoio forte para Soninha, o site terá conteúdos como vídeos, textos e detalhamento dos programas de governo da candidata. “Ela sempre foi presente na internet, desde a época de vereadora (entre 2005 e 2008) ela já interagia com as pessoas nas redes sociais”, afirmou Huertas.

Procurada pelo iG , a assessoria de Gabriel Chalita (PMDB) se recusou a comentar o início do horário eleitoral na TV.

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