Sequência no julgamento do mensalão gera dúvida até entre advogados

Ao iniciar sessão, ministros decidiram que cada um votará de acordo com suas preferências: em bloco ou individualmente; divergência maior é entre Barbosa e Lewandowski

Wilson Lima - iG Brasília | - Atualizada às

A metodologia de apresentação dos votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão gerou dúvida até mesmo entre os advogados dos réus. Nem mesmo o ex-ministro da Justiça e hoje um dos defensores de um dos indiciados, Márcio Thomaz Bastos, entendeu como funcionará a metodologia do julgamento.

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Divulgação/STF
Em seu voto, Barbosa vê crimes de Valério e Cunha

Segundo o que foi definido pelo pleno do STF no início da sessão desta quinta-feira, cada ministro adotará uma metodologia própria de votação. A discussão foi suscitada pelo ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, que tem método de apresentação de parecer diferente do usado pelo ministro relator, Joaquim Barbosa.

Barbosa apresenta seu voto em núcleos, com o objetivo de se reconstruir o suposto esquema do mensalão. É o chamado voto fatiado, apontando os crimes cometidos por cada um destes núcleos. Com isso, ao fim do voto de cada núcleo apresentado por Barbosa, os outros ministros podem dar seu parecer. Lewandowski, no entanto, já disse que pretende apresentar seu voto integralmente, citando todos os réus, e não do jeito que o relator propõe.

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Essa divergência pode criar uma situação inusitada: o ministro revisor pode ler todo o seu voto antes de o ministro relator do STF falar de todos os réus. Um caso que não é proibido pelo regimento interno, mas também não está previsto nas regras do Supremo. “Pode ser heterodoxo, mas não é ilícito”, disse o presidente do STF, Ayres Britto, durante a tarde desta quinta-feira.

Nos corredores do STF, os advogados discutiam qual foi o real entendimento do Supremo. Eles esperam o final do primeiro item do voto do ministro Joaquim Barbosa para conseguir ter um entendimento sobre como vai funcionar o julgamento do mensalão. “Eu nunca vi nada parecido”, disse um advogado que pediu para não ser citado.

Reportagem do iG desta quinta-feira revelou que a preocupação com a pressa e com a metodologia do mensalão vem criando um certo mal estar entre os ministros do Supremo . Principalmente um conflito entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski.

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