Réu do caso Celso Daniel consegue adiar julgamento novamente

Itamar Messias dos Santos deverá ir a júri popular somente em novembro; no início do interrogatório, Elcyd diz que foi submetido a torturas para assinar a confissão

iG São Paulo | - Atualizada às

A defesa do réu Itamar Messias dos Santos, um dos acusados de sequestrar e matar o ex- prefeito de Santo André Celso Daniel , conseguiu, mais uma vez, adiar o julgamento que ocorreria na manhã desta quinta-feira no Fórum de Itapecerica da Serra. De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Itamar vai à júri popular no dia 22 de novembro.

Leia também: Justiça condena três por morte do prefeito Celso Daniel

iG explica: Entenda o caso Celso Daniel

AE
Itamar Messias dos Santos, um dos acusados pelo sequestro e assassinato de Celso Daniel (PT), conseguiu adiar o julgamento


No pedido de adiamento, o defensor Airton Jacob Gonçalves Filho alegou que terá de comparecer a outro julgamento, marcado com antecedência e com horário incompatível. Segundo Gonçalves Filho, o Ministério Público (MP) de São Paulo apresentou na tarde de quarta-feira nova versão dos fatos e que, diante disso, será necessário rever a estratégia de defesa do cliente. “O ministério propôs uma nova versão para o caso. Eu vou estudar junto com o Itamar e, dependendo da eventual concordância dele, vamos analisar como proceder”, disse o advogado.

Um terceiro motivo, de ordem pessoal, foi também apontado como empecilho para a realização do julgamento. “Meu escritório foi assaltado na tarde de ontem. Passei a tarde na delegacia e não pude alinhavar os últimos detalhes da defesa”, alegou.

Apenas está sendo julgado nesta quinta-feira o outro réu, Elcyd de Oliveira Brito, o John, acusado de homicídio duplamente qualificado, mediante promessa de recompensa, e pela utilização de recurso que torna difícil a defesa da vítima. A audiência começou pouco antes das 11h, com o sorteio da composição do júri: ele será formado por quatro mulheres e três homens.

Tanto Elcyd quanto Itamar deveriam ter sido julgados em 10 de maio, quando três acusados de participação do crime foram condenados . Na ocasião, os advogados de Elcyd e Itamar abandonaram o júri alegando que teriam muito pouco tempo para explanar a defesa . O júri decidiu por 24 anos de prisão para Ivan Rodrigues da Silva, 20 anos para José Edison da Silva e 18 anos para Rodolfo Rodrigues da Silva. 

AE
O irmão do ex-prefeito de Santo André Bruno Daniel acompanha o julgamento no Fórum de Itapecerica da Serra

Presente no tribunal, o irmão de Celso Daniel, Bruno Daniel, disse que a expectativa é de que os dois acusados recebam penas semelhantes às aplicadas aos réus condenados em maio. “Acredito que as penas sejam similares as dos réus já condenados, já que se trata do mesmo episódio. Creio que isso interfira também no julgamento do Sombra [Sérgio Gomes da Silva, acusado de ser o mandante do crime]. Há muita coisa a ser revelada. Ainda há os processos de corrupção em Santo André. Temos um caminho a percorrer. Mas é claro que se o Sombra for a júri popular, que é a nossa expectativa, já é um avanço”, disse.

Assim como fizeram os três condenados , Elcyd negou, durante seu interrogatório, que tivesse qualquer participação no crime e diz que foi submetido a torturas para assinar sua confissão.

O caso

Celso Daniel foi executado com oito tiros em janeiro de 2002. Ela foi sequestrado quando saía de um jantar com o amigo empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime. O corpo do ex-prefeito foi encontrado dois dias depois na Estrada das Cachoeiras, em Juquitiba, cidade vizinha de Itapecerica da Serra. De acordo com o Ministério Público (MP) de São Paulo, Elcyd e Itamar estavam na caminhonete que interceptou o veículo de Celso Daniel, antes do sequestro.

O MP mantém a tese de que o crime foi cometido porque Celso Daniel descobriu que o esquema de corrupção que existia em Santo André não servia apenas para alimentar o caixa 2 da campanha eleitoral de seu partido, o PT.

Leia mais: ‘Celso Daniel foi torturado. Ele sabia demais’, diz promotor do caso ao júri

Julgamento: 'Eu não matei. Não sei quem é Sombra', diz um dos réus

Entenda: Saiba quem é quem no caso Celso Daniel

“Havia um sistema de corrupção instalado em Santo André. O objetivo desse esquema de corrupção era o financiamento para campanha do PT em 2002, período de eleição presidencial. O esquema de corrupção era aceito pelo Celso Daniel enquanto financiava o caixa 2 do PT. A partir do momento que ele descobriu que o dinheiro também era desviado para enriquecimento próprio da quadrilha, ele não concordou, passou a levantar um dossiê. Isso chegou a conhecimento dos demais e aí a motivação do crime”, disse na quarta-feira o promotor Márcio Augusto Friggi, que fará a acusação no júri.

Após o julgamento de Elcyd, restará sem julgamento apenas Itamar e o acusado de ser o mandande o crime, o Sombra. Os advogados dele travam uma batalha jurídica para tentar impedir a condenação dele.

Leia mais: Advogados de dois réus abandonam júri do caso Celso Daniel

Além de questionarem a legalidade da prisão preventiva, os advogados de Sombra defendem a anulação da ação penal porque, segundo eles, o Ministério Público atuou diretamente na investigação criminal, substituindo a polícia. No entanto, já há maioria de votos (6 a 1), no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo prosseguimento da ação penal contra o empresário.

No caso Celso Daniel, o Ministério Público decidiu começar uma investigação própria após a polícia definir que o assassinato foi um crime comum de sequestro seguido de morte. As novas investigações apontaram que a morte de ex-prefeito teve motivação política. O caso chegou ao STF em 2004, mas o plenário só começou a analisar o habeas corpus em 2007.

Com Agência Brasil

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG