Dois acusados de participar da morte de Celso Daniel vão a júri popular

Elcyd Oliveira Brito e Itamar Messias Silva dos Santos serão julgados por homicídio duplamente qualificado; eles teriam ajudado a interceptar o carro do ex-prefeito

iG São Paulo | - Atualizada às

Dois acusados de participar do assassinato do ex-prefeito de Santo André , Celso Daniel, vão a júri popular nesta quinta-feira (16). Elcyd Oliveira Brito, o John, e Itamar Messias Silva dos Santos serão julgados por homicídio duplamente qualificado, mediante promessa de recompensa, e pela utilização de recurso que torna difícil a defesa da vítima. No julgamento, cinco testemunhas serão ouvidas, todas a pedido da defesa.

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AE
Itamar Messias dos Santos, um dos acusados pelo sequestro e assassinato de Celso Daniel (PT), chega para o julgamento no Tribunal do Júri de Itapecerica da Serra


Os réus já chegaram ao Fórum de Itapecerica da Serra, onde acontece o julgamento. Eles deveriam ter sido julgados em 10 de maio, quando três acusados de participação do crime foram condenados . Os advogados de Elcyd e Itamar abandonaram o júri alegando que teriam muito pouco tempo para explanar a defesa . Na ocasião, o júri decidiu por 24 anos de prisão para Ivan Rodrigues da Silva, 20 anos para José Edison da Silva e 18 anos para Rodolfo Rodrigues da Silva.

O irmão da vítima, Bruno Daniel Filho, também está no Tribunal do Júri de Itapecerica da Serra.

Celso Daniel foi executado com oito tiros em janeiro de 2002. Ela foi sequestrado quando saía de um jantar com o amigo empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime. O corpo do ex-prefeito foi encontrado dois dias depois na Estrada das Cachoeiras, em Juquitiba, cidade vizinha de Itapecerica da Serra. De acordo com o Ministério Público (MP) de São Paulo, Elcyd, que já confessou ter participado do crime, e Itamar estavam na caminhonete que interceptou o veículo de Celso Daniel, antes do sequestro.

O MP mantém a tese de que o crime foi cometido porque Celso Daniel descobriu que o esquema de corrupção que existia em Santo André não servia apenas para alimentar o caixa 2 da campanha eleitoral de seu partido, o PT.

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“Havia um sistema de corrupção instalado em Santo André. O objetivo desse esquema de corrupção era o financiamento para campanha do PT em 2002, período de eleição presidencial. O esquema de corrupção era aceito pelo Celso Daniel enquanto financiava o caixa 2 do PT. A partir do momento que ele descobriu que o dinheiro também era desviado para enriquecimento próprio da quadrilha, ele não concordou, passou a levantar um dossiê. Isso chegou a conhecimento dos demais e aí a motivação do crime”, disse na quarta-feira o promotor Márcio Augusto Friggi, que fará a acusação no júri.

Após o julgamento de Elcyd e de Itamar, restará sem julgamento apenas o acusado de ser o mandande o crime, o Sombra. Os advogados dele travam uma batalha jurídica para tentar impedir a condenação dele.

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Além de questionarem a legalidade da prisão preventiva, os advogados de Sombra defendem a anulação da ação penal porque, segundo eles, o Ministério Público atuou diretamente na investigação criminal, substituindo a polícia. No entanto, já há maioria de votos (6 a 1), no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo prosseguimento da ação penal contra o empresário.

No caso Celso Daniel, o Ministério Público decidiu começar uma investigação própria após a polícia definir que o assassinato foi um crime comum de sequestro seguido de morte. As novas investigações apontaram que a morte de ex-prefeito teve motivação política. O caso chegou ao STF em 2004, mas o plenário só começou a analisar o habeas corpus em 2007.

Com Agência Brasil

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