Depois de bate-boca, fica decidido que  ministros escolhem como votar mensalão

Metodologia do voto na ação penal gerou discussão entre Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa; ministros fazem votação e decidem que cada um decide a sua maneira de apresentar escolha

iG São Paulo |

Agência STF
O ministro Joaquim Barbosa abriu nesta quinta-feira a fase dos votos no Supremo Tribunal Federal (STF)

Cada ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) está livre para apresentar seu voto da forma que considerar mais conveniente no julgamento do mensalão . A decisão foi tomada, por maioria, em uma votação tensa logo no início do 11º dia de sessões.

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A discussão começou com uma divergência entre o relator, Joaquim Barbosa, e o revisor, Ricardo Lewandowski, irredutíveis na defesa de seus próprios modelos de votos. Barbosa informou que seguiria os oitos itens apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na denúncia. Ele defendeu uma rodada de votação do plenário ao final da apresentação de cada um desses itens.

A proposta foi rebatida pelo revisor Ricardo Lewandowski, que criticou Barbosa por embasar seu voto no modelo da PGR. “O relator tem uma ótica ao que se contém na denúncia e deverá ler seu voto. Eu me preparei nesses últimos seis meses com um voto consistente, que não é a lógica do relator, tenho uma outra visão do que se tem na denúncia. Quero apresentar minha versão inteira”.

Barbosa ergueu o tom de voz na resposta ao colega: “Não venha Vossa Excelência me ofender. Como sabe qual será minha ótica se eu não falei?”. O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, precisou interromper o bate-boca, abrindo a votação sobre a metodologia dos votos aos demais ministros, que optaram pela liberdade de escolha de cada magistrado. "Vou dar por encerrado o período de debates. Cada ministro adotará a metodologia de voto que considera cabível. A estrutura de voto de cada ministro fica a cargo de cada um", anuncia.

Pela primeira vez no julgamento, levantou-se a influência do cronograma na participação do ministro Cezar Peluso, que se aposenta no início de setembro. “O que poderá ocorrer se tivermos a abordagem apenas de certas imputações? Teremos um acórdão capenga, com Sua Excelência [Peluso] tendo participado para certos acusados e não tendo participado para outros”, disse o ministro Marco Aurélio Mello.

Com Agência Brasil

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