Ex-marqueteiro de Lula, Duda Mendonça é destaque do último dia de defesa de réus

Além do publicitário, que deixou governo Lula em situação delicada ao admitir caixa 2 em depoimento à CPI dos Correios, em 2005, serão ouvidos advogados de mais dois acusados

iG São Paulo | - Atualizada às

O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) completa mais uma etapa nesta quarta-feira (15). Os ministros da Corte ouvem as três últimas defesas e, em seguida, o ministro relator, Joaquim Barbosa , começará a ler seu voto. A  defesa do publicitário Duda Mendonça , responsável pelo marketing da campanha presidencial do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2002, negou que o publicitário tenha praticado o crime de lavagem de dinheiro e afirmou que recebeu por um serviço prestado e que não é crime ter conta no exterior. 

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Em agosto de 2005, Duda Mendonça deixou o governo Lula em situação delicada, em meio à crise do mensalão após admitir, em depoimento à CPI dos Correios, a utilização de recursos por meio de caixa 2 para a campanha presidencial do PT. Na ocasião, o marqueteiro chegou a chorar, assim como alguns parlamentares petistas que acompanhavam a sessão da CPI.

De acordo com a denúncia da Procuradoria Geral da República, Duda teria recebido recursos provenientes do esquema liderado pelo publicitário Marcos Valério, apontado como financiador do mensalão, como forma de quitar as dívidas do partido com ele. Duda é acusado pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Zilmar Fernandes, sócia do publicitário, é apontada pelo Ministério Público como coautora de um esquema de evasão de divisas por meio de recursos do grupo de Valério, com o intuito de quitar dívidas de campanhas do PT. Ela foi denunciada pelos mesmos crimes de Duda.

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AE
O publicitário Duda Mendonça, marqueteiro da campanha de Lula em 2002, será defendido por seu advogado na sessão do julgamento do mensalão desta quarta-feira

O primeiro réu que será representado pela defesa na sessão do STF nesta quarta-feira é José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto. Alves teria servido como intermediário de Adauto para o recebimento de R$ 1 milhão do grupo de Marcos Valério, segundo a denúncia da Procuradoria, e é acusado pelo crime de lavagem de dinheiro.

Nesta terça, o advogado de Adauto, Roberto Garcia Lopes Pagliuso, disse que seu cliente não tinha nenhuma relação com o presidente nacional do PTB e delator do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson, e garantiu que o ex-ministro não sabia da origem ilícita do dinheiro repassado pelo PT. Segundo Pagliuso, Adauto só se transformou em réu do mensalão graças um telefonema que fez ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para falar sobre o pagamento de dívidas de campanhas eleitorais.

Com o encerramento das sustentações orais dos 38 réus do processo do mensalão, o STF se prepara para o início da fase das manifestações dos ministros da Corte. Após as defesas de José Luiz Alves, Duda Mendonça, Zilmar Fernandes, o ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal, deve iniciar a leitura de seu voto, que deve ser longa e não será concluída ainda nesta quarta.

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Na sequência, a partir de quinta-feira (16), assim que Barbosa concluir seu voto, tomará a palavra o ministro revisor do processo, Ricardo Lewandowski. O restante da votação dos ministros do STF seguirá a ordem inversa de tempo de casa – do ministro que ingressou na Corte há menos tempo até o que está há mais tempo no Supremo. Falarão, pela ordem, Rosa Weber, Luiz Fux, José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Cezar Peluso (que se aposentará no dia 3 de setembro), Marco Aurélio Mello e o decano da Corte, Celso de Mello.

9º dia

Além da defesa do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto, esta terça-feira teve as sustentações orais de outros quatro réus do processo do mensalão: os ex-deputados petistas Paulo Rocha, Professor Luizinho e João Magno e a ex-assessora parlamentar de Rocha, Anita Leocádia.

O advogado de Paulo Rocha, João dos Santos Gomes Filho, afirmou aos ministros do STF que seu cliente recebeu R$ 620 mil para pagar dívidas de campanha no Pará, mas não sabia da origem ilícita do dinheiro . Na sequência, foi a vez de Pierpaolo Bottini, representante de Professor Luizinho, alegar que o ex-parlamentar sequer sabia da existência dos R$ 20 mil que, de acordo com o Ministério Público, ele teria recebido de Marcos Valério. Ele culpou o militante do PT José Nilson dos Santos, conhecido como “Zé Linguiça”, por ter feito os saques sem o conhecimento de seu chefe.

A citação musical do dia ficou por conta do advogado de Anita Leocádia, Luiz Maximiliano Mota, que atacou fortemente as acusações feitas pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, à sua cliente. “Senhor procurador-geral, a tua piscina está cheia de ratos, mas as tuas ideias não correspondem aos fatos”, ironizou, citando trecho da canção “O Tempo Não Para”, de Cazuza, ícone do rock nacional nos anos 1980 .

O representante de João Magno, por sua vez, admitiu a utilização de caixa 2 eleitoral e negou que o ex-parlamentar petista soubesse da origem ilegal dos recursos recebidos. “Não havia absolutamente nada de estranho ou errado que fizesse com que ele pudesse desconfiar da origem do dinheiro”, afirmou o advogado Sebastião Tadeu Ferreira Reis, que dividiu o tempo de uma hora destinado à sustentação oral da defesa com o colega Wellington Alves Valente.

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